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6 de abr. de 2011

Portrait Of Angolan Leaders Fernando Garcia Miala

Ex-General Miala

General Miala
É um dos homens mais secretos e também um dos mais fieis servidores do PR, falar de Miala é como falar do "elefante branco", por isso decidimos expor aqui no pinksblog esboços de artigos de jornais sobre o General Miala e sobre o caso Miala, uma das fases mais importantes para o futuro polico-militar de Angola, pois qualquer que seja o futuro que nos aguarda... a queda o General Miala foi a primeira peça de "puzzle" que poderà culminar numa verdadeira guerra de trincheiras para a sucessão de José Eduardo dos Santos. 


05/12/2004 –
O General Miala dá lições de como bem gerir fundos públicos

Uma semana depois de ter feito revelações bombásticas ao Jornal de Angola, segundo as quais, seitas religiosas de cariz fundamentalista já tentaram recrutar entre nós ex-soldados especializados em engenharia militar para transformá-los em terroristas suicidas, o General Fernando Garcia Miala (na foto), chefe dos Serviços de Inteligência Externa de Angola, surge uma vez mais na ribalta agora com lições de como bem gerir os fundos públicos.
Citado este sábado pelo Semanário Angolense, na secção “Altos”, o tablóide diz que o ministro da Defesa ficou encantado com o que viu no Huambo. O motivo do compreensível encanto, segundo a fonte, não foi a qualidade do que viu, mas os números. Kundi Paihama ficou surpreendido com os custos da reabilitação da sede dos Serviços de Informação (Sinfo) e da respectiva casa de passagem.
Pelas duas obras, um edifício de três pisos e uma vivenda, os cofres Públicos largaram pouco mais de 400 mil dólares. Na verdade, escreve o Jornal, estamos em presença de custos que já estão fora de moda, num país em que até a construção de uma escola de adobe pode custar 1 milhão de dólares.

Para o articulista do Semanário Angolense, Kundi Paihama teve sobejos motivos para festejar. “Os preços praticados pelas empreiteiras sugere duas coisas: ou não correram absurdas comissões por baixo da mesa ou os empreiteiros tiveram medo. Afinal, as duas obras foram encomendadas pelos Serviços Secretos e o seu interlocutor pode muito bem ter sido o respeitado (e também temido) General Miala.  Apesar dos novos tempos, muita gente ainda se põe de sentido à passagem do mais poderoso de todas as secretas angolanas e que doravante os Serviços Secretos e, especialmente, o General Miala estejam presentes nos momentos em que se negociarem as empreitadas que visam a reabilitação das principais infra-estruturas do país.

É que num país em que a sobre-facturação dos preços das obras públicas transformou-se numa verdadeira cultura torna-se difícil acreditar que ainda tenhamos empreiteiros honestos. Como pode ter acontecido no Huambo. Mas como o seguro morreu de velho, é melhor não arriscar. É preferível colar sempre o General Miala aos calcanhares das entidades que negociam os maiores contratos deste país. Pelo menos os «comissionista» ficam de alguma forma inibidos… Na verdade, quem ousaria costurar um arranjo na presença do «Brigas»?”, concluiu o articulista.
Lembramos, que na entrevista que concedeu em exclusivo ao único diário do país, Fernando Garcia Miala, confessou não ter a obsessão da perseguição embora tome os seus cuidados.
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01-04-2006 – Angop – Concluída sindicância ao Serviço de Inteligência Externa


Luanda – Os Serviços de Apoio ao Presidente da República tornam público que a Comissão de Sindicância ao Serviço de Inteligência Externa (SIE), criada por Despacho Presidencial de 27 de Fevereiro de 2006 e encarregue de averiguar sobre a funcionalidade e disciplina desta instituição, face as denúncias de violações cometidas pelos membros da sua direcção, concluiu o seu trabalho, tendo apresentado os seus resultados à superior consideração do Chefe de Estado e Comandante-em-Chefe das FAA, José Eduardo dos Santos.
A Comissão de Sindicância constatou a existência de “graves violações às normas de trabalho e disciplina no Serviço de Inteligência Externa pelos membros da sua direcção” que consistiram na inobservância da Lei e das orientações funcionais reitoras da organização e funcionamento do SIE, mormente a Lei nº 12/02, de 16 de Agosto (Lei de Segurança Nacional) e o Decreto-Lei nº 13/02, de 6 de Dezembro (Estatuto Orgánico do Serviço de Inteligência Externa), bem como as orientações funcionais do Presidente da República. #
As graves violações às normas de trabalho e disciplina no Serviço de Inteligência Externa, consubstanciaram-seno seguinte:
- A não submissão pelo SIE dos seus documentos reitores de planeamento e de funcionamento referentes ao ano 2005/06, bem como dos seus documentos operativos à aprovação do Presidente da República;

- A manutenção pelo SIE de um ordenamento organizativo e funcional também de âmbito interno, fazendosobreposição de funções atribuídas aos outros serviços que integram o Sistema Nacional de Segurança e usurpando as competências do Presidente da República em matéria de direcção dos Serviços;

- A Criação e a manutenção pelo SIE de estruturas operativas junto de várias instituições nacionais no interior do país, estranhas à sua esfera de jurisdição;
- A realização pelo SIE de expedientes operativos (de investigação secreta), sem competência legal, sem razão funcional e sem orientação superior e cobertura jurídico-legal, contra determinados membros do governoe dos Serviços de Apoio ao Presidente da República;

- A realização pelo SIE de expedientes operativos (de investigação secreta), contra determinadas actividadesdo Governo de carácter estratégico;

- A intromissão pelo SIE nas missões e actividades da Segurança Presidencial sem orientação superior;

- A aquisição pelo SIE no seu processo de apetrechamento técnico-material, de determinado equipamento de inteligência sem a devida autorização superior do Presidente da República;

- A prática pelo SIE, de gestão irregular de recursos e de incorrecta movimentação de quadros, usurpando as competências do Presidente da República em matéria de nomeação e exoneração dos Directores do Serviço;

- A criação e a manutenção pelo SIE de órgãos não operativos alheios à missão e vocação do serviço,usando para o efeito recursos humanos e materiais não cabimentados e não autorizados superiormente, bem como o financiamento de actividades de natureza social, cultural e a manutenção de relações promíscuas com determinados órgãos e membros da comunicação social;

- A recusa pelo General Fernando Garcia Miala, enquanto director geral do SIE, em adoptar os documentosreitores do SIE conforme o estabelecido na Lei e em acatar as orientações superiores do Presidente da República,tendo, deste modo, obstaculizado a reestruturação do SIE e, subsequentemente, conduzido o funcionamento doServiço à margem do Presidente da República e dos demais órgãos afins do poder político, no que foi seguido pelos seus colaboradores mais directos, designadamente o coronel Miguel Francisco André, director geral adjunto do SIE, o senhor Constantino Vitiaca, director de Informação e Análise, a tenente-coronel Maria da Conceição Domingas, directora de Contra-Inteligência Externa e o tenente-coronel Ferraz António, director de Estudos e Planeamento;

- O aproveitamento pelo general Fernando Garcia Miala, enquanto director geral do SIE, e pelos seus colaboradores atrás designados, no desempenho das suas funções, de determinadas reuniões internas e encontros pessoais para a manifestação de atitudes de desrespeito ao Presidente da República e de insubordinação, chegando ao ponto de alvitrarem a hipótese de tomada de “medidas activas”;

- A prática pelo general Fernando Garcia Miala, enquanto director geral do SIE e pelos colaboradores acima referidos, no desempenho das suas funções, de graves incumprimentos relativamente ao disposto na Lei e nas orientações funcionais superiores, que puseram em causa a preservação e a salvaguarda dos valores fundamentais do SIE, tais como a missão, a hierarquia, a coesão, a segurança e os princípios éticos de virtude e de honra inerentes à sua condição de membros do SIE e da comunidade de inteligência, assimcomo a qualidade militar de alguns dos implicados, comprometendo o regular funcionamento, o bom nome e a imagem do SIE.

Nesta conformidade, e tendo em conta a gravidade dos factos acima enumerados, o Presidente da República e Comandante-em-Chefe das FAA, nos termos das competências que a Lei lhe confere, decidiu tomar as seguintes medidas:

- A normalização do Serviço de Inteligência Externa tendo nomeado para o efeito uma nova direcção do Serviço e reiterado, nos termos da Lei, a orientação para a adequação do SIE à sua natureza e missão, conforme o seu papel e lugar no Sistema Nacional de Segurança;

- A exoneração dos seus cargos, do coronel Miguel Francisco André, director geral adjunto do SIE,do senhor Constantino Vitiaca, director de Informação e Análise, da tenente-coronel Maria da Conceição Domingas, directora de Contra Inteligência Externa e do tenente-coronel Ferraz António, director de Estudos e Planeamento;

- O regresso às FAA do general Fernando Garcia Miala na sequência da sua exoneração e consequenteafastamento do SIE e, subsequentemente, a sua desgraduação ao grau militar de tenente-general e a sua passagem compulsiva à situação de reforma nas FAA;
- O regresso às FAA do coronel Miguel Francisco André, na sequência da sua exoneração e consequenteafastamento do SIE e, subsequentemente, a sua desgraduação ao grau militar de tenente-coronel e a sua passagem compulsiva à situação de reforma nas FAA;
- O regresso às FAA da tenente-coronel Maria da Conceição Domingas, na sequência da sua exoneraçãoe consequente afastamento do SIE e, subsequentemente, a sua passagem compulsiva à situação de reforma nas FAA;
- O regresso às FAA do tenente-coronel Ferraz António, na sequência da sua exoneração e consequenteafastamento do SIE e, subsequentemente, a sua passagem compulsiva à situação de reforma;
- A aplicação, a seu tempo, de outras medidas de carácter jurídico-legal, contra os responsáveis e autores das irregularidades constatadas.
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Semanário Angolense – Os verdadeiros crimes do General Miala
Por Anastácio Ndunduma


Neste artigo, e num exercício de leitura dos sinais dos tempos, passamos em revista o que nos parecem ser os verdadeiros crimes do general Miala nas vertentes política, económica e social, e pelos quais na verdade está a ser – ou procura-se que seja – julgado e à partida condenado.

Mas vamos desde logo avisando que desses crimes ninguém falará explicitamente. Ainda podemos até ser zurzidos, e não seria a primeira vez, por atrevimento a trazê-los à ribalta. Neste exercício, cumpre-se dizer que não foram utilizadas quaisquer fontes, anónimas ou explícitas. Usamos as informações que circularam e circulam à vista de todos, dando-lhes, entretanto, um outro enquadramento, naquilo que consideramos um serviço público na ajuda da interpretação dos factos que se entrecruzam à volta do já considerado julgamento do ano.

Primeiro Crime

Um intruso:

“Meu nome é Fernando Garcia Miala, nascido em Luanda e moro no Bairro Azul” – disse o homem em tribunal. Mas o que o subconsciente de todos os presentes registou, a começar pelos juízes, foi que não é de um Van-Dúnem, Vieira Dias, Feijó, Santos, e arredores que se trata. É um simples Miala, nascido em Luanda – menos mal – e que até mora no Bairro Azul. Primeiro crime. Esse pode ser considerado o número um dos crimes de que ninguém se atreve a falar, nas verdadeiramente pelos quais Fernando Miala está a ser julgado. Não sendo das ditas “famílias nobres” – termo atribuído ao próprio Presidente da República, segundo o brigadeiro Veríssimo citado pelo general Miala – atreveu-se não só a ocupar um lugar perto do Sol do establishment, como a beliscar, e de que maneira, peças e figuras importantes do poder.

Segundo Crime

A dimensão politica:

Politicamente, o general Miala começava a ter demasiado poder. Mesmo que delegado pelo Presidente da República, era tanto que ministros e assessores se punham em sentido perante alguém que, ao seu ver, não tinha legitimidade para tanto. Nem advindo das elites urbanas de Luanda, como é o caso dos Vieira Dias, Dias dos Santos, Fontes Pereira e Van-Dúnens, por exemplo. Nem da participação na luta de libertação como um Roberto de Almeida, Kundy Payhama, Paulo Jorge, Nvunda e outros. Muito menos tinha passado pelo crivo do Partido como um Pitra Neto ou Gigi Fontes Pereira, ou pelas batalhas com os sul-africanos como um N´dalu, Ndozi, João de Matos ou ainda Higino Carneiro, Nzumbi, para citar apenas estes. Miala era, tão-somente, um corredor de fora que, beneficiando do secretismo próprio do seu ofício, se tinha instalado no epicentro do poder. E graças ainda a esse secretismo, tal poder apenas podia ser controlado pelo próprio Presidente que tem, naturalmente, muitas outras coisas com que se ocupar. Assim, nunca ninguém sabia quando o general agia segundo ordens do Chefe ou por moto próprio.

Apoiando-se em técnicas de espionagem israelitas, Miala fintou o próprio Savimbi e a sua Brinde e, embalado pelo êxito, apanhou Toninho Van-Dúnem com a boca na botija e entregou-o de bandeja ao Chefe. Erro fatal: Toninho é primo do Chefe e seu maior “inimigo de estimação”, Hélder Vieira Dias “Kopelipa”. Num clã poderoso como este, ninguém toca num deles daquela maneira e ficam as coisas por isso mesmo…

A denúncia das engenharias financeiras de Toninho e a sua queda, levando por arrasto Carlos Feijó – outro “nobre”, e esse ainda por cima um “barra” – ameaçou quebrar o pacto de silêncio, cúmplice e tácito, criado a partir da famosa frase “Os camaradas estão organizados?” no longínquo ano de 1991. Pacto sobre o qual, hoje por hoje, repousa a estabilidade do próprio Estado. Que um estratega político com a experiência de JES sabe que não pode ser quebrado sob pena de o país sofrer uma implosão de consequências catastróficas. Assim, ao mesmo tempo que tomava as medidas pertinentes para castigar o menino imprudente apanhado com a mão no pote de marmelada (no caso o Toninho), JES tomava também nota mental que o denunciador – expert nas lides de segurança do Estado – não calculara que há coisas que é melhor ninguém querer saber. Hoje um, amanhã outro. Se as manigâncias dos membros do establishment passam a estar sob o crivo dos órgãos de inteligência, as coisas ficam muito complicadas. E vem a pergunta crucial: de quem terá partido a iniciativa de espiar Toninho? Do Chefe? E se foi esse o caso, seria para destapar carecas ou apenas para “Chinês” ver? Sobre quem mais terão sido feitos exercícios semelhantes? Estas e outras perguntas ainda levarão tempo até serem respondidas. Mas que foi um mau cálculo político da parte de Miala, lá isso foi, embora tenha valido o patriotismo e a coragem, que o cidadão comum aplaude…

Terceiro Crime

A dimensão social:

No contexto de lazarice geral (entenda-se miséria de Lázaro) em que a maioria dos angolanos está mergulhada, a assistência filantrópica é percebida como constituindo reserva política estratégica. Ao que a Fundações diz respeito, a FESA enfiou uma rasteira à Sagrada Esperança, agastando pesos pesados do calibre de Mendes de Carvalho e Roberto de Almeida, que ainda assim, permanecem de sentido. Pelas bandas do MPLA, vemos os ensaios de Bento Raimundo e a sua Ajapraz, do deputado Zé Maria e o seu “O Nosso Soba” (esse nome parece tão extravagante como o de algumas igrejas), enfim. E vai que aparece de um dia para o outro o projecto “Criança Futuro”, roubando protagonismo, as luzes da ribalta, a exposição mediática… e passando de esquebra uma censura quase explícita ao abandono a que o Governo vota(va) as nossas crianças! Se os objectivos da FESA são os que todos sabemos, os da Fundação Sagrada Esperança são a manutenção da imagem de Manguxi, o Nosso Soba e a Ajapraz são armas políticas do MPLA, quais seriam então os objectivos deste outro projecto? Luzes amarelas começaram a acender em muitas mentes com peso no país, a começar pela que mais conta. Ainda por cima em competição directa com a FESA e a sua filha Lwini…

E como se não bastasse, o projecto tomara de assalto a media estatal, montando uma campanha de marketing bastante agressiva, com figuras públicas dando o rosto e merecendo as parangonas dos jornais e páginas especiais nos noticiários nobres da Rádio e Televisão estatais. E desta vez, já havia a certeza que os autores da emboscada tanto procuravam: não se estava a cumprir ordens do Chefe coisa nenhuma, até porque ele mesmo, um especialista em inteligência, sabe melhor que ninguém que nestas lides o silêncio e a discrição valem ouro. Matutando do alto da sua sapiência profissional o porquê de tanto alarido e traquinice, só uma resposta teimava no horizonte analítico: transplantação do efeito Putin?

Só que aqui por estas bandas não existe um Ieltsin velho e caquéctico a precisar de substituição. Temos um homem com menos de setenta anos de veterania, trinta dos quais ao leme da Nação, precedidos de outros afazeres e na plenitude das suas faculdades. Leonino como é, o rugido e a competente sapatada só levaram o tempo necessário e certo. Órfãos ficaram os seus adeptos que já sonhavam com um futuro melhor…

Quarto Crime

Os dinheiros públicos…:

Em qualquer país do mundo existe um orçamento para as actividades dos serviços secretos. Que é isso mesmo: secreto. Normalmente é controlado por uma comissão do Parlamento, mas no nosso caso, e conhecendo o Parlamento que temos, é melhor esquecer. No nosso país, crê-se que este orçamento faz parte do famoso e igualmente misterioso “saco azul” directamente controlado pelo Presidente da República.
Ora, por inerência das suas funções, Miala geria uma boa fatia deste orçamento, senão mesmo todo. Note-se que pela natureza secreta das operações a que se destinava, dispensava os procedimentos de controlo contabilísticos habituais, como facturas concursos públicos, etc. O que significa dizer que o general tinha à sua disposição muito dinheiro que podia usar mais ou menos à sua discrição. Como ele foi usado, não será tão cedo que se saberá. Mas que as bocas do povo já chamaram os Toyota Prado com que jornalistas e figuras públicas (e algumas Luandas dois, e… catorzinhas) passaram a circular “Prados do Miala” – lá isso já chamaram. Que houve uma reunião no Palácio Presidencial da Cidade Alta em que o próprio Presidente reclamou dos gastos – verdade ou mentira – lá isso também ouvimos. Mas não se perca de vista que com esse dinheiro, o general executou também operações dignas de constar nos anais dos serviços de inteligência de qualquer país do Mundo, como as defecções de membros do clã Savimbi, de Bento Bembe da Holanda e outras que certamente não saberemos tão cedo. Detentor deste poder económico, o general – parece-nos – fez muitas coisas boas e menos boas. Porém, terá atraído sobre si muitas invejas. E diga-se em abono da verdade que não é normal em nenhuma parte do mundo os orçamentos destinados aos serviços secretos financiarem projectos… filantrópicos, mesmo para crianças claramente carentes.

À guisa de conclusão:

“Não sou Van-Dúnem nem Vieira Dias. Muito menos Dias dos Santos, Mingas ou Burity. Mesmo assim vivo por graça no Bairro Azul e reconheço ter atentado contra aqueles que se apertaram para me darem um espaço no inner circle do Poder”, deveria ser mais ou menos assim uma “confissão” completa de Fernando Garcia Miala, se estivesse a ser julgado pelos “crimes” que citámos acima. Mas não será. Ele está a ser julgado por não se ter apresentado a uma cerimónia inédita de desgraduação e ter-se apropriado de cerca de 30 mil dólares em… aparelhos de escuta telefónica. Não vá o Diabo tecê-las outra vez e um outro alguém ser apanhado com a boca no pote de mel.

Arroladas as provas relativas a estes “crimes”, faz de certa forma sentido a grande acusação que lhe foi feita, se bem que deve ser vista de uma outra forma: Miala não quis, e se calhar nunca lhe passou pela cabeça, atentar contra a pessoa ou a instituição da Presidência da República. Sem respaldo político, económico ou social, isso era simplesmente impensável. Mas atentou, isso sim, contra o poder do Chefe, eventualmente usando indevidamente a confiança que este depositava nele, para objectivos que não soube justificar. Como resultado, o Chefe ficou desiludido com ele e exonerou-o – até aqui nada de novo – e os inimigos acumulados ao longo dos anos de serviço aproveitam-se para atirar-se a ele que nem o burro da famosa fábula tentando escoicear o leão moribundo – e isso é que não está bem.

Emoções à parte, já começa a ficar cada vez mais claro que foi um erro crasso levar aquele homem a julgamento da forma como está ser feito. Por motivos históricos, os tribunais são pódios privilegiados para que aqueles que não têm voz possam dizer das suas verdades. Já se esqueceram de Fidel Castro e Nelson Mandela? Miala fala com um elevado sentido de Estado, mas vão saindo verdades – como essa do PR ver famílias mais nobres e menos nobres e dizer isso mesmo – que talvez estivessem melhor, protegidas por enquanto com o selo do segredo de Estado.

Porque não fazem sentido as acusações – para quê acusar um general de insubordinação e roubo de patacos quando sabemos que a haver crimes houve-os bem mais graves? – A imagem que passa é o de se pretender humilhar o homem. A mensagem que fica é que qualquer outro corredor de fora – entenda-se alguém que não faça parte das elites – que se atreva a faltar com o respeito às tais “famílias nobres” que alguns já dizem ser cem, apanha feio. Se for caso disso, inventam-se até cerimónias nunca antes vistas para pô-los no devido lugar. Convençam outro que se o general não fosse um Miala qualquer mas um das tais, teria que sujeitar-se a uma cerimónia de desgraduação que nem na guerra alguma vez se fez…

Em última análise, está-se a pôr em risco os altos interesses do Estado. Um homem com o manancial de informações que o general Miala possui deve ser protegido e preservado. Protegido para que estas informações não saiam do âmbito próprio, e preservado para que elas possam ainda estar ao serviço do Estado se necessário for. Deve-se levar ainda em conta que, no cumprimento das suas missões, terá feito certamente muitos inimigos e não é justo que agora seja deixado sozinho entregue à bicharada.
Resumindo: um homem que ocupou os cargos do general Miala deve ser reserva estratégica do Estado. A sua vida protegida, e serem-lhe garantidas as honras correspondentes a um antigo governante e a um oficial general dos serviços secretos. Independentemente dos erros que tenha cometido. Será talvez por isso que o PR se recusou a assinar o documento que passaria o general Miala à reforma compulsiva, o que faz perfeito sentido.

Um homem como ele não se põe em tribunal por razões menores – e num país em que ladrões de milhões passeiam-se impávidos e serenos – a não ser que se queira provocar implosões que a ninguém interessa. Deve-se pôr um ponto final a esta charada que só suja a imagem do país. Até mesmo porque está visto que o processo está viciado, absolva-se o homem e trate-se o resto em foro próprio que não a hasta pública.
Agora que lá está, estamos todos a pagar para ver o que é que isso vai dar…


Jornalistas insultados

Em duas ocasiões durante o julgamento de Fernando Miala e os três outros responsáveis dos Sie exonerados em Abril do ano passado, o juiz presidente do Stm, António dos Santos Neto “Patónio”, insultou os jornalistas angolanos, demonstrando possuir ideias preconceituosas, bem ao jeito do antigo regime totalitário angolano, acerca dessa classe profissional. Na primeira vez, foi logo na abertura do julgamento, quando numa sala repleta de pessoas, entre familiares, amigos e curiosos, escolheu exactamente os representantes da opinião pública que ali estavam a trabalhar para abandonarem a sala. O general “Patónio” tinha a possibilidade mais do que evidente de deixar na sala aqueles que lá estavam por imperiosas questões de trabalho, expulsando os curiosos, mas optou por afastar aqueles em relação aos quais reúne tantos preconceitos, que o juiz considerará que não devem respirar o mesmo ar que ele. Um jornalista deste jornal que permaneceu por alguns momentos na sala ouviu depois o general “Patónio” argumentar a favor da sua decisão, o facto de que “a sala estava irrespirável”. Na terça-feira, numa necessária alusão à imprensa angolana, a qual foi provocada no que deveria ser uma réplica juridicamente fundamentada aos advogados de defesa, afirmou que não faz “muita fé em notícias dos jornais”. “Não li o Folha 8 e também não faço muita fé em notícias que vêm nos jornais” gabou-se António Santos Neto “Patónio”. Essa deve ser uma boa explicação para o facto de o general ter aparentado, no tribunal, não poder gabar-se tanto da formação e de possuir níveis tão sofríveis de informação, mas os jornalistas devem averiguar se o que faz o juiz presidente do Stm receia-los tanto, não seriam factos relacionados com a extinção da Ccpm, quando alguns chicos-espertos quiseram apropriar-se da moradia em que a comissão estava instalada, ou sobre os factos que levaram à cisão do Grupo Metrol ou ainda sobre a constituição da Zuki Off Limits. Os jornalistas chegarão lá.
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BBC – 27 Fevereiro, 2006 – Fernando Garcia Miala – um chefe dos serviços secretos ‘demasiado visível’


A demissão do General Fernando Garcia Miala e a instauração de uma sindicância ao Serviço de Inteligência Externa dominam, neste momento, a vida política em Angola.
Miala era um homem visto como das personalidades mais poderosas – e mais próximas – do Presidente José Eduardo dos Santos.
Em entrevista a Filipe Correia de Sá, da BBC, o Doutor Justino Pinto de Andrade, comentarista político e director da Faculdade de Economia da Universidade Católica de Angola, referiu-se aos contornos desde desenvolvimento.


Justino Pinto de Andrade – Já há alguns tempos que se ventilava a hipótese de haver alguma alteração [na chefia dos Serviços de Segurança]. Corria a notícia, em círculos bastante restritos, de que o relacionamento do Chefe de Estado com o General Miala já não era o que teria sido em tempos anteriores.
Inclusivamente dizia-se que o General Miala já não tinha a liberdade de movimentos dentro da entourage e das instalações do serviço do Presidente da República que tivera.
Ele era uma pessoa que tinha acesso directo ao Presidente da República, sem qualquer problema. Aqui em Luanda começou a ventilar a notícia de que o seu acesso ao Chefe de Estado já não era tão livre como tinha sido até então.
É claro que isso indiciava alguma coisa. Há uns tempos atrás correu a notícia de que o Chefe de Estado teria ficado desagradado com o facto de haver uma grande visibilidade do General Garcia Miala.
Geralmente, as pessoas que dirigem os serviços secretos são, por norma, muito discretas e muito fechadas. Há sociedades em que nunca se consegue saber quem dirige, verdadeiramente, esse tipo de serviços.
O General Miala passou a transformar-se numa figura pública conhecida e visível. Ele era, de certa forma, uma figura prestigiada porque começou a levar a cabo um conjunto de acções; envolveu-se na prestação de assistência a crianças orfãs, estive ligado à ‘parte boa’ da sociedade civil.
Diz-se que o Presidente não viu com bons olhos esta visibilidade que o General Garcia Miala tinha passado a assumir.
Há uns tempos atrás houve um incidente com um jornal de fim de semana que tinha introduzido, em primeira página, notícias sobre um suposto mau relacionamento entre o Chefe de Estado e o General Miala.
Isso teria feito com que se comprasse, apressadamente, o maior número possível de cópias desse jornal que estavam nas bancas. Dizia-se que as cópias tinham sido compradas pelo General Miala. Soube mais tarde que isso não era verdade porque, na altura, ele não estava cá em Luanda.
Decorre neste momento um inquérito aos Serviços de Emigração e Estrangeiros, SME [alguns dos seus chefes estão na cadeia] e é possível que as investigações tenham levado a desnudarem-se algumas outras questões. Isso é apenas uma hipótese.
Pode ser que nessa investigação aos SME se tenham ventilado outras coisas – possivelmente envolvendo outras áreas dos serviços secretos.
Mas é preciso também não esquecer que, geralmente, ao nível desses serviços se criam, às vezes, desentendimentos e algumas relações menos amistosas. Pode ser que o General Miala tenha sido ‘cozinhado’ dentro do seu próprio orgão – ou de orgãos mais ou menos afins.
- É frequente, quando algumas figuras do Estado, em Angola, são afastadas, relacionar-se isso com a visibilidade que essas pessoas têm em relação ao Chefe de Estado. Isso aparece como uma das explicações para o afastamento do General Miala?
-Aqui em Angola, geralmente, há a ideia de que o Presidente da República não gosta muito de ter ‘pessoas visíveis’ ao seu lado. É assim que as pessoas pensam mas não sei se corresponde totalmente à verdade.
Lembro-me que há algum tempo atrás, alguém chegou, inclusivamente, a escrever [num jornal] que poderia haver ‘tentações políticas’ por parte do General Miala. Não sei se a notícia tinha substância ou não mas foi veiculada.
Imediatamente começou a dizer-se que Miala ‘estava frito’ porque ao aparecer como um indivíduo com probabilidades políticas – no quadro das hipóteses de sucessão. E então as pessoas disseram: “olhem, este aqui já está arrumado”.
A partir do momento em que haja alguma probabilidade de se pensar nele como um hipotético ‘substituto’, então o Chefe de Estado não ficará nada agradado.
A ideia que corre aqui em Angola é a de que José Eduardo dos Santos quer continuar [no poder].
O jogo que fez de que estava cansado e que já não contassem com ele [para candidato presidencial do MPLA] teria sido apenas uma forma de gerar em torno de si um sentimento de orfandade.
E foi isso que veio a acontecer; vimos que bastou José Eduardo dos Santos dizem que estava cansado e que se ia embora para que, imediatamente, as ‘carpideiras internas’ entrassem numa choradeira incrível – que ainda não parou!
Continuo a falar de hipóteses, mas o Presidente da República não se safa desta visão; as pessoas – aquelas com preocupações de carácter político – avaliam o comportamento do Chefe de Estado desta forma. Isto é, que é uma pessoa que não gosta de ter ‘segundas pessoas’.
- É a primeira vez que se cria uma comissão deste género a esse nível?
- Sim, é a primeira vez. Mesmo ao nível dos Serviços de Migração e Estrangeiros as coisas nunca tiveram este carácter tão forte. Não há dúvidas nenhumas que a equipa que foi constituida é uma equipa do mais alto nível.
Isso significa que os Serviços de Informação Externa vão mesmo ser passados a ‘pente fino’. Até acredito que o General Miala esteja, nesta altura, praticamente manietado. Não propriamente preso – até porque foi visto [no domingo de manhã] em público.
Mas penso que, nesta altura, quando muito ele deve estar apenas em condições de abrir gavetas e mostrar coisas às pessoas que vão inquiri-lo. Acho que o General Miala estará a viver um momento difícil da sua carreira. É uma situação complicada.
Se não houver um esclarecimento público e aprofundado de tudo quanto se passou, vamos ter muito especulação em torno desta matéria.
Por isso penso que uma situação dessas deve ser o mais transparente possível para não ficarmos com a tradicional imagem de ‘golpes e intrigas palacianas’, situações que põem em perigo a vida e a segurança das pessoas.
Se não houver, de facto, grande transparência neste trabalho de sindicância, estamos sujeitos a que cada um dê livre curso à sua imaginação e à sua sensibilidade. E então teremos uma sociedade percorrida por boatos – com mais ou menos fundamento.
Isso seria mau nesta altura porque temos estado a viver uma situação de relativa paz e confiança.
E quando as coisas acontecem a este nível – e da forma como aconteceram – entra-se novamente num período de algum receio em relação àquilo que possa vir a acontecer porque isto pode acarretar endurecimentos no regime.
Acredito que se as coisas caminharem conforme me estão a parecer, este regime poderá adoptar métodos do passado. E isso é muito desagradável.
E digo isto porque o General Miala, do meu ponto de vista, transmitiu uma certa confiança para a sociedade.
Eu próprio, que sou uma pessoa claramente conhecida como não concordando com as práticas deste regime, não tinha nenhum receio em apertar a mão ao General Miala.
Não estou a fazer-lhe um elogio. Estou apenas a dizer que, do meu ponto de vista, ele era uma pessoa que, estando numa área dos serviços secretos, contudo, não metia medo.
Eu acho que os serviços secretos devem mesmo funcionar livremente e só quem tem ‘culpas no cartório’ é que, geralmente, tem medo deste tipo de serviços quando são dirigidos por pessoas de pouca confiança.
- Com a demissão do General Miala e com a constituição desta Comissão de Sindicância, o Presidente José Eduardo dos Santos parece estar a lançar uma mensagem.
- Estes poderes, com as características do poder que temos em Angola, são poderes que se baseiam muito em equilíbrios de grupos de interesses – de facções, podemos mesmo dizer.
Acredito que, nesta altura, com o rumo que as coisas tomaram, aquilo que poderemos chamar ‘a ala do General Miala’ estará em dificuldades face a outras alas porque sabemos que estas situações a estes níveis são, geralmente, objecto de golpes não muito simpáticos.
Por isso mesmo, a correlação de forças começa a alterar-se em desfavor daquilo que poderíamos assumir como sendo as pessoas mais próximas do General Miala.
Penso que nada melhor do que aguardarmos mais algum tempo porque tudo isto vai ficar clarificado, sobretudo porque nós, aqui em Angola, não primamos muito pelo secretismo.
Embora isso seja uma questão dos serviços secretos, acredito que, em poucos dias, muito coisa vai ‘transpirar’ e então poderemos refazer todo o puzzle, colocando as peças nos seus devidos lugares.
Mesmo que não haja esclarecimentos públicos e oficiais, teremos certamente informações suficientes para nos aproximarmos o mais possível da verdade.
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Feb 28, 2006 –
fonte club-k -

General Miala afastado na liderança dos Serviço de Inteligência Externa

Luanda – Não fosse a Voz da América a dar conta, horas antes, do inquérito que há algum tempo vinha a decorrer contra a figura do director-geral do Serviço de Inteligência Externa, o afastamento de Fernando Garcia Miala se teria constituído numa das maiores surpresas de sempre.
A exoneração de Miala foi anunciada pelos Serviços de Apoio da Presidência da República através de uma lacónica nota de imprensa. O facto da divulgação do comunicado pelos órgãos de comunicação oficial ter sido feita às primeiras horas de sábado e não nos principais serviços de noticias da noite de sexta-feira, como é hábito, foi tido por alguns observadores como sendo «no mínimo bastante estranho».
Como em outras ocasiões, não foi dada qualquer justificação sobre o afastamento daquele que até pouco tempo chegou a ser conhecido como o homem de alta confiança do Presidente da República, de quem se diz ser a sua boca e ouvidos.
A par do sua subida meteórica na hierarquia castrense, que de oficial subalterno viu-se catapultado para o posto de general, Fernando Miala vinha a assumir uma notável visibilidade, pouco comum para um responsável dos serviços secretos. São conhecidas as célebres iniciativas de que foi o principal mentor a favor das crianças vítimas de guerra, cujo projecto resultou em ofertas de viaturas e outros bens à figuras públicas convidadas a dar corpo ao conhecido projecto Criança Futuro.
Temido até por figuras da nomenklatura, Fernando Miala dominava importantes dossieres externos e internamente jogava a sua influência pelo seu posicionamento junto do Chefe, a quem punha ao corrente dos casos de corrupção que envolvem governantes e outras entidades. A sua passagem pela «secreta» angolana foi marcada por intrigas constantes com os seus pares acabando por ser sempre esta uma das formas de se impor, a par de arregimentar um verdadeiro séquito de colaboradores, entenda-se informadores, que abundam nas redacções dos principais órgãos de comunicação social estatais angolanos, mas não só.
O general Miala foi citado como tendo sido um dos beneficiários das comissões do chamado «Angolagate», um dos dossies que acompanhou directamente, não tendo sido por acaso a maneira como se viu forçado a convocar dois advogados franceses para defender a causa dos visados.
Nunca se assistiu tanta entrada para a diplomacia de pessoal ligado a segurança de Estado como durante o consulado de Fernando Miala, uma situação que prejudicou quadros de carreia diplomática formados dentro e fora do país.
Os serviços secretos possuiam um verdadeiro ?saco azul? que permitiam ao seu principal responsável usar e abusar de milhões e milhões de dólares, a pretextos vários e que permitiam uma vida faustosa, com vários bens e interesses no país e no estrangeiro.
Não se sabendo se a ?conexão Serviços de Migração e Estrangeiros? terá contribuído para a sua saída, dada a verdadeira invasão silenciosa de cidadãos estrangeiros que se vinha assistindo nos últimos anos, a verdade é que o seu afastamento pode significar uma nova era nos serviços secretos angolanos.
Nos tempos de maior confiança, Fernando Miala havia ascendido à função de vice-ministro do Interior para a Segurança, cargo de que viria a ser despojado quando se lhe notaram atropelos sistemáticos a superiores hierárquicos , nomeadamente o actual primeiro-ministro, Fernando Dias dos Santos.
“Acomodado” no cargo de chefe da segurança externa, criado quase que exclusivamente para si, Miala cedo voltou à ribalta e nos últimos tempos era quem mandava de facto nos serviços secretos, embora algumas fontes digam que a coordenação era rotativa entre o SINFO e a secreta militar. Segundo algumas fontes o “dossier diamantes” não deverá ser estranho a esta forte medida do Presidente da República, já que eram conhecidos alguns conflitos entre Fernando Miala e Isabel dos Santos, a filha primogénita do Chefe de Estado.
A indicação, na sexta-feira, de Sebastião Martins para vice-ministro do Interior para a segurança interna, já prenunciava alterações substanciais nos serviços secretos angolanos.
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O Diabo – 21 de Março de 2006


Eduardo dos Santos, assessores e “vice” da “secreta” montaram “conspiração” de Miala
A golpada do alegado “golpe de estado” em Angola
Acusado de estar a preparar um «golpe de Estado para destituir e assassinar o presidente» angolano, o general Garcia. Miala foi afastado da chefia da «secreta» externa do país. Agora começa a ficar claro que, afinal, a alegada «conspiração» não passou de uma «intriga política» elaborada por dois inimigos «de estimação» de Miala: os generais Hélder Dias «Kopelipa» e José Maria, assessores da Presidência da República, com o auxílio do «vice» dos SIE, brigadeiro Veríssimo da Costa. Fontes conhecedoras do caso garantem que a trama teve a conivência dó próprio Eduardo dos Santos.
Três semanas depois do rebentamento da «bomba» que deixou os meios políticos, a comunicação social e a sociedade civil angolana em alvoroço, começam a ser conhecidos os verdadeiros contornos da alegada «conspiração» para destituir e, até, assassinar Eduardo dos Santos, supostamente liderada pelo general Fernando Garcia Miala, ex-chefe dos Serviços de Inteligência Externa (SIE). Segundo fontes conhecedoras do processo, tratou-se de uma «bem urdida cabala política elaborada por dois assessores do presidente»: os generais Hélder Vieira Dias «Kopelipa» e José Maria, chefes da Casa Militar da Presidência da República e dos Serviços de Inteligência Militar (SIM), respectivamente, que terão contado com o auxílio do brigadeiro Gilberto Veríssimo da Costa, «vice» de Miala nos SIE. As mesmas fontes garantem que o próprio Eduardo dos Santos «estava por dentro» do plano.
«Intriga palaciana…»
Os factos que levaram à exoneração do general Miala, no passado dia 24, e à instauração de uma sindicância aos SIE tiveram por base «uma intriga palaciana como há muito não se via no país», protagonizada por «homens do presidente» que, para o efeito, constituíram uma «aliança de circunstância», dizem fontes angolanas contactadas por O DIABO. Em causa, acrescentam, estaria o controlo da «secreta» e, através desta, de dados confidenciais «eventualmente comprometedores» para várias figuras de topo da nomenclatura de Luanda envolvidas em «diversos negócios de petróleo e diamantes».
A direcção de um serviço estratégico do país e que funciona sob a tutela directa de Eduardo dos Santos concedeu a Miala espaço de manobra e poder de influência no palácio do Futungo de Belas. Para desespero dos generais «Kopelipa» e José Maria, que não viam com bons olhos a concorrência. Para combater Miala nada melhor do que aliarem-se. Foi o que fizeram.
Segundo as fontes contactadas, ambos começaram a interferir em alguns dossiers que até então estavam a cargo do SIE, como o relativo a Cabinda. Miala não se terá apercebido do «contra-ataque», o que lhe terá sido fatal.

O «caso Van-Dunem»

O princípio do fim do director dos SIE aconteceu há um ano, altura em que Miala apresentou a Eduardo dos Santos elementos que comprovavam que António Van-Dunem «Toninho», secretário do Conselho de Ministros, se preparava para se «abotoar» com parte substancial dos 2 biliões de dólares emprestados pela China. «Toninho» e Carlos Feijó, chefe da Casa Civil do presidente, foram exonerados. «Kopelipa» entendeu a acção de Miala como um ataque aos Van-Dunem, família a que ele próprio pertence e, com o apoio de José Maria, moveu uma guerra sem tréguas ao homem forte dos SIE, tendo contado, também, com a opinião «anti-Miala» de muitas outras figuras da «nomenklatura» luandense que entendiam que estaria ali «um temível precedende para futuras demandas da “secreta” externa sobre eles próprios. Temiam que os homens de Miala pudessem um dia obter também provas comprometedoras de falcatruas em que tenham estado envolvidos ao longo dos anos, fazê-las chegar ao presidente e, desta maneira, acabarem como acabou Van-Dunem».

A «aliança circunstancial» fez tudo para desacreditar Miala junto de Eduardo dos Santos, dizendo que era intriga do chefe dos SIE, e conseguiram impor ao presidente uma fórmula para que o assunto fosse resolvido familiarmente e fora dos tribunais. Nesta luta contra Miala foi determinante a acção do brigadeiro Veríssimo da Costa que ambicionava ficar com o lugar de Miala.
Destronar Miala, o homem mais importante e poderoso do sistema de inteligência do país era a prioridade. Minar a relação de confiança de Eduardo dos Santos no patrão dos SIE era fundamental.
«Fazer a cabeça do presidente…»

O plano para afastar Miala avançou definitivamente. «Conseguiram fazer a cabeça do presidente», dizendo, nomeadamente, que o patrão da «secreta» estaria a preparar um «golpe» para o afastar do poder. Eduardo dos Santos acreditou na informação passada e, na noite de 24 de Fevereiro, assinou o decreto de exoneração de Fernando Miala. Na manhã seguinte, foi posto a circular nos meios diplomáticos acreditados em Luanda, particularmente ocidentais, de que uma tentativa de «golpe de Estado» liderada pelo chefe dos SIE teria justificado o seu afastamento. E disseram mais. Puseram a correr a informação de que Miala teria fugido para o Congo Democrático na sequência do «fracassado golpe». Uma informação que assentava que nem uma luva pelo facto de Miala, precisamente naquele dia, ter agendada uma deslocação ao Congo, devidamente autorizada por Eduardo dos Santos. Era o «quadro perfeito».
Só que o plano sofreu uma alteração não prevista: Miala adiara a viagem e ficou sossegada e tranquilamente em Luanda.
Exonerado Miala, Eduardo dos Santos instaura uma sindicância aos serviços, de cuja comissão fazem parte precisamente «Kopelipa» e José Maria. No âmbito das averiguações reuniram com os chefes do Estado-Maior General das Forças Armadas angolanas, e tentaram fazer passar a mensagem da tentativa de «golpe» liderada por Miala. Só que as chefias militares «torceram o nariz» à informação, dizendo que «não se faz nenhum “golpe” e em nenhum país, muito menos em Angola, com todo o seu poder militar, sem tropa. E a verdade é que nenhuma unidade militar das FA apareceu envolvida». Mais ainda. A mesma fonte acrescenta que a ser verdade a tentativa de «golpe», as próprias FA seriam usadas para dar caça imediata aos «golpistas». Porém, «os “golpistas ” não estão presos, andam à solta, têm uma vida normal». Caiu definitivamente a tese do «golpe».

E agora Eduardo dos Santos?


O DIABO apurou junto de meios de Luanda que o presidente terá começado a ser pressionado pelas tais figuras do topo da «nomenklatura» angolana logo após o «caso Van-Dunem» para afastar Miala, figura que poderia tornar-se incómoda com as suas investigações. Eduardo dos Santos «a dada altura, teve conhecimento do plano de “Kopelipa” e de José Maria mas terá optado por deixá-lo desenvolver-se. Com as consequências agora conhecidas», dizem-nos.
Precisamente no auge do «caso Miala», Eduardo dos Santos decidiu sair do país e efectuar uma viagem privada ao Dubai, deslocação que tornou impossível a sua presença na tomada de posse de Cavaco Silva.



Por pouco não mataram José Eduardo dos Santos

Eduardo dos Santos escapou a um assassinato. Foi por uma unha negra. O pior não aconteceu por que os serviços de contra-inteligência angolanos abortaram o plano a tempo e horas. A conspiração nasceu em Pretória (África do Sul) passou por Paris (França) e, se tudo tivesse corrido a preceito, terminaria em Luanda, na Marginal, no dia do carnaval. O apoio que a Cidade Alta pretendia dar a Jacob Zuma para substituição de Thabo Mbeki à testa do Estado sul-africano nas próximas eleições terá sido o motivo que levou alguns dirigentes do Congresso Nacional Africano (ANC) a urdirem o “complot” contra o chefe de Estado angolano.
Por Jorge Eurico
Em Maputo
O plano contaria com o apoio do antigo director-geral do Serviço de Inteligência Externa (SIE), Fernando Miala. O assunto já não é assunto – passe o pleonasmo – nos meios políticos sul-africanos aonde circula o relatório de dezassete páginas classificado como sendo «top-secret» que conta a estória tim-tim-por-tim-tim
O chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, foi alvo de um plano de assassinato concebido em Fevereiro de 2006 por Tokyo Sexwale, um proeminente dirigente do Congresso Nacional Africano (ANC). A revelação foi feita ontem, terça-feira, 30, na última edição do jornal electrónico moçambicano «Canal de Moçambique», que dá à estampa cópia de um relatório de dezassete páginas que se supõe ter sido vazado no último fim de semana para a praça pública por uma ala do ANC próxima a Thabo Mbeki, presidente sul-africano.
O documento refere que o plano de Tokyo Sexwal contaria com o apoio do antigo director-geral dos Serviços de Inteligência Externa (SIE) e ex – secretário do Conselho Superior de Segurança Nacional (CSSN). O apoio de Fernando Garcia Miala ao plano, segundo o documento, que tem o carimbo «Top-Secret», consistiria apenas em aconselhar o presidente angolano a assistir, em Fevereiro do ano passado, os festejos do carnaval na Marginal de Luanda.
Para levar José Eduardo dos Santos à Marginal, Miala, de acordo com o referido relatório, usaria o argumento de que era necessário promover a imagem política do presidente da República a nível interno. Nesta altura, os autores materias do plano, que estariam infiltrados no seio do povo, entrariam em cena.
O presidente angolano, recorde-se, exonerou Fernando Garcia Miala do cargo de director-geral do Serviço de Inteligência Externa (SIE) e do Conselho de Superior de Segurança Nacional (CSSN) dia 24 de Fevereiro de 2006. Dois depois da exoneração do então «homem-forte» da segurança do Estado, José Eduardo dos Santos ordenou uma rigorosa sindicância ao SIE com vista a apurar a veracidade das informações postas a circular na altura segundo as quais Miala estaria na eminência de “tomar medidas activas”, o que, no dizer dos entendidos, em linguagem de inteligência significava Golpe de Estado.
A demissão de Fernando Miala foi secundada, dia 1 de Abril de 2006, pela de Mariana Lisboa Filipe, do cargo de Chefe do Serviço de Informações e de Feliciano Domingos Tânio da Silva, do cargo de Chefe Adjunto do Serviço de Informações. José Eduardo dos Santos nomeou, no mesmo dia, o Comissário Sebastião José António Martins, para o cargo de Chefe do Serviço de Informações, o Comissário Filomeno Barber Leiro Octávio, para o cargo de Chefe Adjunto de Serviço de Informações; André de Oliveira João Sango, para o cargo de Director Geral do Serviço de Inteligência Externa e o Brigadeiro Gilberto da Piedade Veríssimo, para o cargo de Director Geral Adjunto do Serviço de Inteligência Externa.
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30 Dezembro 2008 – Fonte: Club-k.net – Reflexões De Fernando Miala Na Cadeia


Luanda – Fernando Garcia Miala dedica parte do tempo na cadeia de Viana observando/analisando situações que se registaram no pais. (informa-se lendo jornais e assistindo TV disponível na sua cela).
Foi recentemente alvo das suas reflexões diárias, a onda de greve que tem vindo a verificar-se desde que houve eleições legislativas. De acordo com o pensamento de Fernando Miala, segundo interpretações, partilhadas com os seus próximos, as reivindicações refletidas em greves são indicadores de que o povo ganhou consciência dos seus direitos.

A interpretação/observação de Fernando Miala entendida como preocupações de um cidadão demonstram que este antigo servidor do regime percebeu que depois das eleições o povo terá atitude reveladora de mais exigências ao novo Governo.
Uma das evidencias da observação feita pelo antigo chefe da secreta angolana é verificada na reação de Hermínia do Nascimento, a porta voz dos Sindicatos dos Professores que em Outubro passado, expressou da seguinte forma face a detenção de cindo dirigentes sindicais na província do Bengo que faziam greve: “Mal estamos a formar a terceira República (designação oficiosa para o actual período pós as segundas eleições em Angola) já estamos com pressões e perseguições, o que indicia que nada mudou”.
De facto as greves em Angola surgiram precisamente depois das eleições legislativas de Setembro passado.

A saber:
Greve dos trabalhadores da,
- Ghassist ocorrida na primeira semana de Outubro
- Sindicato de professores, 24 de Outubro
- trabalhadores do Porto de Lobito, 17 Novembro
Semanas antes das eleições, os trabalhadores da Ghassist pretendiam fazer greve, porem, um quadro sênior Domingos Sebastião que exercia o cargo de representante do Estado naquela empresa convenceu os trabalhadores para que não fizessem a greve naquela altura devido as conseqüência que trariam para imagem do MPLA. (…)
Fernando Garcia Miala encontra-se detido desde 2007 na seqüência de intrigas palacianas dotadas de informações segundo as quais o ex chefe dos Serviços de Inteligência externa teria admitido, numa reunião restrita com os seus antigos subordinados tomar “medidas activas” contra o Presidente da Republica José Eduardo dos Santos. A direção completa foi julgada com excepção a Constantino Vitiaca antigo director de informação e analise e o Brigadeiro Veríssimo foi “gratificado” com o cargo de Director adjunto dos SIE.
Este ano foram feitos “lobbies” que influenciassem Fernando Miala a fazer publicamente um pedido de perdão ao Presidente José Eduardo como condição previa para a sua liberdade. Miala recusou com sentimento de que nada fez que atentasse a lealdade do seu antigo patrão.
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14 Julho 2009 – VOA – General Miala Questionado Durante Cinco Horas

O “Caso Miala”, como ficou conhecido o processo que condenou o então director do SIE,os serviços secretos externos registou, nesta segunda-feira, mais um episódio, com o general a ser requisitado pela Procuradoria-Geral para uma audição sobre questões patrimoniais.
Pelo menos cinco horas foram consumidas, durante as quais o ex-director foi confrontado com perguntas sobre a utilização de recursos alegadamente postos à disposição dos serviços. Entre interesses que se julgam estar próximos do poder político e as lutas palacianas, a actual Direcção do SIE é citada como sendo a entidade que reclama as pertenças patrimoniais.
Não sendo um Estado de democracia perfeita – com ciclos eleitorais completos ou seja de alternâncias do poder e no qual a Segurança do Estado deve prestar contas ao parlamento – nas condições em que funcionava este serviço em Angola sob tutela directa do presidente, dificilmente pode, nesta altura, ser provado que a execução de determinados actos tenham tido um mandante (porque, na prática e para certos casos, não existem comprovativos ou quaisquer outros documentos assinados mas, sim, ordens cumpridas do chefe) além de que os factos patrimoniais produzidos e susceptíveis de registo não obedeceram a princípios e normas contabilisticamente validáveis!
E aqui levanta-se desde logo a questão sobre como tudo isto há-de de ser gerido? Este um quadro que pode desabonar o general Fernando Garcia Miala, no dia em que completava exactamente dois anos de prisão, facto que abriria a possibilidade de passar o resto da pena fora da cadeia.
Analistas na praça consideram já que este assunto deixou de ter abordagem jurídica para assumir contornos de arbitrariedade, onde tudo é difícil de prever e onde tudo pode acontecer.
Miala e seus pares, estes últimos já em liberdade condicional, foram condenados há dois anos atrás, acusados de crime de insubordinação por alegadamente não terem comparecido a uma formatura no Estado Maior das Forças Armadas para a sua despromoção, na sequência da exoneração a que se viram sujeitos.
Inicialmente uma sindicância mandada instaurar perseguia a pista de um pretenso golpe de Estado que, na conclusão, apontou outra coisa diferente, entre as quais citamos “a inobservância da lei e das orientações funcionais… além de orientações… do presidente da República”.
Não são do conhecimento público os detalhes dos resultados produzidos… Apenas um comunicado é geralmente citado.
Perante as expectativas criadas sobre a eventual soltura condicional, em decorrência destes dois anos de prisão cumpridos, e face a este elemento novo ontem evidenciado, percebe-se, mais ou menos, para onde se pretende que as coisas caminhem…
Em boa verdade, Miala parece ter-se tornado definitivamente numa figura incómoda que convém manter distante!
Vamos algumas intervenções feitas nesta segunda-feira. Inicialmente, o Adjunto do Procurador da República, João Cunha Caetano, que considerou de encontro normal com o detido. Sereno, parecia Fernando Garcia Miala a saída da audiência, o ex-chefe da secreta externa.
Para Manuel Pinheiro, é preciso que se separe o direito a liberdade, ora conquistado, de qualquer facto novo. Mais reservado mostrou-se o director do semanário “Folha-8″, William Tonet, que recordou alguns dos vícios que o processo enformou desde o início.
Miala e seus pares foram condenados a quatro e dois anos e meio de prisão efectiva, no dia 20 de Setembro de 2007, pelo tribunal militar, apesar dos vários recursos interpostos pela defesa.
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

General Fernando Garcia Miala, já tem autorização para ser tranferido ao exterior do País
General Miala já tem autorização para ser transferido para o exterior do país, neste momento aguarda-se apenas pelo seu relatório médico.
De acordo com João Tena, um dos familiares do Ex chefe da segurança secreta de Angola, está a recuperar o seu estado de saúde e ainda esta segunda-feira, os seus familiares vão tomar conhecimento de parte do seu relatório médico.
Por outro lado o responsável garante que já foi autorizada a sua transferência exterior do país, afim de receber tratamento médico, pelo que espera-se apenas o relatório final do seu estado de saúde que deverá ser apresentado ainda esta semana, pelos médicos que o acompanham.
Quanto ao destino de Miala para devida assistência médica João Tena diz não ter certeza do país em o general deverá ser transferido, mas aponta África do Sul como uma das possibilidades, o que deverá acontecer depois da apresentação do relatório médico.
O general ficou cerca de três semanas em estado de saúde grave devido a o fármaco Armatec que lhe terá sido administrado na cadeia de Viana.
Fonte: Rádio Ecclesia, Emissora Católica de Angola
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9 de Novembro de 2009 – ACTUAL – Fonte: Africa Monitor – ACUSAÇÃO E JUGAMENTO DO GENERAL MIALA

Altos funcionários da Presidência receiam que Miala se envolva na política activa

Lisboa – A inclinação que altos funcionários da PR de Angola denotam no que toca ao “futuro desejado” para Fernando Miala é de o ver dedicado aos negócios privados – para o que há a disposição de lhe providenciar meios e condições adicionais aos que o próprio possui (é considerado muito rico).
O único requisito a que tal disponibilidade está sujeita é o de que se mantenha discreto e evite envolver-se na política activa. A ser assim, é mesmo admitida uma posterior reabilitação pública, incluindo atribuição de uma função institucional, embora de efeitos mais aparentes que práticos.
Acção de JES na libertação de Fernando Garcia Miala
De acordo com a Newsletter Africa Monitor a recente libertação de Fernando Miala foi ordenada (orientada, conforme terminologia usada internamente) por José Eduardo dos Santos (JES), que inclusivamente se ateve a pormenores da operação; na atitude de JES estão identificados desígnios como o de recompor a sua popularidade interna e prestígio. FM está em sua casa, na companhia da família directa, desde há duas semanas.
Por vontade própria evita contactos e desencoraja abordagens jornalísticas do caso da sua libertação. Mas goza de liberdade de movimentos aparentemente irrestrita. Em 25 de Outubro assistiu à missa dominical na Igreja Católica de Viana. Enquanto permaneceu na prisão, FM foi por várias vezes visitado pelo Bispo de Viana, D. Joaquim Ferreira Lopes, de nacionalidade portuguesa. A sua comparência na missa de domingo foi vista também como um gesto de reconhecimento decorrente da conduta do prelado.
A concretização da libertação de FM foi psicologicamente “facilitada” por um clima criado e alimentado por meio de notícias apreensivas sobre o seu estado de saúde, descrito como precário e a requerer urgentes cuidados médicos no estrangeiro; as notícias foram em larga escala difundidas por emissoras privadas de Luanda.
A família de Fernando Miala constituiu o veículo de tais notícias, exorbitantes, junto das emissoras; não está devidamente apurado se a família agiu de motu-proprio e/ou se por sugestão de figuras do círculo presidencial – em ambos os casos com o fito inferido de criar ambiente “propício” à libertação.
JES manteve sempre canais indirectos de contacto com FM e sua família. Entre alguns dos agentes desses contactos figuram, desde há mais tempo, Mendes de Carvalho e, mais recentemente, o advogado Moreira Pinheiro, que na prática substituiu Eusébio Rangel como seu advogado de defesa.
Na aplicação que JES revelou em facilitar a libertação de F Miala, a título de indulto, também se conjectura que foram determinantes “sentimentos interiores” segundo os quais o afastamento do mesmo, seguido de muitos apaniguados seus, o tornara “refém” de um grupo interno.
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Fernando Miala regressa a Igreja

 No Culto Dominical do dia 17/Jan./10, na companhia de sua esposa e filho, viveu e conviveu a alegria e o calor espiritual com todos os seus irmãos presentes no culto onde abraçou calorosamente Sua Santidade.
O Deus de Mayamona (Simão Gonçalves Toko) é Deus Vivo, Deus da Vida, Deus da Misericórdia e Deus da Salvação:
Foram notáveis os grandes marcos na Igreja, em termos de ilustres visitantes, no ano que findou de 0009, Milénio de Cristo, sendo uma das mais destacáveis figuras e no final do ano, a visita de Sua Excia. Ministro da Defesa da República de Angola, o General Kundi Paihama, em Dezembro/09. Na ocasião, Sua Santidade disse:
“Sendo esta a Igreja nacional ,ela é de todos os angolanos e sendo ela também africana é para todos os africanos. Sendo ainda universal é de toda a gente. Por isso, Sr. Ministro, a Igreja é sua”. Fim de citação.
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Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010


REGRESSO DE MIALA AO PODER?


Lisboa – Propaga-se em meios políticos, em Luanda, um cenário que apresenta a hipótese do General Fernando Garcia Miala ser reabilitado por José Eduardo dos Santos para um cargo político, na próxima mexida governamental. Dentre as ventilações que mais se soltam, é aludida a nomeação do mesmo como Ministro da defesa. (O Nome de Higino Carneiro também concorre para este posto).

Fernando Miala teve um encontro com José Eduardo dos Santos que em círculos dos que admiram a relação de ambos foi referenciado como (encontro de pai e filho). Logo a seguir, Miala retirou-se de Luanda passando dias na sua fazenda, no Kwanza Sul (quadra festiva inclusive ) ao que alimentou pensamentos de que estaria a ganhar espaço para alguma reflexão.
Sinais que indicam regresso de Fernando Miala

- O provável afastamento do General “Kopelipa” da casa militar e do encurtamento de audiências ao General Zé Maria é visto como sinal de que o PR esteja a distanciar-se destas duas figuras em favor de um regresso de Fernando Miala

- O seu antigo adjunto no SIE foi chamado para participar numa reunião relacionada ao dossiê Congo.
- Numa reunião interna JES deu sinais da falta que o mesmo faz em termos de munição de informação quanto ao dossiê Congo cujo domínio tem.

- Em círculos da presidência ou da Inteligência esta se a dizer que “afinal”, o Fernando Miala não é “bem” aquilo que deu a entender na altura do seu afastamento, o ex – director técnico, Brig Gilberto Veríssimo
Em meios realistas ao assunto, é dito de que o mesmo deveria declinar propostas de regresso ao regime porque no entender destes “conhecedores”, isto equivaleria esvaziamento do capital adquirido no decurso da sua detenção. (Fernando Miala foi notado como digno que inclusive recusou proposta de pedir desculpas publicas ao PR).
Fonte: Club-k.net
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23 Março 2010 – Fonte: Club-k.net – Não Tenho Rancor Pelo Que Aconteceu – Fernando Miala


Lisboa – Fernando Garcia Miala tem sido visto a manifestar sinais de gratidão as instituições religiosas que intercederam, a seu favor, ao tempo em que esteve encarcerado na cadeia de Viana. A 17 de Janeiro, Fernando Miala, na companhia da esposa e do filho, compareceu pela primeira vez, após a sua soltura, na missa dominical da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo-Tokoista, onde foi apresentado como filho da casa.
Na ocasião da recepção e despedida de irmãos, o Bispo Dom Afonso Nunes concedeu tempo a Miala, para uso da palavra, tendo este dito: “Amados e queridos irmãos, quero em primeiro lugar agradecer a Jeovah Deus que ouviu as vossas orações, ao Líder Espiritual e aos irmãos que intercederam por mim em oração durante os meses que permaneci sob tutela da justiça. Devo aqui realçar o espírito de solidariedade que a Igreja prestou-me sob orientação do Líder Espiritual Sua Eminência Bispo Dom Afonso Nunes, personificação do Profeta Simão Gonçalves Toko. Resta-me dizer que o passado é passado. Estou aqui para dizer que não tenho rancor, nem ódio, nem guardo ressentimentos por tudo o que aconteceu. Devemos sim olhar para frente e olhar para o futuro, Muito obrigado”.
No decurso da homilia, Dom Afonso Nunes agradeceu a presença de todos e apresentou Miala, esposa e filho à congregação nos seguintes termos “”O vosso irmão Fernando Garcia Miala nasceu na Igreja, sua mãe é servidora do Tabernáculo. Ele recebeu o sinal da Igreja que preserva na sua testa. Partilhou os bons momentos com a Igreja que lhe viu a nascer até a idade adolescente e depois desligou- se dela. Hoje está de volta na sua Igreja.
Para o bispo Tokoista “Gestos desta natureza, devem estender-se a todos filhos da Igreja, que por várias razões têm-se distanciado da casa de Deus, onde o Pai Criador está de braços abertos para os receber. A hora é essa de todos voltar ao rebanho, regressar à casa. A hora é da mudança do comportamento. É preciso que os filhos de Deus, este ano, se afastem do mal. Cristo venceu. Mesmo na hora mais difícil não deixou de interceder pelos Seus Discípulos.”
“ Se aos ímpios Deus não deseja a morte, é porque Deus não quer que o ímpio permaneça na impiedade, antes porém, que toda a gente se converta e se salve, seja presidente, ministro, deputado, governador, político e toda a gente! Quanto mais você que tem o Seu sinal na testa? Quando te reconcilias com Deus, tens logo a proteção de Cristo, tal como ele havia dito aos seus Discípulos”. Rematou o Líder Espiritual.


Gesto idêntico foi testemunhado quando este general na reserva saiu da cadeia de Viana. Miala, de acordo com o AM, assistiu a 25 de Outubro à missa dominical na Igreja Católica de Viana. Enquanto permaneceu na prisão, Fernando Miala foi por várias vezes visitado pelo Bispo de Viana, Dom Joaquim Ferreira Lopes. A sua comparência na missa foi vista também como um gesto de reconhecimento decorrente da conduta do prelado.
O general Garcia Miala denota ter optado por uma rotina restrita. É raro ve-lo em local publico, uma atitude ao qual é vista como estando em recuperação psicológica. Em finais do ano passado passou algum tempo na sua fazenda no interior do país. Apos a sua saída da cadeia visitou quatro diferentes clinicas no estrangeiro entre as quais nos Estados Unidos da America a fim de submeter a exames que lhe eram requisitados.
De recordar que Fernando Miala esteve preso na seqüência de uma suposta insubordinação militar que resultou no seu compulsivo afastamento das lides do poder no país. A pena de prisão aplicada pelo Supremo Tribunal Militar foi indultada pelo Presidente da Republica através do decreto 45/09.


22 Novembro 2010 – Club-k.net

São atribuídos ao Presidente José Eduardo dos Santos pretensão de nomear o general Fernando Garcia 
Miala para o cargo de Inspector – Geral do Estado (IGE). A previsível nomeação do antigo DG do SIE deverá ser paralela a um alegado processo de re-estruturação da Inspeção Geral do Estado até então dirigida por um corpo com estrutura de coordenação.
De acordo com dados relevantes, Fernando Miala deverá gozar de um estatuto próximo a Ministro de Estado. Antes de Outubro, foi o potencial candidato para exercer as funções de Ministro do Interior que entretanto declinara. A sua negação foi vista como estando a evitar propostas para cargos que o colocam subordinado a avaliação da Casa Militar dirigida pelo seu “arqui-rival” Manuel Helder Vieira Dias “Kopelipa”.
A importância em te-lo na Inspeção do Estado é decorrente a carga de informação que tem do funcionamento das estruturas governamentais e suas respectivas correntes. (Ao tempo da guerrilha, Jonas Savimbi optava por nomear elementos oriundos do aparelho de segurança para dirigir inspecção-geral da UNITA devido a acumulação de conhecimento que estas figuras denotavam ter das instituições.)
A Inspeção Geral do Estado tem na sua versão oficial, a missão de “efectuar inspecções, auditorias, inquéritos, sindicâncias, verificações de controlo, exames ou revisões e instruir processos disciplinares com justiça e isenção nos órgãos, organismos e serviços da Administração do Estado, incluindo as Missões Diplomáticas e Consulares da República de Angola”
A IGE, pode “propor idéias inovadoras e soluções construtivas, através das constatações e análises, que conduzam para a mudança positiva na actividade administrativa do Estado; Promover a economia, eficiência e eficácia na gestão pública, detectando e prevenindo fraudes, combater o burocratismo e o esbanjamento e a violação de princípios e normas de ética, contribuindo para uma governação eficaz e transparente”
A IGE é presentemente dirigida por um Inspector-Geral Joaquim Mande que exerce o cargo desde 1992. Um irmão de Fernando Miala, de nome João Garcia Miala Júnior, já falecido, chegou a exercer o cargo de Inspector Geral do Estado-Adjunto. Os outros adjuntos são Artur Mário Neinda, e Paulino da Silva. O trio de adjuntos haviam sido nomeados em 2004.
No ano após a Independência de Angola, esta estrutura chamava-se Inspecção Geral da Admnistração Pública e estava, integrada no Ministério da Admnistração Interna então dirigido por Alves Bernardo “Nito Alves”. Em 1986 com a criação do Cargo de Ministro de Estado para a Esfera de Inspecção e Controlo Estatal os poderes foram transferido para esta estrutura e tinha como novo titular o general Kundi Paihama. Somente em Janeiro deu-se a institucionalização da Inspecção-Geral da Admnistração do Estado, que passou a ser o Órgão Central de Inspecção.

08 de Janeiro de 2011 – angola24horas.com
Agente secreto “FGM” Fernando Garcia Miala



Parte I
Os ingredientes básicos do período mais emblemático do tempo de Fernando Garcia Miala como agente secreto eram compostos por missões confidenciais, disfarces insuspeitáveis, assim como outras artimanhas e licença para matar?
Ele viajava para vários países do continente africano e outros destinos exóticos, mudando de identidade quando queria e podia, sem nunca ter tido uma única vez medo do jogo perigoso que é a vida de qualquer agente secreto, em que parte do mundo for.
Muitos que o conheceram de perto testemunharam-me que realmente FGM era um agente secreto muito especial, e arrojado, e que a sua arma perigosa era a sua própria inteligência.
Entrava nos Congo e noutros países em missões muito perigosas, como, por exemplo, aconteceu uma vez na Zâmbia, quando ainda soavam os últimos tiros em Angola, em companhia de um outro agente secreto que chegou a ser adido militar no Zimbábue durante vários anos, de nome Pedro S. Mujimbo.
Conseguiram sabotar uma reunião, naquele país, colocando uma bomba numa das salas que estava prevista para acolher congressistas. Tudo isto, porque a UNITA tinha aquele corredor aberto e individualidades daquele país facilitavam, em termos de documentação e não só, a organização de Jonas Savimbi.
Não apenas no tráfico de diamantes para alguns países Europeus (Bélgica, por exemplo), assim como na entrada de armamento para os guerrilheiros da UNITA.
Alguns militares e não só diziam que FGM tinha instintos de assassino, e fala-se em dezenas de mortes de angolanos à sua conta, e nas mais variadas situações. Algumas delas tão bizarras que nem passa pela consciência de muita gente, que vê hoje no FGM uma jóia de pessoa, que se livrou do destino que Kopelipa e outros lhe tinham traçado. Foi com o projecto Criança Futuro que FGM começou a tentar limpar suas mãos sujas de sangue, e sua prisão veio mobilizar uma grande corrente de solidariedade em torno de si.
Há mesmo quem diga que o povo angolano mais facilmente perdoará o FGM do que, por exemplo, um Fernando da Piedade “Nandó”, que quando este era ministro do Interior matou tanto quanto FGM, segundo algumas fontes por nós contactadas, por amor ao seu chefe e respeito ao serviço, que desempenhava com garras e dentes.
FGM passava anos inteiros sem nunca visitar até mesmo os seus familiares mais próximos. Tinha preferido viver durante vários anos entregando-se de corpo e alma, com uma vida dupla, equilibrando o mundano e o fantástico. Assim como a crueldade e a bondade, muitas vezes para provar a sua lealdade ao todo poderoso presidente da Republica de Angola, senhor JES.
Sem nunca também ter tido medo de lidar diariamente com o perigo da sua duplicidade de vida, parecendo sempre seguro do trabalho que fazia. Homem que, dado o volume e o espantoso das acções operativas, chegou a ser considerado como o agente secreto que melhor conhece JES, dada a relação que existia entre ambos.
Como Kopelipa, Zé Maria e outros não o conseguiram eliminar quando estava detido, dado o perigo que constitui mantê-lo vivo segundo algumas vozes, agora só resta ao JES ir tentando de todas as maneiras amansá-lo, fingindo uma espécie de relação contínua do tipo pai e filho, como era antes. Depois de tanto tempo, que FGM parece ter caído no esquecimento dos angolanos, nada melhor do que relembrar este agente secreto, que hoje parece arrependido, sem nunca ter confessado os seus crimes. E poucos acreditam que um dia terá a ousadia de o fazer, enquanto este regime se mantiver de pedra e cal como único dono da situação angolana. Crimes cometidos, muitas vezes, porque queria apenas cumprir ordens superiores, outras vezes por vinganças, e até mesmo por pequenas brigas, entre camaradas, como aconteceu com o Serra Van Dunen, morte que ainda vai deitar muita tinta nos próximos capítulos do Ango-Confidencia.
Ele era mesmo poderoso, levava sempre de vantagem aos outros, e a sua relação de distanciamento com aquilo que assombrava a todos nós mortais era outra vantagem para ele.
Para além de estilo, carros e dinheiro, também tinha mulheres que trabalhavam para ele, que geralmente eram utilizadas para missões um tanto complicadas, onde o sexo feminino era a melhor carta. Exemplo: transporte de veneno entre as unhas, que parecia um simples bâton, para além de outras coisinhas bem sofisticadas que pareciam simples brinquedos e afinal eram tecnologia já moderna de espionagem, que nem sabemos onde FGM ia buscá-las. Pessoas tão simples mas com permissão para matar, como nos filmes de James Bond, um dos maiores agentes secretos que conheci de filmes nos cinemas de Luanda de outrora, Ngola Cine, Império, Avis, Miramar, Tropical e outros tantos. As agentes, que trabalhavam para ele, apresentavam as facetas mais perigosas da época, que nem já no tempo da tenebrosa e famosa Disa. Muitas delas faziam-se passar por prostitutas, doentes mentais, estudantes universitárias, zungueiras, funcionárias da Taag, aeromoças, etc. E para mal dos pecados, até de madres, que andavam de hospitais em hospitais, se calhar à procura de algum inimigo que ainda dava sinais de vida, ou dava o seu último respiro. Há quem diga que foi ele quem trouxe para os serviços secretos angolanos os equipamentos mais sofisticados de escutas telefónicas, e parece ter sido aí onde rebentou a maka toda, ao captar contactos telefónicos entre JES e Kopelipa sobre negócios da China, avaliados em largos milhões de dólares, que seriam lavados.
FGM teve uma subida de rompante e assustadora. F.G.Miala soube aproveitar uma altura em que o SIE vivia um momento não muito bom, porque quem o dirigia na altura acabava de desertar para se juntar ás fileiras da FLEC. Daí que F.G. M começou a subir, parecia não parar mais, até atingir o ponto de ser considerado o homem mais temido não apenas em Angola como até mesmo em países vizinhos.
Algumas pessoas até com uma certa ironia diziam: Onde o homem passasse, se não deixasse fogo, deixava fumo, e raras vezes não levava o seu trabalho muito a sério.
Como operativo, mereceu sempre todo o meu respeito, embora tivesse entre os seus agentes “bufos”, ou seja, informantes, destacados principalmente em embaixadas, transformados em verdadeiros comerciantes e traficantes de quase tudo. Desde passaportes até ao trafico de crianças para asilo em países da Europa, utilizando os vistos da embaixada, como tem feito desde há vários anos uma conhecida e famosa senhora de nome Noema na capital alemã. Curiosamente, essa mesma senhora tem feito até aos dias de hoje da embaixada de Angola em Berlim uma autêntica “casa da mãe Joana”, perante o olhar cúmplice de alguns diplomatas de palmo e meio que lá funcionam, entre roubos, desvios e troca de passaportes deixando sempre a ideia de que o negócio parece lucrativo e onde todos ganham.
Esse é o comportamento crónico que caracteriza a maioria dos agentes secretos mobilizados e colocados em quase todas as embaixadas, desde os bons tempos, como consideram, do chefe Miala. É, sem exagero, gente a mais, e na sua maioria incompetente, que pensam que ser agente secreto significa andar a vida inteira a transportar veneno de um lado para o outro, e depois colocá-lo na comida ou na bebida do fulano de tal.


Que FGM foi o estratega da queda da UNITA, disto ninguém tenha duvidas, assim como já impediu várias vezes que JES fosse contestado dentro do seu próprio MPLA. Utilizando as suas garras de leão e argumentos de peso, conseguiu cortar todo o apoio que a UNITA de Jonas Savimbi recebia de muitos países africanos, e devemos reconhecer que fê-lo com muita competência. Se valeu pena ou não, cabe a outros julgarem.
Outro momento importante na sua carreira foi quando desmantelou um grupo de figuras importante do MPLA, incluindo Lopo do Nascimento, que planificavam apresentar um memorando a JES e contestar a sua legitimidade. Garcia Miala, como andava em todas e levava sempre vantagem sobre os outros, descobriu atempadamente a “trama” contra o seu chefe, acabando por fazer um trabalho “brilhante” do ponto de vista operativo, desmantelando todos os planos e dando conhecimento ao chefe. Depois foi só domesticar os presumíveis autores e seus membros, e ainda teve tempo de sobra para fazer chantagem contra aqueles que queriam enxovalhar o chefe.
Foi daí que JES, reconhecendo a boa acção de FGM, lhe deu como recompensa toda a liberdade, incluindo para matar, e assim começou aquilo que consideramos de extermínio dos discordantes. FGM controlava tudo, mas nunca previu que JES afinal também estava metido na lavagem dos milhões de dólares dos negócios da China e outros.
Desde que F.G.Miala foi afastado, já foram registados alguns casos bizarros de morte entre alguns dos seus confidentes, que lhe prestaram solidariedade quando estava detido. Como se tratasse de uma caça às bruxas, mesmo entre os menos cotados poucos sobreviveram às acções de limpeza levadas ao cabo por ordens e instruções de Kopelipa. Há relatos que circulam em meios restritos sobre agentes secretos observando quase todas as movimentações de pessoas que antigamente eram vistas com o F.G.Miala, assim como também familiares dos mesmos serem ostensivamente seguidos por pessoas suspeitas de trabalharem para Kopelipa e Zé Maria, ambos apontados como os grandes carrascos de F.G.Miala.
Aqueles que defendem apaixonadamente FGM, geralmente alegam que as pessoas que o quiseram tramar não passam de simples aderentes do falatório dominante por imbecilidades, ou por interesses patrimoniais e políticos, pobres diabos que perderam o rumo e rodam à volta do todo poderoso JES, sonhando com uma Angola só para eles. Enquanto outros calam-se, sabe-se lá como, e defendem ferozmente suas regalias, como quem diz: Quem o mandou ser assanhado?
Os outros estão na sua, acumulam as suas riquezas, sabe-se lá como, e defendem ferozmenteas suas regalias. Respeitem por favor a indignação, revolta e a tristeza de quem carrega uma dor no peito, por ter perdido um irmão, primo, marido, sobrinho ou filho vitimas de FGM ou de outro qualquer agente secreto. Como homens e cidadãos angolanos, temos ao longo da vida que procurar ajudar a construir o novo mundo, que é para nós um país solidário e justo, onde os bufos também podem ter o seu lugar.



Parte II
Terá sido Fernando Garcia Miala, o agente secreto mais modáfoca, que angola já conheceu?
Há outros que sempre deram pouco nas vistas, mais não deixam de ser tão perigoso quanto FGM. Por obsessão de JES pelo controle das mentes angolanas , Fernando Garcia Miala e sua gente , ia longe de mais nas suas missões operativas.Espionando e destruindo seja como fosse , todos aqueles que , eles achassem como intrusos , ou pedras no caminho do chefe.
Morreram angolanos pelas mãos da secreta, de forma tão cruel e seus corpos, muitas famílias nunca viram. Miala nem sempre teve o controle total , dos tantos agentes que ele próprio tinha recrutado , e mandou recrutar , como nos parecia. Sabe-se de assassinatos, que até ao próprio Miala, tinha causado, um certo espanto, pela forma como, foram executados.
Miala controlava os outros mais esqueciam-se de que, também estava a ser controlado, por seus amigos e inimigos. E por vezes até, de forma maldosa por pessoas, que estavam á espera de um erro seu. Como veio a aconteceu , ao espionar as conversas secretas e negócios do chefe.
Também é sabido que Fernando Garcia Miala, sempre teve grande preocupação, em infiltrar agentes seus, em países onde existe grande afluxo de angolanos residentes. Com missões bem específicas , incluindo para controlar hospitais onde geralmente , são assistidos pessoas ligadas á oposição , e até mesmo ao próprio MPLA.
Como na Inglaterra, Portugal, África do Sul e Brasil, onde já morreram uns tantos angolanos. Mortes que deixaram sempre grandes dúvidas entre a comunidade angolana , residente nestes países.Como a maioria dessas mortes nunca são esclarecidas de forma credível , logo , o que se pensa e justamente , é que foram vitimas da secreta.
Pois é longa, a lista de assassinatos, com a assinatura bem patente, dos serviços secretos angolano. Não foram poucos os que foram também mantidos sob detenção , nas mais variadas situações , sem qualquer motivo.
E privados de qualquer acesso ao mundo exterior e do mínimo de contacto com seus familiares e amigos. E alguns mal eram soltos , acabavam por desaparecer misteriosamente , sem nunca deixarem algum rasto.A tortura de detidos durante interrogatórios , aparentemente para dizerem coisas de que , nem sabiam , já fazia parte também , da rotina diária secreta , de FGM e seus homens.
Assim como apuramos, houve detidos que durante interrogatórios foram obrigados a assinar documentos de olhos vendados. E sem a mínima possibilidade de ler o seu conteúdo , pratica essa , que também tinha sido utilizada , com os presos do fraccionismo no ano 1977, segundo alguns depoimentos de ex-presos.
Houve presos que eram postos em liberdade e insinuados, para fazer declarações contra a UNITA e denegrir algumas instituições cívicas, que operam no país. Essa prática contra a UNITA , também foi utilizada por figuras importantes do regime , que insinuavam seus familiares , para fazerem o mesmo contra a UNITA , nos canais da TPA
Exemplo: Pedro Sebastião , quando ministro da defesa , obrigou um dos seus sobrinhos que era simpatizante da UNITA. Para que fosse publicamente , fazer o mesmo que já tivera feito ( Guida Paulo ) que chegou a ser considerada uma das melhores locutoras da Vorgão na famosa Jamba.
Fernando Garcia Miala fez desaparecer, muita gente, algumas delas ainda estavam na semente da juventude, se levar em consideração, os que desapareceram com pouco mais, de 30 anos de idade. Alguns poderiam ainda estar vivos e darem a sua tão desejada contribuição , para a reconstrução do país , por mais suspeitos que fossem , para os seus serviços secretos .
O assassinato seja de quem for não é moralmente justificável.
O assassinato de um líder político como Nfulupinga, que estava em florescente carreira, foi um claro e presente perigo, para a causa da liberdade e democracia em Angola.
Não se mata ninguém apenas porque não concorda connosco, ou com o nosso chefe. E pior ainda , quando se cria todo, um cenário á volta de uma morte que 97% dos angolanos sabem que é obra da secreta , para iludir , os menos atentos.
Assassinatos cruéis e sem compaixão, que raramente são praticados por pessoas com consciência limpa.
Aliás, é ainda hoje decorrente de que, pessoas moralmente melindrosas, não poderem fazer parte, dos esquadrões de extermínio que a secreta angolana, parece ter treinada para matar. Eles matam e escondem o pau , e as instruções dizem que :
(Jamais o acto de assassinato pode ser escrito, ou registrado)
As técnicas da secreta do tempo de Fernando Garcia, e as dos dias de hoje, pouco ou quase nada mudou.
Suas aplicações variam de acordo com:
Se a vítima não tem consciência (do perigo que corre), se ela tem essa consciência, mas está sem protecção, ou se está protegida. Há casos também , em que o assassino também é morto em seguida á vítima , para não deixar qualquer rastos , e possíveis possibilidades ,de investigações , num futuro.
Os assassinatos nos quais a vítima não tinha consciência (do perigo que corria) era denominado pela secreta de Fernando Garcia Miala, por (Simples), segundo apuramos. Aqueles onde as vítimas estavam conscientes , mas sem protecção , seriam denominada de ( Está no papo ).
Aqueles onde as vítimas estavam protegidas eram denominados, simplesmente “protegidos “Enfim, como todas os serviços secretos, cada um tem os seus adjectivos, para suas missões operativas, e não nos acabe agora estarmos aqui, a dar aulas sobre (Contra inteligência militar ou civil).
Quando os assassinos têm que escapar, como no caso dos assassinos de Nfulupinga, Ricardo de Melo e outros, eles observaram para que, nenhum compromisso pudesse existir.
Como quem diz; (O nosso assassino tem que ser protegido atá á última gota e não deve cair vivo nas mãos dos inimigos). Que somos nós , na consciência deles , porque passamos á vida vasculhando seus crimes para os tornar públicos , alertando á nação , ou porque não concordamos com a corrupção. Um adicional, tipo de divisão é causado pela necessidade de esconder o facto, de que o alvo foi vitima de assassinato por motivos políticos, como no caso dos dois assassinatos que reportamos (Nfulupinga & Ricardo Melo).
É desta forma que, se o encobrimento é desejável, a operação é chamada de “secreto” se o encobrimento é secundário. O ato é chamado ” aberto ” enquanto que , se o assassinato requer publicidade para ser efectivo , ele é geralmente denominado ” terrorístico ” .
Fernando Garcia Miala e outros magnatas actuais da secreta angolana procuram sempre e cada vez mais recrutar fanáticos (as), para os Serviços Secretos. Uma vez que um fanático é instável psicologicamente, e a secreta sabe como manipulá-los com muito cuidado, tornando-os mais insensíveis, desumanos e brutais. Existem exemplos de sobra e na devida altura, vamos divulgar os nomes de alguns fanáticos que trabalham para secreta.
Que já são considerados, como altamente perigosos, por um estudo que foi feito, sobre o perfil, de cada uma dessas pessoas. Aos fanáticos nunca interessa saber a identidade dos outros, pois apesar da intenção de que ele morra durante o ato, algo que possa sair errado?
O ponto essencial dos assassinos quer do tempo da secreta de Fernando Garcia Miala como dos dias de hoje, é a morte do alvo, ou seja, atingir certeiramente. E eles sabem como podem eliminar um ser humano, e estudam todas as maneiras, mesmo aquelas que nos possam parecer impossíveis.
Para eles , a técnica especifica , depende sempre de um amplo número de variáveis dados, mas constante em um ponto, que é quase sempre, a morte absolutamente certa. Assim trabalham eles todos, Kopelipa, Zé Maria, Garcia Miala, Xavita, Osvaldo Silva, Sebastião Lopes, Barros, Domingas Ceitas e outros tantos, ao serviço de uma secreta que mais se parece como um verdadeiro bando de assassinos.
Eles sabem como matam um homem, com as mãos nuas, mas muito poucos são hábeis o bastante, para fazê-lo tão bem, como os homens treinados por FGM.


13 Janeiro 2011
FGM; Bicesse, Paz e Conseqüências colaterais


 Já passou muito tempo desde aqueles tumultuosos tempos e acontecimentos que deram origem à prisão (justa ou não) de FGM e pares, e também já algum tempo passou desde que os mesmos foram restituídos à liberdade (justa ou não), mas é impressionante constatarmos que a poeira ainda não assentou (será que assentará tão cedo?). Os efeitos colaterais de tais eventos persistem até aos nossos dias, acredito piamente que os estigmas desta ocorrência acompanharão FGM e ‘pares’ para sempre, enquanto durarem as suas vidas, ou até um pouco mais além. Provavelmente um dia a história se encarregará de apurar o que de facto aconteceu.
FGM e a ‘turma’ foram pura e simplesmente escorraçados que nem ‘ratos’ velhacos, estropiados e atirados para o ‘fogo’ onde ainda se encontram a ‘arder incrédulos e a contorcerem-se de dores’.
FGM foi, como é sabido, um operativo dos serviços de inteligência, muito competente, muito penetrante e imaginativo. MPLA-JES e JES muito pessoalmente, devem abundantemente à sua idealidade e competente operatividade a sua permanência no poder e quiçá a vida. Mas JES, aparentemente sem motivos, a-despropósito, implacável e insensível, atirou FGM e pares para a ‘geena’ mandando simplesmente para as urtigas a brilhante folha de serviço dos indivíduos. Verdade é o ditado: na política não há amigos permanentes, há aliados convenientes.
Por força da sua prisão e posterior julgamento, FGM é hoje o ícone imerecido e involuntário que pôs a nu as tremendas e injustificáveis debilidades do sistema de Justiça em Angola, demonstrando que nunca esteve (não está) independente e que é crassamente político e ‘pessoalizado’ por JES. Sem querer, FGM passou a ser a ‘cabeça’ da denúncia contra as debilidades da Justiça Angolana. Por isso um importante sector da Sociedade Angolana não está disposto a ‘atacar’ tal figura, com receios de que a ‘causa’ fique sem um ‘mártir’ vivo, ou melhor, sem um ‘estandarte’.
“Na política não há inimigos permanentes, os adversários de ontem pode ser os parceiros de hoje ou amanhã.”
Mas gostaria evidenciar um outro ângulo relacionado com a personalidade de FGM, arrolado com a questão acima, que bem como todas as outras acções de FGM afectaram directa ou indirectamente milhares e milhares de outros cidadãos. Com o passar do tempo, acho que agora é a melhor altura de se falar do ‘assunto’ sem que nos deixemos influenciar e inflamar pelo ardor do mesmo.
FGM nunca foi uma pomba. Alias tão fulgurante ascensão no seio da mais volátil comunidade de Angola, como é o Futungo/Futunguistas assim o demonstra, (um autêntico ninho de víboras e escorpiões). FGM é uma mescla rara de víbora e escorpião. Pois claro, uma pomba não convive com víboras e vice-versa e, mais claro ainda, entre as víboras a convivência nunca é pacífica, fraterna e cordial, é uma convivência hipócrita e apócrifa, e naturalmente sobrevive o mais pérfido; só que a sobrevivência por longo tempo, em tão depravada comunidade, é sempre um verdadeiro feito, ninguém sabe quando a mordidela fatal lhe é aplicada, vive-se de aparências e para as aparências. E FGM está aí a provar o próprio veneno, ‘picado’ numa altura (pelo que se consta) em que estava lealmente a laborar mais um plano de defesa da imagem do chefe-mor. Nunca lhe passou pela cabeça, que a picada traiçoeira e mortal viria precisamente dos tentáculos do idolatrado chefe. Ele próprio (FGM) foi useiro e vezeiro de tal insidiosa artimanha, que vitimou centenas de ingénuos cidadãos, alguns deles familiares e antigos amigos do peito de FGM.
Uma vez mais a questão!
FGM esteve mesmo, envolvido numa tentativa de golpe de Estado?..
Respondendo assim, rapidamente: na minha opinião, Não. Porquê?.. Porque FGM nunca foi chefe militar, isto é, chefe de tropas, pois que para fazer um golpe de estado, é sabido ter o clássico envolvimento militar, ou de um importante contingente militar, para o efeito.
Mas, analisemos os factos que antecederam tal acusação…
Por necessidade da implantação e implementação dos acordos de Bicesse, a desmobilização do efectivo das FAPLA no âmbito dos dito acordos, que foi feita de forma um tanto ou quanto atabalhoada, afectou grandemente o importante e enorme efectivo do MINSE (o baluarte-guardião do sistema). Este último, pelos vistos, parece que foi a verdadeira vítima, que pagou a factura mais cara e dolorosa do processo de reconciliação entre o MPLA e a UNITA particularmente e os Angolanos de forma geral.
Partes do efectivo do MINSE (alguns dos oficiais) transitaram para o MININT, e cerca de 70% foram abandonados pura e simplesmente à sua sorte em nome da reconciliação nacional. Oficialmente foram considerados excedentários (designação pejorativa que se convencionou chamar a tais efectivos), e pediu-se-lhes que aguardassem por nova colocação em outras áreas. Uns e outros (a grossa maioria) aguardaram pela desmobilização oficial e com a promessa de posteriormente serem incluídos na Reforma social-militar, de forma a garantirem o seu sustento individual, TODOS ELES CHEFES DE FAMILIAS, portanto provedor do sustento das respectivas famílias.
Quando o Estado Angolano se viu na necessidade de travar a guerra para acabar com a guerra, face ao não reconhecimento dos resultados eleitorais de 1992 por parte da UNITA, todo o efectivo excedentário (?!), por uma questão de sobrevivência lógica, alinhou na pronta defesa do MPLA e na sobrevivência do Estado (tinham outra opção?), como garantia da sua própria sobrevivência individual. Naquela altura, Savimbi e toda a máquina de Propaganda da Unita destilava um ódio e aversão muito especial ao que se arbitrou chamar na época de MINSE-DISA. Estes foram alvos predilectos da caça às bruxas que Savimbi desencadeou um pouco por todo o País, e com razão, pois estes ‘bateram’ consistente e impiedosamente na UNITA no cumprimento das suas várias missões, atribuídas pelo sistema, isto é, pela direcção do MPLA e do Estado, constituíam a primeira linha de defesa do MPLA, e consequentemente inimigos viscerais de todos os inimigos do MPLA em geral e da UNITA-Savimbi em particular.
Por força do contexto político que se vivia, reformulou-se o conceito dos serviços de Segurança do Estado e posteriormente revitalizaram-se tais serviços. Todo pessoal antes considerado excedentário, dispensado por força dos acordos de Bicesse, esperou obviamente voltar a reintegrar os serviços, e enfim, voltar a servir o Estado Angolano (uma vez que os acordos de Bicesse deixaram de vigorar na prática). Deixe-me dizer que este pessoal era composto mui principalmente por uma gama multifacetada de especialistas em matéria de segurança do Estado, desde operativos de Contra Inteligência Geral (CIG), oficiais da Técnica Operativa (DTO), oficiais interrogadores e de investigação pública (afectos ao Departamento de Operações e Investigação – DOI), etc., etc, formados em diversos Países tais como Cuba, ex-URSS, RDA, Bulgária etc., indivíduos a quem o Estado Angolano investiu milhares e milhares de USD em formação profissional. Foram deixados propositadamente para trás, muito inconveniente, e apressadamente deu-se inicio no País inteiro (por mais incrível que pareça) a um recrutamento maciço de jovens INEXPERIENTES, muitos deles sem prova de fidelidade ao sistema (como se impunha na época), para integrarem os diversos serviços de segurança e pior, sem terem nenhuma formação militar, deu-se ordens específicas para se evitar os antigos membros da Segurança do Estado (os chamados excedentários). Com que intenção? Que planos ocultos estava por detrás de tal intenção?!
FGM naquela altura já era um muito influente operativo na complexa estrutura da Segurança do Estado, e ‘colado’ ao JES, isto é, já tinha ganho o estatuto de Futunguista, calcorreando a rota elitista do estrelato. FGM esteve por detrás, da fatídica ordem: “evitem os ex-MINSE, são TRAIDORES e desertores”. FGM, desleal e traiçoeiramente, atirou literalmente para as ruas da amargura milhares e milhares de ex-colegas. Estima-se que a nível do País, são mais de 30.000 efectivos, para possibilitar deste modo a inclusão de outros tantos nas estruturas da Segurança do Estado. FOI O INICIO DA JOGADA SUJA E PERVERSA DE FGM. Que objectivo esperavam alcançar, FGM e os demais que estiveram por detrás desta famigerada decisão?
O recrutamento maciço de novos operacionais, em detrimento dos que há vários anos ou décadas já se encontravam em serviço, naturalmente levantou ‘muita poeira’. Era incompreensível, ninguém num combate mortal (como era então o caso, pois o País ainda estava em guerra) substitui ‘veteranos e experimentados Francos atiradores’ (na ala da frente de combate mais vulnerável) por atiradores formado à-socapa ou às três pancadas, pois a experiência e a ‘veteranice’ são sempre dados muito importantes a se ter em conta.
A nível do País, consequentemente, começou-se a esboçar um movimento de descontentamento geral desta tão importante massa de efectivos, abafados por vãs e ímpias promessas que nunca passaram mais do que isso. O que o efectivo pediu (pede) apenas foi (é) o seguinte;
1. A desmobilização (incompreensivelmente, os efectivos acima mencionados jamais foram desmobilizados, até à presente data).
2. A consequente integração na reforma social das FAA.
Tal nunca foi feito. A maior parte dos indivíduos afectos ao assunto acima mencionado, hoje encontram-se na faixa dos 50-60 anos. Serviram o MPLA e o Estado Angolano, muitos deles desde 1974, e nem sequer uma certidão de contagem do tempo (de serviço ao Estado) se lhes foi outorgado, para assim, poderem concorrer em demais estruturas do Estado ou recorrerem a outras formas de pensão/reforma. Literalmente estão comendo o pão que o diabo amassou, por um dia terem a veleidade de aceitarem integrar a primeira linha de defesa do MPLA. Abandonados pelo sistema e pelo comandante em chefe, malvistos pela maioria da sociedade, andam à deriva no lamaçal de desgraças permanente em que se transformou o País.
Mas, parece-me, desviei-me um bocado do desiderato da questão principal, que motiva o presente artigo: “por que o recrutamento de novos efectivos em detrimento do anterior? Que intenção se ocultou por detrás desta?”
• FGM ganhou inquestionavelmente preeminência dentro do novo efectivo dos serviços de segurança (90% noviços). Sabe-se, por razões óbvias, que qualquer intenção malévola contra o Estado não tem êxito se os serviços de segurança não estiverem devida e antecipadamente amordaçados, penetrados ou mansos.
• FGM ganhou, entre os poucos (da velha guarda) que ainda se mantinham no activo, o “eterno agradecimento” e subordinação-Lealdade afectiva e efectiva.
• FGM iria ‘guardar’ e manipular o descontentamento óbvio do efectivo chamado excedentário, para o jogar na altura conveniente (um autêntico barril de pólvora).
• Alguns dos ex-operativos da comunidade de inteligência foram reintegrados no MININT e outros nas FAA, com cargos excelentes, como foi o caso do antigo comandante geral da Policia Ekukui, um ex-membro dos quadros do MINSE, e que de certa forma gravitavam na órbita de influência de FGM.
FGM, naltura certa, deu inicio e de forma muito brilhante e magistral à “lavagem” da sua imagem. Acoplou à sua já muito activa tutela a responsabilidade de resgatar a dignidade da criança, um assunto muito sensível e que absorveu de imediato a atenção e emoção de todos os Angolanos de boa fé. Como excelente operativo, “promulgou” uma magnifica campanha de publicidade apoiada por artistas credenciados e queridos do nosso ‘music hall’. A campanha foi um estrondoso sucesso, como que da noite para o dia; o breu tenebroso da escuridão deu lugar a uma luz resplandecente, com um rosto repentino e amplamente simpático. Foi a mais bem sucedida campanha de lavagem de imagem que teve lugar neste País (sem a intervenção estrangeira). JES ficou deveras diminuído e FGM estava a agigantar-se “na maior das calmas e de forma segura”. FGM saiu integralmente da obscuridade total para a popularidade total.
Com que intenção FGM se envolveu em tal campanha? Pois que, como se veio a saber posteriormente, não se coibiu, para o referido objectivo, em lançar mão das verbas alocadas às funções meramente operativas e muito menos de fazer uso da sua eminente posição nas estruturas do Estado, para ampliar e promulgar a sua noviça actividade no ramo: Criança Futuro. Repentinamente, o projecto foi adoptado ‘com naturalidade’ como projecto da Nação.
Porque FGM teve necessidade de fazer política? Porque FGM teve necessidade de Limpar a sua imagem, ou melhor, de fazer resplandecer a sua imagem, ofuscando a de políticos que na altura estavam na ribalta, tais como Kundy Paihama, Nandó, Kwata Kanawa, Dino Matross, entre outros? O projecto Criança Futuro era a novidade ‘divina’, parecia embaciar e substituir o MPLA-JES.


O QUE SE ESTAVA A DESENHAR NO HORIZONTE?
- Cerca de mais de 30.000 ex-operativos, considerados excedentários e ostracizados, a fermentar propositadamente na cuba do descontentamento e da revolta. Tais indivíduos podiam na devida altura ser moldados e direccionados para alvos e objectivos “apropriados”. Alias, ainda se encontram ‘alagados’ na referida ‘cuba’, à mercê de “algum perverso transeunte”.
- Os efectivos de toda a comunidade de inteligência, sob controlo ou sob influência directa de FGM.
- A Policia quase no seu todo e alguns sectores das FAA, sob influência ou a gravitar na orbita do FGM.
- Adicionem o projecto Criança Futuro, que se não se devesse aos acontecimentos mencionados na génesis deste, ir-se-ia transformar de certeza no núcleo de um Partido Politico.
FGM esteve de facto, envolvido numa tentativa de Golpe de Estado?!
- Claro que não!.. Mas tudo leva a crer que estava em preparação, a estruturar-se, um golpe… (os escombros de tais estruturas ainda estão intactos).
Nguituka Salomão
Angola24horas.com  




16 de Janeiro de 2011 – Semanário Angolense – Fernando Miala não será nada Inspector- geral do Estado


PR estará a preparar uma «limpeza de balneários» em grande escala no sector da justiça, que vive actualmente uma grave crise de credibilidade.
Ainda que o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, proceda proximamente a uma substancial remodelação no Executivo, como já se aventa em determinados círculos que debitam sobre a alta política angolana, ele não mexerá na Inspecção-geral do Estado, pelo que serão completamente infundadas as informações ventiladas sobre a eventual nomeação de Fernando Garcia Miala para a titularidade daquele órgão fiscalizador, em substituição de Joaquim Mande.
«O Presidente da República nunca aventou, pelo menos até agora, a eventual saída de Joaquim Mande do cargo de Inspector-geral do Estado, pelo que, tudo o que se tem dito sobre a eventual ascensão do general Miala ao cargo, em sua substituição, é absolutamente falso», garantiu uma fonte bem posicionada na Cidade Alta.
A fonte chegou mesmo a insinuar que tais informações, infundadas, seriam feitas em jeito de quem atira o barro à parede a ver se cola. Disse ainda que o Chefe de Estado acabou por ficar «chateado» com as especulações feitas sobre o assunto.
Os rumores sobre uma possível ascensão de Fernando Garcia já correm desde há alguns meses, tendo sido publicados em «primeira-mão» pelo semanário «Continente».
Na sua última edição, por alguma ingenuidade, mea culpa, o Semanário Angolense também embarcara na onda, ao afirmar, com base numa «fonte segura» que acabou por se revelar traiçoeira, que «até à última quarta-feira, 23, altura que estava a ser fechada a edição que o leitor tem em mãos, estava tudo preparado para que houvesse uma nova movimentação governamental, sendo, entretanto, a grande novidade a nomeação do General Fernando Garcia Miala, antigo patrão dos Serviços de Inteligência Externa», como Inspector-geral do Estado.
A nossa fonte da Cidade Alta reitera que isso nunca esteve em hipótese, ao menos, até agora. Em face disso, é provável que Joaquim Mande passe a dormir mais descansadamente, depois do «susto» que tais informações sobre a sua eventual substituição lhe terão certamente provocado.
O Semanário Angolense não conseguiu contactar o general Miala, para que ele pudesse falar de sua justiça sobre o assunto.
Entretanto e por outro, a nossa fonte da Cidade Alta informou que o Presidente da República está é a preparar uma «limpeza nos balneários» em grande escala no sector da justiça, assolado por uma grave crise de credibilidade, por conta de vários casos muito mal julgados, e também em face dos esquemas subterrâneos que grassarão manifestamente por lá, alguns por inércia (ou mesmo cumplicidade?) de quem tem a missão de combatê-los, em nome da probidade e outros valores caros.
«Muitas das ‘eminências pardas’ do poder judicial deverão ser substituídas muito em breve», concluiu a nossa fonte.

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