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1 de abr. de 2011

Reflexões de um Exilado: O racismo étnico e social em Angola



Eu que sou do norte de Angola,  cresci em Luanda ouvindo uma frase humilhante que todo mundo dizia: Zairense de merda! 


                                      






Ora, qual não foi o meu espanto quando aprendi que a filha do presidente casou com um verdadeiro Zairense (do Congo e não da província do Zaire de onde são os meus pais). Então o facto de ser mulato fez dele menos zairense? E de repente já não é de merda? Isso é mesmo Angola... Agora ouvi dizer que ele é um dos homens mais ricos de Angola, que até os mais radicais contra os Bacongos fazem reverências quando ele está presente.






Eu lembro-me que nos anos 80 o meu primo e músico Waldemar Bastos era considerado como um bom Angolano, enquanto que nós tínhamos todas as dificuldades para convencer os mesmos que éramos Angolanos, será porque ele sendo mestiço já não era da mesma laia que eu?  Bobagem  de estúpidos e de analfabetos. 
Em Angola o racismo contra os Bacongos é tão profundo como o amor que os assimilados herdaram por equipas portuguesas de futebol como os adeptos do Sport Lisboa & Benfica, Porto, Boavista, Sporting e etc...muitos pensam que assim eles tornam-se em bons cidadãos, como pensavam os assimilados, que pena. Na verdade poucos conhecem as melhores equipas africanas de futebol.Este ódio e este racismo social têm origem no facto de terem sido os Bacongos os que mais lutaram contra os colonos, e se tivermos em conta o facto de muitos desses que detestam os Bacongos são descendentes dos colonos e alguns assimilados a ligação é feita de forma directa. A minha sorte foi de ter uma origem social que me tornava  menos "de merda" que os meus primos do Rocha Pinto. Por momentos ser do norte de Angola era como uma praga... Bastava dizer o meu nome para ouvir muitas vezes os pais das minhas namoradas (mulatas) dizerem o seguinte: mas com tantos pretos em Luanda você só escolheu um zairense?  Engraçado né?  Eu acho muito triste!


Quer dizer que ser do norte era pior que ser feio ou burro? Damn... Isso era simplesmente o racismo étnico e social que existe em Luanda. Um racismo praticado por pretos contra pretos, muitos vão se reconhecer nas minhas linhas. Muitos vão fingir que isto não existe. 
Mais cedo ou mais tarde vamos ter que resolver este assunto entre nós jovens desta geração antes que um dia isto seja um factor de divisão.    

Eu tenho muitos amigos que são verdadeiros amigos,  verdadeiros Angolanos e seres humanos de alta estima que cresceram comigo, a eles eu peço perdão se a minha forma radical e directa de escrever não agradar, mas a verdade tem de ser dita, ou melhor escrita porque muitos daqueles que vivem essas injustiças fomentam pensamentos negativos que poderiam um dia acabar por explodir e fazer vitimas inocentes.

3 comentários:

  1. Bela analise da realidade Angolana, Senhor Dr. Cláudio. Bom Trabalho digno dos mais sábios dos angolanos... Obrigado

    José Pedro Ngongo

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  2. caro irmao..pedidndo desculpa aos nossos amigos do bairro azul..mas vos posso dizer q quem mais nos chamou de Zairense..foram os nossos proprios vizinhos..uma vez q foi com eles q a malta cresceu..em verem as nossas mamas de panos..roupa tipica p Africanos (tradicao)..bem haja pelo teu trabalho e nao temos q pedir desculpas a ninguem porque nao se esta a usar nomes de ninguem aqui no teu fabuloso blog..

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  3. Concordo contigo Maki meu mano, eu já os perdoei..."Noblesse oblige", é mais por cortesia e não por fraqueza que o fiz, alias não peço desculpa pelo mal que nos fizeram, mas sim que eles perdoem o meu radicalismo ardente, que é fruto desse desprezo de que fomos vitimas.

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