Fonte: Club-k.net
Cada vez mais interessado pela política
De acordo com uma documentação que o Club-k.net teve acesso, os mentores do projecto pretendem ajudar o continente negro na “construção de uma plataforma para as instituições, apoiar investidores, académicos e outras pessoas, que se projeta para deter o objectivo do desenvolvimento sustentável e a prosperidade em África” a promoção de processos e procedimentos “transparentes no sector público e iniciativas que ajudam a parar a corrupção no sector privado e público”.
Esta instituição inicialmente constituída por nove membros ao qual inclui os auditores é composta por dois órgãos internos, o conselho de administração e o de curadores. José Filomeno dos Santos e Jean-Claude de Morais Bastos (naturalizado suíço) são apresentados como dois cidadãos angolanos admitidos como membros do Conselho de Curadores.
Um dado despertante é que três personalidades que integram esta fundação estão também ligadas ao Banco Quantum em Angola que tem como membros do conselho de administração, Ernst Welteke (Presidente), José Filomeno dos Santos e Jean-Claude de Morais Bastos. Sendo um banco com produtos essencialmente vocacionados para as áreas de Investment Banking e Private Banking há razão de associá-lo as inspirações que levaram a criação de uma fundação destinada a inovação de certos sectores em África.
O ingresso de José Filomeno dos Santos num projecto europeu voltado para África denota o seu interesse pela causa do continente e por outro lado pode alimentar a argumentação de analistas que o descrevem como alguém que esteja a ser moldado para desafios de “dimensão patriótica”. Há indicadores que aponta que “Zenu” não é uma figura distante dos assuntos políticos. Em Setembro de 2008, foi visto num dos comícios do MPLA. É citado como estando por dentro dos assuntos a nível do gabinete do seu progenitor. Em Fevereiro de 2009, o seu pai , José Eduardo dos Santos cumpriu visita de estado a Berlim, e o sócio de Zenu, Ernst Welteke fez parte do fórum de negócios Angola- Alemanha realizado na capital daquele país.
José Filomeno dos Santos "Zenu" formou-se em Londres, em engenharia eletrônica. Antes esteve na Suíça, país onde esta sedeada a fundação de que é membro. Quando regressou do exterior após a missão estudantil ingressou na Sonangol. Presentemente dedica-se no sector privado concretamente no ramo imobiliário, é Vice Presidente do Banco Quantu e agora esta na filantropia com a sua entrada na fundação para inovação de África.
O que fazem os bajuladores do regime que todos os dias pioram a imagem de Angola no exterior
Por William Tonet
No meio da obesa euforia pseudo-patriótica, com designações do tipo, «Angola, uma das maiores economias de África e uma das mais dinâmicas do mundo», o que dá, na nossa impotência de cidadãos sem armas, uma intensa vontade de rir para não chorar perante a miséria dos mais de doze milhões de angolanos, constatamos que por seu lado, no estrangeiro, a “alta hierarquia” do país, essencialmente família próxima do presidente ou seus amigos de confiança, continuam a denegrir a sua imagem sem se darem conta disso.
Este artigo mostra como «José Filomeno de Sousa dos Santos, o filho de José Eduardo dos Santos, o presidente-ditador angolano, líder de um dos Estados mais corrompidos do mundo, segundo a classificação da organização Transparency International», depois de ter subscrito um contrato na Suíça, numa tentativa de salvaguardar o bom nome de Angola, apenas um dos seus quatro parágrafos foi cumprido. Os outros três , segundo os suíços, foram...esquecidos.
Pasmo no Parlamento Suíço
Francine John-Calame, conselheira nacional (Verdes/NE) e membro da Comissão de política exterior, qualifica esta presença de “muito perniciosa”. Afirmou à TSR ser sua intenção pedir esclarecimentos ao Departamento federal dos Negócios Estrangeiros (DFAE)
Contactado por telefone, Toni Frish, o número 2 da DDC, disse que nunca tinha ouvido falar dessa fundação instalada em Zurique. Quanto ao DFAE, esse recusa expressar a sua opinião sobre o assunto.
O filho de Dos Santo assistiu em Zurique ao primeiro comité executivo da Fundação no passado dia 8 de Junho, ao lado de Walter Fust. Contactado por telefone, o professor suíço Ernst Brugger, que preside a Fundação, explicou que três temas foram discutidos nessa reunião: um projecto para a educação de crianças, a elaboração de uma lei anti-branqueamento de dinheiro em Angola e uma eventual cooperação entre grandes escolas suíças e universidades angolanas.
A dada altura, especificou que a Fundação nasceu por iniciativa do filho de Dos Santos e de Jean-Claude Morais de Bastos, um angolano naturalizado suíço e domiciliado no Tessin. Juntos, estes dois homens dirigem o banco Quantum, um banco de investimentos fundado em 2007. Com 33 anos, José Filomeno de Sousa dos Santos é apresentado pela imprensa angolana como sendo o favorito à sucessão do seu pai. O herdeiro de Dos Santos tem interesses no imobiliário e na banca.
Suíça-Angola : acordo assinado em 2005
As relações que existem doravante entre o filho do presidente angolano com Walter Fust conjugam-se com uma outra história, a dum acordo assinado entre a Suíça e Angola em Novembro de 2005 para a restituição de 21 milhões de francos suíços bloqueados no quadro de um inquérito sobre corrupção. Ora, Walter Fust foi o homem chave deste acordo de restituição, denunciado como opaco por algumas ONG’s, dentre as quais a Declaração de Berna.
Esse programa social e humanitário Angola-Suíça (PSH) prevê que o dinheiro restituído sirva para financiar projectos de desenvolvimento e de desminagem sob tutela da DDC. Em 2008, o Hebdo tinha revelado que a sociedade suíça de armamento de Estado, RUAG, tinha obtido um contrato, hoje realizado por um montante de 12 milhões de dólares, para a prevista desminagem, sem ter que passar apelo de ofertas. Por outro lado, a vertente consagrada à construção de escolas e à formação agrícola (12 milhões) ainda nem sequer começou.
A resposta de Walter Fust
Quanto a Walter Fust, esse, responde por escrito o seguinte: «Ofereço o meu saber em matéria de desenvolvimento em outras fundações. Sou uma entidade privada e tenho o direito de participar nos trabalhos de fundações, só espero que nem vos passe pela cabeça que eu não examinei com o máximo rigor a minha participação. Examinei o pedido que me foi feito com o presidente (de Angola) e com os fundadores da Fundação e, depois de ter recebido todas as informações, decidi participar porque creio poder trazer uma mais-valia graças ao meu conhecimento em matéria de desenvolvimento».
William Tonet
Jornal Folha8

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