Esta rubrica é destinada à pessoas com conhecimentos geo-estratégicos e foi alvo de pesquisas profundas antes de ser publicada neste blog. As informações, assim como as fontes são fiáveis e podem ser verificadas. (pink'sblog)
EUA - China: rumo a um acordo sobre a África?
Negociações ao mais alto nível têm lugar entre a China e os Estados Unidos sobre a possibilidade de cooperação mútua com os países Africanos. Mas Pequim e Washington não têm a mesma visão estratégica. explicação:
O secretário de Estado adjunto para Assuntos Africanos, Johnnie Carson, esteve em Beijing na quinta-feira passada para presidir a quinta rodada das reuniões entres os EUA e a China em África.
Esta viagem é parte da "turnê" de Carson na Ásia que o levará a China, Japão e República da Coreia do Sul.
A China e os Estados Unidos são agora os principais parceiros económicos do continente africano, com um volume anual de comércio está em torno de 100 biliões para cada um dos dois países.
A maior parte deste comércio está associado à compra de derivados de petróleo e mineração.
A China não se opõe a uma parceria sino-americano na África, mas já definiu suas condições: tendo em conta os interesses dos países Africanos, o apoio a pequenos projetos na agricultura e na saúde, o uso de mecanismos de cooperação existentes. O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês sugere que comece a cooperação trilateral em países onde as duas grandes potências têm uma boa relação como a Etiópia, Gana e Libéria.
Os Estados africanos estão com medo
Enquanto os africanos perdem tempo em "lamurias e miserabilismo" o mundo avança.
Num "cable" recente no WikiLeaks, revela-se que os Estados africanos estão muito desconfiados com esta nova parceria.
Eles temem que, como com a Europa, os Estados Unidos aproveitem da oportunidade para impor condições políticas em contra a concessão de ajuda e temem uma diminuição dos financiamentos. Preocupações descritas na nota confidencial com a seguinte frase: " African don't want conditions, they want options (os africanos não querem condições, mas as opções)."
Um "cable" que também explica que a chegada dos chineses em África é muito bem vista pelas autoridades do continente, porque eles estão a beneficiar da concorrência no apoio político, diplomático e financeiro.
Mas com a parceria Sino-Americana tudo poderá mudar num futuro próximo. As condições de mais Democracia, mais liberdades fundamentais e combate a corrupção impostas pelos europeus, deixaram de ser um problema para muitos regimes africanos com a entrada em cena da china. Muitos países optaram ultimamente em trocar de parceiros económicos, ao desleixaram a Europa e as suas exigências de transparência pela China que nada exige e que empresta com taxas de interesses mais baixos.
Mas as perspectivas são más neste momento, a economia chinesa que de certa forma é dependente da economia americana (a China é o primeiro exportados nos Estados Unidos e os americanos são o primeiro consumidor mundial dos produtos chineses) precisa apoiar a expansão e a conquista de novos mercados nos países em via de desenvolvimento.
Os regimes africanos que já viam no parceiro chinês uma possibilidade de escaparem as exigências politicas do FMI e do Banco Mundial, descobrem com amargura que na "dura" realidade económica e capitalista apenas os interesses contam.
A China que rendeu-se ao capitalismo financeiro ao aceitar a economia de mercado não precisa dos africanos para existir, mas sim dos americanos que são os seus principais parceiros económicos.
Isso é geopolítica, geo-estratégia e Realpolitik, nada de "países não alinhados" e outras coisas do género.
Only The Strong Survive
O Link para o cable wikileaks:
http://wikileaks.org/cable/2010/02/10BEIJING367.html#


Nenhum comentário:
Postar um comentário