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16 de abr. de 2011

Crise em Burkina Faso


O presidente do Burkina Faso, Blaise Compaoré, viu-se confrontado com um motim de soldados da sua guarda presidencial. 
Na noite de quarta à quinta-feira, Compaoré abandonou Ouagadougou para a sua aldeia natal. Diz-se que já  regressou à capital.

                                 Blaise Compaoré, presidente do Burkina Faso




O motim teve início às 21 horas, pelo horário local, quando dezenas de soldados deixaram seus quartéis e foram disparando para o ar nas ruas da capital, Ouagadougou.
 Na origem do movimento estão os militares da Guarda Presidencial que tem um quartel nas proximidades da residência do presidente Blaise Compaoré, que estava no local quando começaram os disparos.
Blaise Compaoré teria deixado sua residência e viajou ainda durante a noite para sua cidade natal, Ziniaré, distante 30 quilômetros da capital. Ele teria voltado para Ouagadougou na manhã desta sexta-feira e se encontra em um antigo palácio presidencial no centro da capital, onde acompanha de perto a situação com colaboradores. Compoaré tinha encontro marcado na residência presidencial com o chefe da operação da missão da Onu na Costa do Marfim (Onuci), Choi Young-Jin.
Tiros continuaram a ser ouvidos em diversos locais, mas em intensidade bem menor do que na noite anterior. Durante várias horas, disparos foram registrados em uma área do regime presidencial situado atrás da presidência do país, na periferia sul da capital. Há informações sobre tiros de metralhadoras e de outras armas pesadas em toda a região central de Ouagadougou.
Dezenas de soldados do regimento presidencial, divididos em duas casernas, iniciaram o motim por não terem recebido o depósito de uma ajuda de habitação prometida pelo governo.  Durante o protesto, os militares saquearam diversas lojas no centro da cidade e incendiaram a casa do general Gilbert Diendiéré, chefe do Estado–Maior particular do presidente Compaoré, assim como de outros dois oficiais.
Várias pessoas teriam ficado ligeiramente feridas durante o ataque à casa de um dos oficiais, segundo uma fonte militar. Durante o motim, eles teriam libertado vários militares que estavam presos. No final de março, eles já tinham se revoltado contra a condenação à prisão de colegas acusados de diversos crimes, incluindo roubos.
Depois dos incidentes, o presidente Compaoré teve reuniões com vários representantes do exército e da polícia e anunciou ter concluído um acordo para por fim à crise.


Entretanto e durante toda manhã do dia de ontem, dezenas de soldados continuavam nas ruas de Ouagadougou. Várias testemunhas contactadas davam conta de disparos e pilhagens, com soldados a mandarem parar e roubar veículos e ainda lojas de telefonia.
Este movimento começou ontem, quinta-feira, com dezenas de soldados do regimento presidencial de duas casernas – uma das quais no complexo da residência de Compaoré – que se amotinaram. Segundo uma fonte fidedigna, eram cerca de uma centena de militares amotinados. Por razões de segurança, o chefe de Estado teve que ser conduzido para Ziniaré, localidade onde nasceu, a cerca de 30 km de Ougadougou.
Segundo fontes militares, o motim deve-se ao não pagamento de um prémio prometido mas as motivações profundas estão ainda por esclarecer.
Na tarde de ontem, Blaise Compaoré recebeu o ministro norueguês da ecologia e da Cooperação internacional, Erik Solheim ; o chefe da Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim (ONUCI), Young-Jin e ainda Christian Adovèlandé, presidente do Banco Oeste Africano para o Desenvolvimento.

O presidente Compaoré explicou que “quer dialogar com todas as componentes da sociedade burquinense” para pôr fim à contestação no seu país.

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