Data de Nascimento: 4 de Outubro de 1953
Naturalidade: Luanda, Angola
Casado com Luisa Giovetti. Seis filhos. De Raquel Carlos Pitta Gros: Ataúlfo Carlos Pitta Gros Vieira Dias (11/02/1975, Luanda); Kopelipa Pitta Gros (Bochecha) Vieira Dias (16/07/1976, Luanda); Saidy Pitta Gros Vieira Dias (09/11/1977, Luanda); Joaquina de Aniceto (Kina) Vieira Dias (08/07/1979, Luanda). De Luisa Giovetti: Carlos de Aniceto (Carlinhos) Vieira Dias Jr. (07/11/1999, Lisboa); Lidiane Giovetti Vieira Dias Jr.(2000, Lisboa).
Nomeado Ministro de Estado e Chefe da Casa Militar, em Fevereiro de 2010, no âmbito da reformulação da nova Constituição da República de Angola.
“Kopelipa”, O Príncipe Das Trevas?
Extractos de um sketch biográfico de M H Vieira Dias “Kopelipa” publicado na newsletter África Focus, nº 586, de 21.Fev.98)
Fonte: AM
A “entourage” de J. Eduardo dos Santos é geralmente identificada em meios adversos ao MPLA (muitos…) como “os miúdos do Futungo”. Nesta definição não está tanto reflectida a juventude biológica dos ditos, mas sobretudo traços do seu perfil (…).
Helder Vieira Dias “Kopelipa” é, nos dias que passam, o mais poderoso dos “miúdos do Futiungo”. É o chefe da Casa Militar do PR, secretário presidencial para os assuntos de Defesa e Segurança, director de um serviço de informações, o SSE, que na prática tem a natureza de “privado do presidente”. E é longa a lista de missões sensíveis que desempenha ao serviço do PR.
Exactamente como acontece em relação a outras figuras-chave da “entourage”, J. E. dos Santos não lhe pede mais que obediência, lealdade e zelo. E uma ausência de ambições, que por não ter estado tão ausente assim custou a carreira a outros. Em troca dá-lhes essa suprema protecção que deriva do seu papel dominante no sistema de poder. (…).
“Kopelipa” é um homem franzino, sem brilho, que apareceu de repente, como um príncipe vindo das trevas. Antes de chegar ao Futungo, inicialmente como responsável do sistema de comunicações (em que é perito) e adjunto do então secretário para a Defesa e Segurança, gen. José Maria (ambos convenceram J.E. dos Santos a construir uns “bunkers” de betão no Fiutungo, para sua protecção), o seu mais notório cargo foi o de comandante da Frente Sul, no Lubango. Foi uma tarefa marcada por alguns dissabores (…) Remonta a essa fase a animosidade que ainda hoje impede que a corrente passe entre ele e França Ndalu ou João de Matos. (…)
Manuel Hélder Vieira Dias Júnior "Kopelipa"
Manuel Hélder Vieira Dias, também conhecido como Kopelipa (Nelito entre a família), é uma figura importante na política angolana. Em 22 Outubro 2004 foi nomeado director do Gabinete de Reconstrução Nacional (Gabinete de Reconstrução Nacional, GRN). O GRN reporta directamente ao Presidente e entre as suas funções como responsável Kopelipa administrava os empréstimos da China.
Criado com a finalidade de gerar emprego para militares desmobilizados, e trazer dinamismo ao esforço de reconstrução do país, o GRN acompanha a reconstrução das principais infra-estruturas destruídas pela guerra, com destaque para uma rede viária de 73 mil quilómetros. Sob a alçada de Kopelipa, estiveram, assim, projectos de investimento avaliados em 10 mil milhões de dólares. Segundo dados oficiais, até ao final de 2009, o governo angolano deverá ter gasto 3 mil milhões de dólares na reabilitação de oito mil quilómetros de estradas.
Kopelipa é um homem que, nos últimos anos, cimentou o seu poder de forma mais ou menos discreta.
Em 24 de Fevereiro 2006 Kopelipa foi temporariamente nomeado sucessor do general Fernando Miala, o chefe do serviço de inteligência estrangeira, e ex-parceiro de negócios de Kopelipa.
Durante a guerra civil de 27 anos em Angola, Kopelipa foi construíndo uma fortuna conjuntamente com o general Fernando Miala, seu sócio na empresa “Simportex”. A razão dos lucros era um monopólio no fornecimento dos uniformes e dos géneros alimentícios ao exército angolano.
Kopelipa foi escolhido para coordenar os chefes das várias agências de inteligência e hoje é chefe da guarda presidencial, em particular, e, portanto, Chefe da Casa Militar da Presidência da República de Angola. Kopelipa é militante do MPLA e é considerado confidente próximo do presidente angolano José Eduardo dos Santos.
Paralelamente às suas funções oficiais, Vieira Dias tem diversos investimentos em Angola. Controla o grupo Media Nova (TV Zimbo, Rádio Mais, semanário O País/Vida, Semanário Económico, revista Exame). A ligação do general à Medianova já foi refutada pelo ex-administrador deste grupo, Álvaro Torre – ele próprio colega de Kopelipa na administração da WWC.
Com vários investimentos de um total de cerca de 10 biliões de dólares, também tem investimentos em Portugal, sendo seu sócio Filipe Vilaça Barreiros Cardoso em, entre outros, activos nas empresas da indústria de viagens Vieira Dias & Barreiros Cardoso.
“Kopelipa” é membro do Conselho de Administração da World Wide Capital, SGPS, S.A, uma holding sedeada na residência do seu principal sócio em Portugal, Filipe Vilaça Barreiros Cardoso, na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Esta empresa, de que o general é o principal sócio, é o quarto maior accionista do Banco BIG, em Portugal, com 7,9% das acções. O presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Manuel Vicente, que também figurava na lista dos accionistas do BIG, com 4,9% das acções, transferiu-as recentemente para uma empresa controlada pelo seu enteado Mirco Martins, conforme notícia do jornal Público, a 20 de Maio de 2010. O BIG mantém, sob custódia, os 469 milhões de acções que a Sonangol tem no maior banco privado português, o Millenium BCP, correspondentes a 9,6% do capital total da referida instituição financeira segundo o relatório e contas da Sonangol de 2008.
A WWC, Worldwide Capital – detém, entre outras, uma
imobiliária – a Superfície Vertical -, em cujo nome estão registadas as quatro propriedades contíguas em pleno Parque Natural do Douro Internacional. Duas na Quinta da Serra, em Escalhão, no concelho de Figueira Castelo Rodrigo, perfazendo aproximadamente 410 hectares. Outras duas, mais pequenas, em Almendra (Vila Nova de Foz Côa),
totalizando cerca de 30 hectares.
Naquelas encostas xistosas, a escassos dois quilómetros da Quinta da Leda, onde é produzido o famoso Barca Velha, já existem cinco hectares de vinha classificada com a Letra B (isto é, aptas a produzir vinho do Porto e Douros de alta qualidade) e perto de 15 hectares de oliveira. Mas a ideia é «repovoar» as propriedades e cultivar vinha de castas durienses, num total de 150 hectares. Além de olival e floresta. O negócio foi fechado «por pouco mais de um milhão de euros» (nas palavras de quem vendeu) com a Casa Agrícola Roboredo Madeira (CARM), que com outro sócio detinha 84% das quintas. O objectivo, confirma à Visão Celso Madeira, presidente do conselho de administração da CARM, é produzir ali vinhos e azeites de altíssima qualidade, em modo de agricultura biológica. A CARM continuará ligada àquelas propriedades, insuflando know how no projecto que envolve capitais angolanos. A cargo da casa agrícola, cujos azeites
e tintos têm merecido rasgados elogios na imprensa especializada, incluindo a revista Wine Spectator, ficará a colocação em marcha do projecto e a sua gestão diária.
Ao que a Visão apurou, a WWC criou, em Maio de 2009, seis empresas agrícolas com sede na Quinta da Serra (de momento desabitada, mas onde existe um núcleo de casas), cujo objecto social é a «exploração agrícola, florestal, cinegética e vitivinícola em propriedade própria ou
arrendada e prestação de serviços relacionada com estas actividades». Embora cada uma tenha a palavra «quinta» no nome, nenhuma corresponde a uma propriedade propriamente existente na região. Trata-se, ao que soubemos, de uma estratégia de marketing. Com o intuito de vender os produtos das quintas da Serra e da Pedra Cavada com marcas diferentes.
Assim, nomes como Quinta do Xisto, Quinta da Águia Real ou Quinta do Mosto, entre outros, poderão figurar, num futuro próximo, no cardápio de rótulos durienses.
A ideia é produzir também para a exportação, possivelmente para o mercado angolano, que em 2007 absorveu so milhões de litros de vinho português.
Além das seis quintas e da Superfície Vertical, a WWC é dona de outra imobiliária – a Colinas do Douro, com sede em Lisboa. Mas os interesses de Kopelipa em Portugal, não ficam por aqui: o general é sócio, numa proporção de 50 por 50, de Filipe Vilaça Barreiros Cardoso (presidente da WCC), na Vieira Dias & Barreiros Cardoso, uma sociedade por quotas virada para a restauração e turismo. Sociedade essa que foi igualmente criada em Maio, mas sem relação accionista com a WWC, embora sediada na mesma morada.
O Semanário Angolense chega a ligá-lo empresarialmente a Isabel dos Santos, filha do Presidente da República, através da Terra Verde, uma extensa unidade agrícola nos arredores de Luanda, que abastece os principais retalhistas, restaurantes e refeitórios com víveres frescos.
Essa quinta é dirigida à distância por Arkadi Gaidamak, um homem de negócios judeu de origem russa, bastante conceituado em Israel. Alegadamente, está associado ao escândalo Angolagate, um caso que deverá ser retomado, antes do final do ano,pelos tribunais franceses. Em causa está a alegada venda de armas russas para Angola, nos
anos 90, ao arrepio das resoluções das Nações Unidas, tendo envolvido Jean-Christophe Mitterrand, filho do antigo presidente francês, o antigo ministro do Interior Charles Pasqua, e o empresário Pierre Falcone.
“Kopelipa” é accionista da Lumanhe. A 13 de Fevereiro de 2004, um grupo de seis generais cedeu, de forma igualitária, quotas na empresa mineira Lumanhe a favor do actual ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, e os sete generais passaram a dispor cada de 14.28% do capital.
Os generais Armando da Cruz Neto, Carlos Hendrick Vaal da Silva e Adriano Makevela Mackenzie continuam activos em funções oficiais respectivamente como governador de Benguela, Inspector do Estado-Maior General das FAA, e chefe da Direcção Principal de Preparação de Tropas e Ensino do Estado Maior General das FAA . Os outros três generais dedicam-se hoje, exclusivamente, aos negócios e são os antigos chefe de Estado-Maior General das FAA, chefe do Estado Maior do Exército e chefe dos Comandos, nomeadamente João de Matos, e os irmãos Luís e António Faceira.
“Kopelipa” é sócio do general Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino” e de Manuel Vicente a empresa Nazaki, que estabeleceu uma parceria com a Sonangol e a Cobalt, um empresa petrolífera americana listada na bolsa de valores de Nova Iorque. O executivo, sem concurso público, concedeu a este consórcio licenças para a exploração de dois blocos de petróleo em águas profundas (9 e 21). Com a Sonangol e a multinacional Brazileira Odebrecht, o grupo também formou um consórcio, através da Damer, para um projecto de 272.3 milhões de dólares destinado à produção de açúcar, álcool e biocombustíveis. O projecto foi aprovado pelo Conselho de Ministros, sob orientação presidencial.
A 12 de Junho de 2009, o ministro de Estado e chefe da Casa Militar da Presidência da República, General Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”, criou, como sócio maioritário (40%), a empresa Auto-Star Angola. Ao director-adjunto do Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN), Manuel José Cardoso do Amaral Van-Dúnem, e ao fiel depositário dos negócios do general, Manuel Domingos Inglês, cabe uma quota de 10% cada. Por sua vez, os empresários Herculano Adelço de Morais e António de Lemos, têm respectivamente 30% e 10% das quotas da sociedade.
Acresce que o website do grupo belga Societé de Distribution Africain (SDA) confirma a criação da Auto Star com o propósito de estabelecer “uma parceria belga e angolana que oficialmente representa a Mercedes e a Evobus, em Angola”. Apresentada como subsidiária da SDA, a Auto Star Angola, segundo o website, dispõe de uma moderna infrastrutura na zona industrial de Viana, com um espaço de 2,000 m², que alberga escritórios, oficinas e stands de venda. A brochura de apresentação da empresa refere que a mesma ocupará uma área total de 89,000 m² com instalações “projectadas pelo Gabinete de Arquitectura da Mercedes-Benz”. O referido espaço está situado na Zona Económica Especial, em Viana, Luanda, sob implementação e jurisdição do Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN). Até Abril passado, o General Kopelipa dirigiu o GRN, enquanto Manuel Van-Dúnem, o outro sócio da Auto Star Angola se mantém como director-adjunto deste órgão.
General Kopelipa vai às compras
Fontes citadas pelo Novo Jornal estimam em 200 milhões o valor da venda da Movicel à companhia detida maioritariamente pelo chefe da Casa Militar do presidente da República. No espaço de seis meses a Porturil- Investiments e Telecomunicações fez aquisições no valor de '569 milhões de dólares.
O general Kopelipa também é accionista do Banco Privado Atlântico (BPA) onde divide interesses, com Manuel Vicente e Leopoldino Fragoso do Nascimento. É igualmente a principal figura da holding que controla a TV Zimbo, O País, Rádio Mais, Publivisão, Dhamer, Imprescrita e também a SHA, Sociedade de Hidrocarbonetos de Angola.
A entrada da PIT no capital do BESA aconteceu ao abrigo de uma nova lei que prevê que o capital de todos bancos privados seja detido por angolanos em pelo menos 49 por cento. De acordo com a Equity Bites a venda de 49 por cento do total das suas quotas de bancos portugueses a grupos ou cidadãos angolanos rendeu aos mesmos, isto é, Millennium BCP, BPI, BES, e Standard Totta, 900 milhões de euros, cerca de 1 bilião e 308 milhões de dólares.
A nova estrutura accionista do BESA, inclui ainda o Banco Espírito Santo de Portugal detentor de 51,94 por cento, assim como a Geny, accionista da Unitel,.e na qual se cruzam interesses de Isabel dos Santos, António Van-Dúnem, antigo secretário do Conselho de Ministros, e Leopoldino Fragoso do Nascimento, chefe das Comunicações da PR. A Geny adquiriu em 2005, 20 por cento daquele banco, por uma quantia não especificada. Cinco por cento do capital do BESA é controlado por membros da administração daquele banco.
A nota do BESA diz ainda que a 27 de Novembro, data em que supostamente fechou a contabilidade, o banco tinha registado lucros de 122.7 milhões de euros, cerca de 178 milhões de dólares.
Os accionistas do BESA aprovaram também um aumento de capital de 10.053 milhões de dólares para 170 milhões de dólares. O incremento de capital foi aprovado na íntegra por todos os accionistas, e realizado em «cash».
O BESA chega ao fim do último trimestre deste ano com lucros de perto de 144 milhões de dólares, um aumento de 66 por cento. O BESA tem 31 agências e vinte e uma das quais em Luanda: O BESA está agora avaliado em 900 milhões de euros, cerca de 1 bilião e 458 milhões de dólares.
Fonte: Semanário Angolense
| O general Kopelipa estará mesmo a «encolher»? |
Recrudesce vaga de rumores acerca de uma suposta perda de poder do homem que, dada a sua influência e papel no «inner circle» de José Eduardo dos Santos, foi curiosamente apelidado como o «Vice-Presidente» Ainda não é o fim de uma era de apogeu.Mas multiplicaram-se os rumores que fazem alusão a uma aparente perda de poder por parte do ministro de Estado e chefe da Casa Militar da Presidência da República, general Manuel Hélder Vieira Dias «Kopelipa». Alguns desses rumores acentuam mesmo uma suposta retracção da sua influência na «entourage» do Presidente José Eduardo dos Santos, facto que lhe havia valido, nos círculos políticos do país, o cognome de «Vice- presidente». Estariam a vir ao de cima os efeitos negativos da sua crescente associação a interesses e negócios com um portfólio tão vasto, muitos dos quais se pensa que decorrerão de um indevido aproveitamento do seu lugar e papel no Executivo. Para muitos, não obstante o facto de Kopelipa se manter entre as primeiras figuras do Executivo angolano, como ministro de Estado e chefe da Casa Militar, outras personagens terão ganhado campo e influência junto de José Eduardo dos Santos. E indicam o retorno avassalador ao «inner circle» presidencial de Carlos Feijó, ministro de Estado e chefe da Casa Civil. Em meio aos rumores, avultam alusões segundo as quais o general Kopelipa foi desapossado do controlo dos fundos provenientes da China, transformada na principal «banqueira» da reconstrução de Angola. Mas o clímax é a notícia que passou a correr nos últimos dias, de acordo com a qual Kopelipa terá sido acometido recentemente de um súbito problema de saúde, na esteira de admoestações que lhe teriam sido feitas pelo Presidente da República. O mal-estar tê-lo-á mesmo forçado a uma discreta e rápida evacuação para tratamento em Londres, à semelhança do que sucedeu em tempos com o vice-Presidente da República, Fernando Dias dos Santos «Nandó». Não foi identificado o tipo de crise de que foi acometido, mas é dado certo que o general Kopelipa padece de problemas de hipertensão. Aliás, os seus rivais estariam também a aproveitar-se desse aspecto da sua «ficha clínica» para fragilizá-lo, arrolando-a negativamente junto do Presidente da República para assim justificar um afastamento subtil, que preservaria o regime da «má reputação» provocada pelos múltiplos «negócios» do general Kopelipa, na verdade prejudiciais para os desígnios perseguidos com a campanha de moralização da sociedade e de combate à corrupção que tem vindo a ser pregada nos últimos tempos. Contas para o contabilista de Al Capone decifrar Pode estar em parte aqui alguma da explicação para a informação segundo a qual o general Kopelipa foi afastado do centro nevrálgico dos dinheiros emprestados pela China. Na verdade,tem sido uma gestão muito opaca. Só o Gabinete de Reconstrução Nacional, que Kopelipa dirigiu,tem a reputação de não ser muito transparente. Durante o processo de julgamento do antigo chefe do Serviço de Inteligência Externa (SIE),Fernando Garcia Miala, este afirmou que dois mil milhões de dólares dos fundos chineses haviam tido sumiço. Foi quando o Ministério das Finanças viu-se impelido a divulgar pela primeira vez números da interacção com a China, mas sem ter sido lá muito convincente. Os montantes tramitados entre o China International Fund (CIF) e o Gabinete de Reconstrução Nacional mantiveram-se envoltos numa certa penumbra: foram dados a conhecer apenas 2,9 mil milhões de dólares, quando seis meses antes o então ministro das Finanças, José Pedro de Morais, anunciara em Xangai que o China International Fund já havia colocado seis mil milhões de dólares à disposição de Angola. «O único que poderia compreender o que quer que seja das relações entre o CIF e o Gabinete de Reconstrução Nacional seria o contabilista de Al Capone», dizia um diplomata de uma embaixada ocidental em Luanda, citado por dois jornalistas franceses, Serge Michel e Michel Beuret, autores do livro «O Safari Chinês – Pequim à Conquista do Continente Negro». Ou seja, por contabilizar ficavam três mil milhões de dólares,que não se sabe bem onde foram parar: se nas mãos de governantes angolanos, ou se o próprio CIF nunca os terá chegado a disponibilizar, já que o organismo sino que controla as operações de financiamento das empreitadas chinesas em Angola é ele também um organismo tentacular e misterioso em forma e conteúdo. Não passou em branco que só na última metade do ano de 2009, o general Kopelipa tenha tido movimentações e investimentos a raiar a cifra gigantesca de 600 mil milhões de dólares. Nesse lapso de tempo tornou-se dono de 40% do capital da Movicel,através da Porturil Investments e Telecomunicações (PIT),companhia detida maioritariamente pelo chefe da Casa Militar do Presidente da República, que passara entretanto a ser detentora de 24% do Banco Espírito Santo Angola, BESA. O general Kopelipa também é accionista do Banco Privado do Atlântico (BPA), no qual reparte interesses com, entre outros, o PCA da Sonangol, Manuel Vicente, e Leopoldino Fragoso do Nascimento, chefe das comunicações da Presidência angolana. Ele é também a principal figura da holding que detém a TV Zimbo, O País, Rádio Mais,Publivisão, gráfica Dhamer, Imprescrita e também a SHA, Sociedade de Hidrocarbonetos de Angola. São-lhe igualmente interesses particulares também no estrangeiro, sobretudo Espanha e Portugal. Depois destes fabulosos lances no mundo dos negócios, muitos chegaram a conjecturar que ele estivesse então a preparar a sua retirada da cena política activa, mas pouco tardou para ser guindado ao posto de ministro de Estado. Ao ritmo do «vaivém discovery» As conjecturas feitas em torno do futuro do general Manuel Hélder Vieira Dias «Kopelipa» datam de alguns anos e têm seguido um ritmo cíclico de vai-vém. Um deles deu-se por altura da sua substituição no cargo de director-geral do Gabinete de Reconstrução Nacional. Para os seus detractores, esse evento simbolizou o início do fim do «império de Kopelipa» na política nacional. Agora corre a notícia de que já não detém as rédeas do intrincado órgão que controla os fundos disponibilizados pela China para a reconstrução de Angola. Porém, em determinados círculos continua a imperar a ideia de que o general Kopelipa está para lavar e durar e que os rumores que circulam não passariam disso mesmo. De acordo com este «outlook», José Eduardo dos Santos continua a depositar plena confiança em Kopelipa, realçando-se a ideia segundo a qual ele é neste momento a âncora do esquema de segurança do Presidente angolano, garantindo a lealdade das Forças Armadas, Polícia, serviços de inteligência e da Guarda Presidencial. Por outro lado, José Eduardo dos Santos aprecia o facto de, de um modo geral, não ser visto em Kopelipa ambições políticas para concorrer ao mais alto posto do país, algo de que se vê privado por «razões genéticas». Kopelipa, afinal, é mestiço. Em tais círculos, garante-se que a sua saída do Gabinete de Reconstrução Nacional não obedeceu a nenhum desígnio para a sua penalização, mas que se teria tratado de uma opção dele próprio. Isto é, foi Kopelipa a decidir sair, tendo inclusivamente diligenciado para que os seus substitutos fossem indivíduos a si ligados por laços de amizade e parentesco, casos do novo director, Teixeira Flor (amigo), e Manuel Van-Dúnem (primo). Afastar-se da direcção do Gabinete de Reconstrução Nacional permitir-lhe-ia elevar a sua respeitabilidade política em vista do novo cargo como ministro de Estado. O Gabinete de Reconstrução Nacional perdera prestígio na penumbra que recaiu sobre todo o pacote das relações com a China. De resto, diz-se que todo o processo de imposição de Teixeira Flor, primeiro como vice-ministro das Obras Públicas e depois à testa do Gabinete de Reconstrução Nacional, foi o culminar de uma «batalha» em que Kopelipa saiu vencedor sobre o antigo titular das Obras Públicas, Higino Carneiro, facto que põe em causa as alegações de que o chefe da Casa Militar estará a perder para os seus adversários. De qualquer modo, o general Kopelipa tem contra si o facto de não ter conseguido levar avante um inquérito judicial que pretendia que a Procuradora-Geral da República instaurasse à gestão de Higino Carneiro como ministro das Obras Públicas. Também não conseguiu travar a defecção de dois afectos seus, nomeadamente Gilberto Verísssimo, afastado do cargo de director adjunto do Serviço de Inteligência Externa, bem como Archer Mangueira, da função de assessor para os assuntos económicos do Presidente da República, antes de ser nomeado vice-ministro do Comércio. Semanário Angolense |
| Notícias - Sociedade |
MANUEL HÉLDER VIEIRA DIAS JÚNIOR, “KOPELIPA”, General das Forças Armadas Angolanas, Ministro de Estado e Chefe da Casa Militar do Presidente da República, vem apresentar protesto à Media Investe S.A., proprietária do Semanário Angolense, pelo seguinte: 1 - O Semanário Angolense, na sua edição nº 377 – ano VII, páginas 6 e 7, do dia 24 de julho, de 2010, sábado, com os títulos “General Kopelipa estará mesmo a «encolher»?” e “Ao rítmo do «vaivém discovery»”, publicou notícias que demonstram haver intromissão na sua vida privada e lesão do seu bom nome, da sua dignidade, do seu decoro e da sua reputação, seus direitos fundamentais garantidos pela Lei e pela Constituição. 2 - A conduta assumida pela Media Investe, S.A., pelo Semanário Angolense e pelos seus servidores, constitui crime, consubstanciado em “injúria, difamação ou ofensa moral à consideração devida a um Ministro”, previsto e punível nas disposições conjugadas dos artºs 55º, nº 5, e 181º, do Código Penal e 17º, nº 2 e 18º, da Lei nº 7/78, de 26 de Maio, com a redacção que lhe foi dada pela Lei nº 22-c/92, de 9 de Setembro – Lei dos Crimes Contra a Segurança do Estado. 3 - A lesão aos direitos morais do protestante poderia ser evitada se os servidores da Media Investe S.A. e do Semanário Angolense assumissem uma conduta pacífica, fundada na urbanidade de tratamento da pessoa do signatário e no respeito pelos seus direitos e interesses sociais ou legais, se fosse consultado antes da publicação das supostas e infundadas notícias, como orientam a Lei de Imprensa e as normas deontológicas que sustentam a actividade jornalística no nosso país, em obediência ao princípio do contraditório. 4 - Com o presente protesto, o lesado exige à Media Investe S.A. e ao Semanário Angolense o devido pedido de desculpas e a reposição pela mesma via dos seus direitos violados, ao mesmo tempo que lhes aconselha ao cumprimento do dever de abstenção da prática de actos que possam resultar na violação da lei ou dos direitos de terceiros, como aconteceu com a veiculação dessas falsas e repugnantes notícias, sancionáveis tanto pela lei penal, como pelo Código Civil ou pela própria lei de imprensa. Junta: Procuração. Luanda, aos 27 de Julho de 2010. Semanário Angolense PR retira a “Kopelipa” competências para questões de segurança Londres - Foram retiradas ao Chefe da Casa Militar da PR, general Manuel Vieira Dias “Kopelipa”, competências em matérias de segurança domestica e ordem pública. As mesmas foram transferidas para Sebastião Martins, o Ministro do Interior e igualmente chefe do Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE). Fonte: Club-k.net Após a última reestruturação da estrutura orgânica da Presidência da Republica (Casa Militar e Civil), o “desk” passou a ter a designação de Secretaria de Segurança e ordem pública. Os seus oficiais funcionam consultando Sebastião Martins que despacha com o PR sem ter que depender destas estruturas como no passado. Antes de Setembro de 2010, por ocasião da indicação de Sebastião Martins para substituir o general Roberto Leal “Ngongo”, como Ministro do Interior, o Presidente da Republica, convocou, no seu gabinete, o actual ministro para lhe transmitir verbalmente indicações e instruções que deveriam ser também, partilhadas com o Chefe do Serviço de Inteligência Externa, André Oliveira Sango. (que agora despacha directamente com o PR sem ter que passar pelo general “Kopelipa”). Em matéria de segurança, Manuel Hélder “Kopelipa”, ficou apenas com a competência da segurança interna do palácio presidencial, isto é organizar, preparar e implementar os dispositivos de segurança e proteção pessoal do PR (e demais instalações presidências e do pessoal que ai exercem funções) providenciando as medidas necessárias que são coordenadas por um oficial superior, o general José João “Maua”, da Unidade de Segurança Pessoal. Um dos indicadores de que “Kopelipa” estaria mesmo a descongestionar-se da vida publica é a sua recente e discreta retirada do grupo de acionistas do grupo de comunicação social “Media Nova”, ao qual tem como sócios, o PCA da Sonangol, Manuel Domingos Vicente, e o ex-chefe do centro das comunicações da PR e agora seu consultor, o general Leopoldino do Nascimento. Opta por manter os seus activos no exterior. Faz parte do Conselho de Administração da World Wide Capital, SGPS, S.A, uma holding sedeada em Lisboa que através do qual fez-se o quarto maior accionista do Banco BIG em Portugal. —————————————– 14 Dezembro 2010 – O Ministro de Estado e Chefe da Casa Militar da PR, general Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa” encontra-se adoentando nos Estados Unidos da America, onde foi submetido a uma intervenção cirúrgica. Inicialmente estava a ser citado como estando “gravemente doente”. “Kopelipa” que em Outubro passado completou 57 anos de idade é uma das mais importantes figuras do circulo presidencial. No passado, costumava a fazer consultas na cidade do cabo, África do Sul. Na altura teria sido submetido a um exame do tipo proctológico resultando numa intervenção cirúrgica. (O general “Kopelipa” tem sob sua alçada a clinica da Multiperfil, porém, não se sabe porque razão nunca foi la para ser operado). —————————————- 05 Janeiro 2011 – O general Hélder Vieira Dias “Kopelipa” é entre os membros do regime a figura que faz pouco recurso a telefone celular. Muda constantemente de numero e Quando deseja comunicar-se com alguém recorre a telefone de terceiros. Os números que disponibiliza como seu pessoal, ficam sempre desligado devido ao uso descartável que faz. Já, o PR José Eduardo dos Santos, usa normalmente o seu telefone sobretudo para se comunicar com os filhos. (O general “Kopelipa” é o único no circulo presidencial com “autonomia” de mexer no telefone de JES). ——————————— |

So mesmo a impunidade que reina em Angola pode permitir que um homem corrupto como esta continue a tratar de assuntos do Estado...
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