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17 de jun. de 2011

Portrait Of Angolan Leaders Hendrick Vaal Neto

                                                                                   
Pedro Hendrick Vaal Neto, nasceu a 22 de Novembro de 1944, no Kwanza–Sul. Estudou em Caconda, Ambriz, Huambo, Benguela e Luanda. Participou em vários seminários políticos na Suíça, Zâmbia e nos Estados Unidos.
“Depois de 15 Anos de Idade, dediquei toda a minha vida à libertação do povo. Convivi com ele nas matas e, durante treze anos, percorri mais de oitenta países do mundo para defender a sua causa”.
Em 1963, perseguido pela PIDE, junta–se aos guerrilheiros no Norte de Angola e com eles segue para a República Democrática do Congo, onde frequenta com sucesso o Institut National D’Études Polítiques.

Meses depois de Angola ter assinado, em Dezembro de 1988, em Nova Iorque, o acordo tripartido com a África do Sul e Cuba que definiu os termos da saída do território angolano das tropas cubanas e da independência da Namíbia, enviados do Governo começaram a contactar membros da oposição angolana exilada nos Estados Unidos da América, dentro de uma estratégia de reconciliação nacional.
Assim, no início de 1989, realizou-se na residência protocolar de Angola em Goose Lake, nos arredores de Nova Iorque, um encontro que marcaria um passo importante na aproximação entre o Governo e o grupo de dissidentes da FNLA liderado por Paulo Tuba. Uma delegação angolana, que incluía, entre outros, o ministro das Relações Exteriores, Pedro de Castro Van-Dúnem «Loy», o vice-ministro da Justiça, António França Van-Dúnem, Paulino Pinto João, responsável do Departamento de Informação e Propaganda do MPLA, reunia-se no maior sigilo com Paulo Tuba e Hendrick Vaal Neto. Um outro dissidente da FNLA que já regressara para Angola, Johnny Pinock Eduardo, que também fora integrado na delegação oficial angolana, facilitou os contactos preliminares entre as partes.
As discussões, centradas à volta dos esforços para a reconciliação nacional, produziram resultados promissores no primeiro dia, razão pela qual Francisco da Cruz «Xico Zé» foi chamado pelo grupo para participar dos trabalhos no dia seguinte. Contactos preliminares já tinham tido lugar antes em Bruxelas, entre Paulo Tuba e um enviado do Governo angolano, num processo a que também estava ligado Daniel Chipenda, embaixador de Angola no Egipto e antigo secretário-geral da FNLA, que voltara a integrar o MPLA depois de anos de dissidência com o partido dos camaradas. Porém, apesar da boa vontade manifestada pelas partes, a reunião não produziu os resultados esperados e o grupo de opositores afastou-se animado do grande sentimento de desconfiança que ainda nutriam pelo Governo.
O recém-chegado representante de Angola junto das Nações Unidas, Manuel Pedro Pacavira, viu que mesmo assim já se tinham registado progressos suficientes para procurar uma nova oportunidade de diálogo e relançar o processo. Depois de contactos vários, que incluíram a sua deslocação a casa de alguns deles para convencê-los dos propósitos de reconciliação nacional que animavam o Governo, Pedro Pacavira consegui convencer o grupo a aceitar um novo encontro.
Poucos dias depois chegava a Nova Iorque uma delegação chefiada por Ruth Neto, secretária-geral da Oma e membro da direcção do MPLA e que inclui também Coelho da Cruz, responsável da Liga Angolana de Amizade e Solidariedade dos Povos (Laasp), Eufrazina Maiato e Carolina Cerqueira. Ao trio inicial, justou-se então Moisés João Gaspar «Kamabaya», vindo expressamente do longínquo estado do Arizona para fazer partes das discussões. Mais uma vez Goose Lake foi o palco desta nova reunião que ajudou a «limar as arestas» e criar uma dinâmica no processo. Estabelecidas as bases mínimas de entendimento, as coisas passaram a evoluir rapidamente. Assim é que algumas semanas depois Paulo Tuba e Moisés Kamabaya faziam um regresso «histórico» ao país depois de 14 anos de exílio. Posteriormente seria a vez de Hendrick Vaal Neto.
Entretanto outros angolanos que tinham ocupado funções de direcção na FNLA foram-se associando ao processo, nomeadamente Eduardo Augusto Kâmbwa, António Miguel Baia, Mateus Ferreira dos Santos e Baltazar Manuel.
Em 1990, depois de uma reunião com o embaixador itinerante Miguel Neto expressamente enviado de Luanda para o efeito, Paulo Tuba e Moisés Kamabaya foram integrados nas companhias de consultores que prestavam serviço de «lobby» ao Governo angolano em Washington, enquanto que Francisco da Cruz passou a integrar o quadro do pessoal diplomático da Missão de Angola junto das Nações Unidas. A sua responsabilidade fundamental era assistir o Governo na mobilização de apoios políticos e diplomáticos, nomeadamente junto dos meios afro-americanos e democratas, para contrapor a influência e a audiência que a UNITA granjeara nos Estados Unidos da América ao longo dos anos.
Com o advento do multipartidarismo em 1990, o grupo teve de tomar uma decisão se permanecia como uma dissidência da FNLA, criava um novo partido ou integrava o MPLA. Prevaleceu a última opção depois de aturadas discussões.
Assim, uma delegação integrada por Paulo Tuba, Hendrick Vaal Neto, Mateus Ferreira dos Santos e Francisco da Cruz deslocou-se a Luanda para o efeito, tendo estes sido admitidos formalmente como membros do MPLA numa reunião com o Bureau Político realizada no Futungo de Belas e dirigida por Julião Mateus Pedro «Dino Matross». Quando a imprensa noticiou o facto, o grupo foi criticado por muitos na altura, que viam o MPLA um partido em franca decadência e cujo fim político estava próximo com o advento da liberalização do regime e eventuais eleições em que a Unita e outros partidos seriam chamados a participar.
No congresso do MPLA de Dezembro de 1990, Paulo Tuba é eleito membro do Comité Central. Meses depois, no congresso extraordinário animado pelo movimento da «Grande Família do MPLA», Hendrick Vaal Neto, Moisés Kamabaya e Baltazar Manuel são também admitidos no Comité Central. Francisco da Cruz é o grande ausente, eliminado na fase final de selecção, não obstante os esforços de Mendes de Carvalho «Uanhenga Xitu», que considera uma injustiça não reconhecer a contribuição do mais jovem membro do grupo.
Regressado definitivamente ao país, Hendrick Vaal Neto passa a dirigir a então recém criada empresa de comunicação e marketing político, Orion, enquanto que Baltazar Manuel é nomeado vice-governador do Huambo. Entretanto com a realização das eleições multipartidárias em Setembro de 1992 e a vitória do MPLA, Marcolino Moco assume as funções de primeiro-ministro e nomeia Hendrick Vaal Neto para o cargo de vice-ministro da Comunicação Social e posteriormente passa a ministro. Paulo Tuba e Moisés Kamabaya são eleitos deputados à Assembleia Nacional e Baltazar Manuel acaba por ser nomeado governador do Huambo, em substituição de Graciano Mande.

A Orion é uma sociedade entre a GEFI (70%), o anterior ministro da Comunicação Social (1992-2005) e actual embaixador no Egipto, Hendrick Vaal Neto, que detém 11% das acções, a ministra do Planeamento, Ana Dias Lourenço (5%), e outras figuras do MPLA subscrevem os restantes 14% da sociedade.
Desde 1992, a Orion tem sido o pivô da propaganda oficial do governo e do MPLA. Esta empresa serve de fronte, providencia as instalações e assistência à empresa brasileira M’Link, de Sérgio Guerra, que concebe, produz e cuida da divulgação da propaganda do governo e do MPLA, com destaque, para a comunicação social.
Nos últimos 10 anos, o Ministério da Comunicação Social tem pago anualmente cerca de 24 milhões de dólares à M’Link, pelos serviços de propaganda prestados ao governo e ao MPLA, sem distinção das encomendas. Esse acordo foi assinado por Hendrick Vaal Neto que, assim, passou a ser também um beneficiário directo dos lucros da empreitada, em contravenção à Lei dos Crimes Cometidos por Titulares de Cargos Públicos, que proíbe o governante de beneficiar das funções e contratos com o Estado, para proveito próprio.
Por sua vez, a M’Link tem como sócio-gerente o jornalista e deputado Luís Domingos, do MPLA, que reparte 10% das quotas com Francisca Pacavira. Durante vários anos, o jornalista apresentou, na TPA, o programa de propaganda semanal “Angola em Movimento”, produzido pela referida empresa, em nome da Orion. A Lei Constitucional (Artigo 82°, 1, c) determina, como incompatível o mandato de deputado com o exercício do cargo de sócio-gerente de sociedades privadas. O deputado não declarou incompatibilidade e continua a exercer ambas as funções com o beneplácito da direcção do MPLA.

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