Powered By Blogger

19 de set. de 2011

Angola: Se a FNLA tivesse ganho a batalha de Luanda?


Eu que nasci dentro da FNLA e cresci dentro do MPLA, sempre tentei imaginar como a vida teria sido não só para mim, mas para os angolanos em geral se Alvor tivesse resultado numa boa partilha do poder entre as partes signatárias do acordo. Como seria a vida dos angolanos hoje se as ambições e os egoísmos exacerbados de uns e outros não nos tivessem levado a guerra civil. (Pink's blog)




  1° Hipótese Holden Roberto Presidente que regime teríamos tido?  

Exemplo do Culto da Personalidade de Holden Roberto que imaginava-se "Chefe Supremo da Revolução Angolana"


Holden Antes deAlvor


Dirigente nacionalista angolano, com um percurso atribulado no seio dos movimentos anticoloniais. Iniciou a sua actividade em 1954, com a fundação da União dos Povos do Norte de Angola (UPNA), uma organização de povos bacongos, mais tarde designada UPA para lhe retirar o carácter tribal. Em 1960, assinou um acordo com o MPLA, que rompe passados seis meses por questões ideológicas , decidindo assumir por si só a liderança da luta contra o colonialismo português. A sua grande acção teve início no dia 15 de Março, no Norte de Angola, com o assalto às fazendas do café e a morte indiscriminada de colonos brancos e trabalhadores negros bailundos. A brutalidade e a ausência de finalidade desta acção, em que os objectivos políticos e militares nunca foram esclarecidos, mancharam toda a subsequente luta anticolonial e forneceram ao regime português as imagens de horror e barbárie que lhe permitiram apelar à mobilização para a guerra. Em 1962, criou a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), da qual se tornou presidente. Esta organização constituiu o Governo Revolucionário de Angola no Exílio (GRAE), onde Jonas Savimbi surge como ministro dos Negócios Estrangeiros. Holden Roberto manteve sempre uma estreita ligação com Mobutu, Ex-presidente do Congo Democrático (ex-Zaire), país em que se instalaram as bases do movimento. Embora tenha recebido armas dos países de Leste, a sua ligação privilegiada foi sempre com os EUA, que lhe pagam uma avença anual e fornecem conselho técnico, inclusive com a presença de agentes nas suas bases".
Isto é o que podemos ler num relatório da PIDE datado de 1972 sobre Holden Roberto.


Mas o Holden que eu descobri após pesquisas e consultas com antigos membros do partido FNLA é totalmente diferente do mito.
Holden Roberto grande nacionalista sim, mas entre parênteses não posso deixar de salientar o lado megalómano e o amor do poder que nunca quererá partilhar na sua vida de dirigente da FNLA.


Se a FNLA tivesse ganho o poder em 1975 teríamos sem duvida alguma um regime ditatorial em Angola.
Holden Roberto que tanto admirava os grandes lideres africanos como Kwame Nkrumah, Jomo Kenyatta, Mobutu Sesse Seko, Abdel Nasser, Sekou Touré e tantos outros, não conhecia outra forma de poder senão a ditadura. 


Havia naquela altura grandes intelectuais africanos e europeus que defendiam o monopartidarismo como melhor sistema politico para os africanos. 


A facilidade com a qual ele eliminou sucessivamente todas a vozes internas que não partilhavam as suas opiniões levam-me a crer que seria um regime sanguinário como o de todos os outros lideres africanos.


Sem querer fazer a apologia do crime, gostaria de explicar a muitos jovens da minha geração que julgam os acontecimentos do 27 de Maio de 1977 que naquela altura os problemas eram resolvidos daquela maneira, o que escandalizou os coitados ingénuos do MPLA foi o facto de terem sido os seus familiares, vizinhos e amigos a tombarem por balas de um regime que ajudaram a instalar no poder. Alias basta para isso ver que nem a OUA nem os países amigos de Angola condenaram tais actos.


Voltando ao Holden Roberto e a FNLA, eles também têm cadáveres escondidos no guarda-roupa.
Vários dirigentes militares foram eliminados fisicamente na base militar do Kinkuso, RDC.


O exemplo do comandante Palacasa, testemunha de alguém que o conheceu:


Palacasa ex-chefe da FNLA, comandara durante algum tempo a importante base deste movimento em Kinkuso na ex-Republica do Zaire, hoje RDC.
Devido a incompatibilidades com Holden Roberto, alguns dos seus familiares diretos foram perseguidos e mortos, contudo ele conseguira fugir e apresentara-se às autoridades Portuguesas que o integraram como comandante de vários grupos de Flechas, a partir daí o comité revolucionário da FNLA acusara-o de alta traição e colocara a sua cabeça a prémio.
De etnia Kikongo aprendera a ler e escrever numa missão protestante no norte de Angola, ao alistar-se na FNLA, fora enviado para a China, país onde frequentara vários cursos de guerra subversiva. Era um homem bastante cruel, que se fazia impor pela força, agredindo por diversas vezes os seus soldados Flechas, como eu tivera oportunidade de observar quando fomos sobrevoados pelo avião. O inspetor também me confidenciou que ainda há pouco tempo assassinara um soldado Flecha, que se tinha negado a cumprir uma ordem sua.
Comentava-se que não fazia prisioneiros e nutria um ódio mortal pelos seus antigos camaradas. As autoridades Portuguesas temendo que poderia liquidar o alto quadro que agora iríamos aprisionar, decidira integrar nesta operação o Inspetor da PIDE/DGS que era seu superior hierárquico.   


Por fim tudo isso deveria servir-nos de exemplo, a real democracia e o poder popular, só serão possíveis em Angola se o povo aprender quais são os seus direitos e deveres, não só os que estão na constituição e que avantajam este ou aquele regime, constituição que em caso nenhum deve estar acima da soberania popular. 
Que seja a UNITA, o MPLA ou a FNLA nenhum deles poderá garantir os nossos direitos e interesses se não formos capazes nos mesmos de exigir, obter e defendê-los.

2 comentários:

  1. Certo Dr Claudio, concordo com o seu ponto de vista

    ResponderExcluir
  2. Artigo honesto. Concordo absolutamente com a previsão de que se a FNLA e Holden Roberto tivessem conseguido o poder em 1975 o seu regime seria uma ditadura, o desenvolvimento da ditadura que já vigorava nessa organização.

    O autor continua a surpreender-me pela positiva. Prevejo que terá um papel importante para o futuro do nosso país livre de tirania. Este é um reconhecimento merecido e uma previsão fundada na leitura das suas posições. Os que pugnam pela democracia e pelo estado de direito de facto têm nele um companheiro.

    ResponderExcluir