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18 de nov. de 2011

Homenagem ao meu AMIGO e HERÓI "Armand Tungulu" Assassinado no Congo

 MON CHER AMI...
 Um ano depois da tua morte volto aqui neste espaço para dedicar-te mais um artigo, a tua morte deixou um vazio, mas as tuas ideias e a tua coragem continuam a inspirar-nos todos os dias nesta luta "NOBRE" em defesa dos direitos humanos.(pink'sblog)

Armand Tungulu Mudiandambu, morreu em circunstâncias misteriosas numa prisão no mês de outubro 2010, depois de supostamente ter apedrejado o veículo do presidente congolês Joseph Kabila, Armand era membro da oposição congolesa na Bélgica.

Imagens de Armand Tungulu já morto (tirada por um policia à direita) e de Joseph Kabila (no canto)
Tudo começou no dia 30 de setembro 2010, quando o veículo do chefe de Estado, Joseph Kabila, foi apedrejado numa rua em Kinshasa. O autor (suposto) do apedrejamento é Armand Tungulu, um congolês de quarenta anos que vivia na Bélgica. Imediatamente detido, ele foi levado para o famoso "Camp Tshatshi" um acampamento militar conhecido por no passado ter servido para a eliminação física dos oponentes ao regime do ex-ditador Mobutu. Três dias depois de ter sido preso, a televisão estatal (RTNC) anunciou a sua morte.

Suicídio? Como alegado pelas autoridades sem autópsia nem perícia médica, ou execução extrajudicial como denunciaram as organizações de defesa dos direitos humanos?
Até hoje é um mistério, mas o gesto de Armand Tungulu ainda levanta muitas questões.
Em Bruxelas, este pai de família era considerado como "um homem responsável, quieto e discreto."

Armand numa manifestação contra as agressões sexuais na RDC

 Quem era Armand tungulu?

Adepto incondicional do dialogo entre africanos, Armand Tungulu Mudiandambu "procurou por todos os meios chegar até Joseph Kabila para pedir-lhe para demitir-se." Ele era acreditava que o presidente era uma pessoa responsável e dotada do senso de Estado e que depois de falar com ele, este deixaria o poder. 

Membro do movimento "Bana Congo" (radicalmente opostos à Kabila), e membro também da associação  "Um Euro para salvar o Congo" que ajudava as vitimas de agressões sexuais no Congo.
 Armand "era um activista de terreno, do tipo "Agostinho Chicaia" ou ainda o meu amigo "Luiz Araújo", sempre disposto a tudo romper em defesa dos mais vulneráveis.

Ele queria levar a luta pela mudança no terreno, mas o dialogo não faz parte do Modus operandi de alguns dirigentes africanos. Depois de ver esgotadas todas as vias legais para obter uma audiência com o presidente Kabila, Armand decidiu esperar que o mesmo se encontrasse em local publico para poder então interpelar-lo. Erro grave, aquilo que no ocidente faria as manchetes dos telejornais e que daria assim ao mesmo Armand uma oportunidade para dialogar com as autoridades, em África é considerado como crime de "lesa Presidente".
 Morrer "só" por isso?
Armand Tungulu, atirou algumas pedras na caravana de presidente congolês Joseph Kabila, foi preso, ele não foi apresentado perante um juiz, mas sim aos "Serviços Secretos", que prenderam-no até o anúncio de seu suposto suicídio com uma fronha. Isso mesmo com uma fronha. Os mesmos Serviços Secretos que mataram o Activista civico Floribert Chebeya
 
Pergunto-me: o gesto desse homem merecia uma execução extrajudicial?  Merecia um assassinato? Infelizmente, nos nossos países isso acontece quase todos anos, os chefes de Estados arrogam-se o direito de vida e morte sobre os cidadãos. No entanto, a democracia começa com o respeito aos direitos individuais, seja inocente ou culpado. Nas nossas democracias "o interesse do Estado" é superior aos cidadãos. 
Eu sei, alguns dirão como sempre que em Angola não é assim, "aqui somos mais civilizados", será que sim?
Já esqueceram que desde o mês de março, a FLEC alerta que os sues membros são perseguidos  e assassinados? 
No dia 2 de março, Gabriel Nhemba “Pirilampo”, Chefe do Estado Maior da FLEC, fiel a N’zita Tiago, foi torturado e executado em Ponta Negra, no Congo-Brazzaville, próximo à fronteira com Cabinda. No dia 19 de março, foi assassinado mais um membro da FLEC – Maurício Lubota, o Comandante Sabata –, cujo corpo também foi encontrado em Ponta Negra. Estes acontecimentos, apenas insuflam a radicalização de algumas posições separatistas. Como podem ver, mais uma vez não somos melhores, nem diferentes dos outros, a ditadura pode até mudar de cara, mas não muda de comportamento. Aqueles que nunca perderam um amigo, um familiar ou simplesmente um vizinho, podem continuar a crer que em Angola é diferente, mas não perdem por esperar. Se alguém acha que somos diferentes, desafio qualquer um a tentar marchar até a "Cidade Alta", desarmado e de braços no ar, e verá qual será a reação dos "nossos Serviços secretos".

Paris 18/11/2011 CPP
 
 Reportagem sobre a morte de Armand Tungulu na RFI (Radio France International)

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