Companheiro Z,
obrigado pelas primeiras noticias que me enviaste depois de teres partido para a implementação da acção. Até agora estás a sair-te muito bem. Por conhecer bem os hábitos de vida que tinhas cá, que já são antigos, confesso que tinha algumas reservas sobre a tua capacidade para aguentares a situação de clausura em que estás a operar. Quanto ao resto não tinha duvida alguma por conhecer a tua longa experiência de acção com as comunidades suburbanas de Luanda.
Realmente o companheiro A.2 tem-me enviado informações sobre a tua situação e o desenvolvimento da acção. Mas são informações muito resumidas devido à necessidade de não corrermos o risco de algum elemento importante constante nessa troca de informação poder ser interceptado por agentes dos SS da Ditadura.
A "tua" presença na rede cibernética, especialmente no Facebook - "a partir de cá" - está realmente a ter o efeito desejado mas, considera, estás sob suspeita. Ainda ontem a "nossa amiga "jornalista" que, como sabemos tem uma ligação com os agentes dos SS do Ditadura, almoçou comigo e referiu-se a ti. Disse-me que gostava de falar contigo. Sugeri-lhe que ligasse para o teu telemóvel tuga - que está a funcionar em roaming. Ela disse-me que o que tem para falar contigo não pode ser dito por telefone. Muito provavelmente quererá só apurar se estás mesmo cá ou não. Os da SS, certamente, querem descobrir quem é o companheiro Z. Perguntou-me onde moras em Lisboa e eu disse-lhe que te tens alojado em duas pensões de Lisboa. Disse-lhe também que estás de férias, viajando pelo Algarve, que logo que voltes, no fim do verão, lhe comunicarei que estás de volta para que ela mesmo te convide para um encontro.
O ideal seria poderes vir cá para apareceres em publico durante alguns dias. Isso reforçaria a percepção da tua "presença" em Lisboa. Aliás, com esse fim já estou a preparar as coisas para que possas vir cá por uma semana de dois em dois meses. Isso se nenhum aspecto da segurança da acção obstar a essas deslocações. Vou propor isso aos companheiros do...
Conforme me informas-te no teu mail suponho que neste momento estejas no apartamento do companheiro A.2. Ele está sozinho ou mana dele está com ele? Ela é de absoluta confiança política e nunca leva amigos e amigas para o apartamento. É daquelas cuja vida é casa-trabalho-casa, nem à igreja vai. Vais pelo menos ter uma boa alimentação e uma cama mais confortável...
Os fundos recolhidos junto da comunidade angolana em Lisboa, na França, Holanda e no Brasil já estão na minha conta bancária, superam o montante que prevíamos. O pessoal está mesmo cansado com o regime e quer vê-lo pelas costas com urgência, inclusive alguns que hoje são o que são à custa do regime. Espero orientações pelo tal "pombo correio" que referes no teu mail para que possa proceder à remessa desses fundos o mais rapidamente possível.
Lembro-te o importantíssimo objectivo de desenvolvimento da rede de que falamos aqui antes de teres partido. Logo que comeces a operar desde a nova base da Coordenação Central da Acção no musseque, deves a orientar-te para a reprodução da tua função por pelo menos cinco pares dos melhores lideres comunitários da "igreja". Chamemos-lhes a tua primeira geração - os "teus filhos". Depois eles também deverão operar de forma a reproduzir-se noutros pares/lideres pólos da rede, serão a segunda geração - os teus "netos". Essa reprodução será parte essencial do código genético da rede.
Devemos conseguir fazer com que em doze meses a geração/acção que iniciaste seja multiplicada até à quarta geração de pares/lideres de pólos comunitários da rede - os triz netos da geração/acção iniciada por ti nos terrenos das comunidades suburbanas . Essa terceira geração já emergirá do povo,e será a que vai garantir a sobrevivência e operação da rede, sejam quais forem as circunstancias que se venham a verificar. Se depois dessa reprodução acontece alguma coisa que interrompa a tua operação estará garantida a continuidade da acção sem termos que repetir tudo novamente.
Nenhuma acção dos agentes da SS da Ditadura conseguirá destruir a rede se esse desenvolvimento for realizado tendo como elemento chave/central a autonomia de cada pólo de liderança comunitária e uma coordenação feita, em vez de pelo contacto pessoal, através de comunicação aberta e ou combinada com comunicação codificada para a acção transmitida por via das ciber redes sociais.
A ideia é a de, já a curto prazo, os pólos/lideres comunitários em que te reproduzires assumam as tuas funções actuais e a rede possa passar a emergir das próprias comunidades por sua vez multiplicando-a numa miríada de nós/núcleos da rede. Isso, sabemos bem, só será conseguido quando a rede for também fonte de recursos de sobrevivência dos seus activistas. Quando a rede tiver alcançado esse desenvolvimento tu enquanto membro do... ficarás apenas com a função de coordenação/orientação política da rede.
Chegados a esse ponto de desenvolvimento da rede os teus contactos serão reduzidos ao essencial: a orientação política eficaz e segura da acção até ao alcance da meta que nos propusemos.
Gostaria que nas tuas próximas comunicações me escrevesses sobre a forma como colocas a nossa meta social e política e a forma de a alcançarmos, de como essa colocação está a ser recebida e a ser elaborada pelos lideres dos primeiros pólos comunitários da acção. Enfim estou preocupado em saber desde agora como é que, em função dos seus discursos, a meta da acção será comunicada à sociedade.
Companheiro Z, conforme definimos continuemos a operar em silêncio até que a rede esteja suficientemente instalada e capacitada para a acção. Temos vindo a acompanhar situações que nos convocam à intervenção imediata e directa mas, por enquanto, devemos conter-nos.
Esperando noticias, aceita um abraço, com afecto
A.1
obrigado pelas primeiras noticias que me enviaste depois de teres partido para a implementação da acção. Até agora estás a sair-te muito bem. Por conhecer bem os hábitos de vida que tinhas cá, que já são antigos, confesso que tinha algumas reservas sobre a tua capacidade para aguentares a situação de clausura em que estás a operar. Quanto ao resto não tinha duvida alguma por conhecer a tua longa experiência de acção com as comunidades suburbanas de Luanda.
Realmente o companheiro A.2 tem-me enviado informações sobre a tua situação e o desenvolvimento da acção. Mas são informações muito resumidas devido à necessidade de não corrermos o risco de algum elemento importante constante nessa troca de informação poder ser interceptado por agentes dos SS da Ditadura.
A "tua" presença na rede cibernética, especialmente no Facebook - "a partir de cá" - está realmente a ter o efeito desejado mas, considera, estás sob suspeita. Ainda ontem a "nossa amiga "jornalista" que, como sabemos tem uma ligação com os agentes dos SS do Ditadura, almoçou comigo e referiu-se a ti. Disse-me que gostava de falar contigo. Sugeri-lhe que ligasse para o teu telemóvel tuga - que está a funcionar em roaming. Ela disse-me que o que tem para falar contigo não pode ser dito por telefone. Muito provavelmente quererá só apurar se estás mesmo cá ou não. Os da SS, certamente, querem descobrir quem é o companheiro Z. Perguntou-me onde moras em Lisboa e eu disse-lhe que te tens alojado em duas pensões de Lisboa. Disse-lhe também que estás de férias, viajando pelo Algarve, que logo que voltes, no fim do verão, lhe comunicarei que estás de volta para que ela mesmo te convide para um encontro.
O ideal seria poderes vir cá para apareceres em publico durante alguns dias. Isso reforçaria a percepção da tua "presença" em Lisboa. Aliás, com esse fim já estou a preparar as coisas para que possas vir cá por uma semana de dois em dois meses. Isso se nenhum aspecto da segurança da acção obstar a essas deslocações. Vou propor isso aos companheiros do...
Conforme me informas-te no teu mail suponho que neste momento estejas no apartamento do companheiro A.2. Ele está sozinho ou mana dele está com ele? Ela é de absoluta confiança política e nunca leva amigos e amigas para o apartamento. É daquelas cuja vida é casa-trabalho-casa, nem à igreja vai. Vais pelo menos ter uma boa alimentação e uma cama mais confortável...
Os fundos recolhidos junto da comunidade angolana em Lisboa, na França, Holanda e no Brasil já estão na minha conta bancária, superam o montante que prevíamos. O pessoal está mesmo cansado com o regime e quer vê-lo pelas costas com urgência, inclusive alguns que hoje são o que são à custa do regime. Espero orientações pelo tal "pombo correio" que referes no teu mail para que possa proceder à remessa desses fundos o mais rapidamente possível.
Lembro-te o importantíssimo objectivo de desenvolvimento da rede de que falamos aqui antes de teres partido. Logo que comeces a operar desde a nova base da Coordenação Central da Acção no musseque, deves a orientar-te para a reprodução da tua função por pelo menos cinco pares dos melhores lideres comunitários da "igreja". Chamemos-lhes a tua primeira geração - os "teus filhos". Depois eles também deverão operar de forma a reproduzir-se noutros pares/lideres pólos da rede, serão a segunda geração - os teus "netos". Essa reprodução será parte essencial do código genético da rede.
Devemos conseguir fazer com que em doze meses a geração/acção que iniciaste seja multiplicada até à quarta geração de pares/lideres de pólos comunitários da rede - os triz netos da geração/acção iniciada por ti nos terrenos das comunidades suburbanas . Essa terceira geração já emergirá do povo,e será a que vai garantir a sobrevivência e operação da rede, sejam quais forem as circunstancias que se venham a verificar. Se depois dessa reprodução acontece alguma coisa que interrompa a tua operação estará garantida a continuidade da acção sem termos que repetir tudo novamente.
Nenhuma acção dos agentes da SS da Ditadura conseguirá destruir a rede se esse desenvolvimento for realizado tendo como elemento chave/central a autonomia de cada pólo de liderança comunitária e uma coordenação feita, em vez de pelo contacto pessoal, através de comunicação aberta e ou combinada com comunicação codificada para a acção transmitida por via das ciber redes sociais.
A ideia é a de, já a curto prazo, os pólos/lideres comunitários em que te reproduzires assumam as tuas funções actuais e a rede possa passar a emergir das próprias comunidades por sua vez multiplicando-a numa miríada de nós/núcleos da rede. Isso, sabemos bem, só será conseguido quando a rede for também fonte de recursos de sobrevivência dos seus activistas. Quando a rede tiver alcançado esse desenvolvimento tu enquanto membro do... ficarás apenas com a função de coordenação/orientação política da rede.
Chegados a esse ponto de desenvolvimento da rede os teus contactos serão reduzidos ao essencial: a orientação política eficaz e segura da acção até ao alcance da meta que nos propusemos.
Gostaria que nas tuas próximas comunicações me escrevesses sobre a forma como colocas a nossa meta social e política e a forma de a alcançarmos, de como essa colocação está a ser recebida e a ser elaborada pelos lideres dos primeiros pólos comunitários da acção. Enfim estou preocupado em saber desde agora como é que, em função dos seus discursos, a meta da acção será comunicada à sociedade.
Companheiro Z, conforme definimos continuemos a operar em silêncio até que a rede esteja suficientemente instalada e capacitada para a acção. Temos vindo a acompanhar situações que nos convocam à intervenção imediata e directa mas, por enquanto, devemos conter-nos.
Esperando noticias, aceita um abraço, com afecto
A.1


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