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2 de ago. de 2011

Geopolítica: Victor Bout O homem que fornecia Jonas Savimbi em Armas

Esta rubrica é destinada à pessoas com conhecimentos geo-estratégicos e foi alvo de pesquisas profundas antes de ser publicada neste blog. As informações, assim como as fontes são fiáveis e podem ser verificadas. (pink'sblog)

Victor Bout


Data de Nascimento: 13 de Janeiro de 1967
Naturalidade: Dushanbe, Tajikistão, União Soviética

Suspeito de fornecimento de armas à UNITA durante o período da guerra civil em Angola, em que as Nações Unidas tinham estabelecido sanções proibindo esse fornecimento.
Viktor Anatolyevich Bout (Виктор Анатольевич Бут), usando também os nomes Victor Bout, Viktor Butt, Viktor Budd, Victor But, Victor Anatolievitsh, Boris, Vadim Markovich Aminov, Viktor Bulakin

Diz-se que Viktor Bout se tornou famoso a nível mundial com base nas lendas fictícias e histórias verdadeiras contadas a partir de uma única fonte – um funcionário corrupto das Nações Unidas, pago generosamente pelos contratos que ele e outros arranjavam para as empresas de Bout, e que ficou louco de raiva quando Bout recusou continuar a pagar-lhe. Segundo essa versão, todas as histórias sobre Bout terão como origem um relatório de Johan Peleman, escrito como se de uma novela se tatasse, e que tornaram Peleman num perito, num herói e num homem muito rico.
Mas há outras fontes, entre as quais o próprio Viktor Bout.
Antigo tradutor militar soviético, Bout fez fortuna através das suas várias empresas de transporte aéreo, levando carga principalmente para África e Médio Oriente durante a década de 1990 e início da de 2000. Estando sempre disponível para transportar carga tanto para Charles Taylor da Libéria como para as Nações Unidas no Sudão e os Estados Unidos no Iraque, Bout pode ter facilitado, durante a década de 1990 e através da sua frota de aviões de carga, a transferência de enormes quantidades de armamento para várias guerras civis em África.
Embora afirmando pouco mais ter feito do que fornecer a logística, foi considerado como “fura sanções” pelo ex-ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Peter Hain, que descreveu Bout como “o principal canal para aviões e rotas de abastecimento de armamento … da Europa do Leste, principalmente da Bulgária, Moldávia e Ucrânia, para a Libéria e Angola. ”
Fruto da cooperação das autoridades dos EUA e do Reino da Tailândia, Bout foi preso em Bangkok, Tailândia, em 6 de Março de 2008. Os EUA querem que ele seja extraditado, e enquanto a primeira tentativa falhou, uma segunda tentativa foi bem sucedida. Bout irá provavelmente ser acusado num tribunal dos EUA.
Contudo, Bout continua a afirmar estar inocente e a acreditar que vai ser libertado.


História pessoal: Segundo documentação das Nações Unidas e declarações do próprio Bout, terá nascido em Dushanbe, URSS (presenemente capital do Tajikistão), possivelmente a 13 de Janeiro de 1967.
O pai e a mãe eram ambos funcionários públicos (o pai administrativo, a mãe contabilista). Bout frequentou a escola em Dushanbe, a cidade onde os pais estavam empregados, antes de regressarem a Moscovo.
São-lhe atribuídas outras origens – um relatório de 2001 da intelligence sul-africana afirma ser de origem ucraniana.


Serviço militar: Existem várias versões sobre a carreira militar de Bout. Sabe-se que serviu nas forças armadas da União Soviética, tendo estudado no Instituto Militar de Línguas Estrangeiras. Bout diz ser fluente em várias línguas, entre as quais russo, uzbeque, português, inglês, francês e árabe.
No seu site pessoal na Internet, Bout diz que serviu como tradutor no Exército da União Soviética, com a patente de tenente. Outras fontes dizem que chegou a major do GRU, um ramo das forças armadas soviéticas que era integrado por agentes de intelligence e militares das forças especiais; diz-se também que foi oficial da Força Aérea soviética; e também que foi agente do KGB.


Ligações à Intelligence: Acredita-se que na sua carreira Viktor Bout tenha sido ajudado pelas agências de intelligence russas. O Instituto Militar de Línguas Estrangeiras que Bout frequentou tinha ligações ao GRU. Bout terá trabalhado na década de 1980 em África, particularmente em Moçambique, com um agente do GRU, Igor Sechin. Sechin é actualmente vice-primeiro ministro da Rússia e um dos homens mais poderosos no governo de Vladimir Putin. E segundo um relatório de 2002 das Nações Unidas, o sogro de Bout, Zuiguin, “a determinada altura teve uma alta posição no KGB, talvez mesmo de vice-secretário-geral”.
Quando Vladimir Putin consolidou ao longo de vários anos os abalados serviços de intelligence russos, Viktor Bout não foi visto como um proscrito, mas antes como parte de uma rede de fornecimento de armamento russo em rápida expansão.


África: Integrando o contingente soviético de manutenção da paz, Bout terá servido em Angola em 1987. Bout afirma que esteve em Angola apenas algumas semanas. No seu website, Bout diz que começou o seu negócio de aviação em África por altura do colapso da União Soviética. Associados seus dizem que trabalhou em Angola depois de o seu regimento ter sido desactivado.
Nessa altura decidiu abandonar a carreira militar e fundar a sua própria companhia de aviação. Diz que, com a ajuda da família e da mulher, comprou quatro aviões de carga Antonov-8. Diz que não teve outra saída senão operar em África, e paticularmente em Angola, pois foi o primeiro e único país a conceder um certificado para operações civis para o Antonov-8, que até então estava apenas certificado como avião de carga militar.
Bout afirma que o preço baixo que pagou pelos aviões e os salários também baixos das tripulações deram uma “vantagem competitiva inigualável” à sua frota, tornando-o num operador imbatível em África, e que isso tornou em inimigos ferozes os seus concorrente da Europa Ocidental.
Bout estabeleceu a sua base na Bélgica em 1993. Sob pressão das autoridades belgas, moveu as suas operações para os Emiratos Árabes Unidos em 1997. Em 2002, tanto a Bélgica como a Interpol emitiram mandados de captura contra Bout.


Locais de residência: Bout viveu em vários países, incluindo África do Sul, Bélgica, Emiratos Árabes Unidos, Rwanda, Rússia e Síria.


Operações suspeitas: A alcunha de Bout de “Fura Sanções” deve-se a ter facilitado violações do embargo pelas Nações Unidas de armas para Angola, Libéria, República Democrática do Congo e Serra Leoa.
O que tornou Viktor Bout único, foi a sua capacidade de fundir os seus interesses privados de lucro com os interesses estatais no novo mundo globalizado de fluxos incontroláveis de armamento. Bout, muitas vezes sob a protecção dos seus superiores na estrutura de intelligence militar russa, criou uma “loja de serviço completo” para armamento, que podia virtualmente ser entregue em qualquer parte do mundo. O seu acesso aos antigos arsenais soviéticos de armas, aviões e tripulações não teria sido possível sem protecção estatal.
Foi a sua capacidade imediata de equipar grupos como a Frente Unida Revolucionária (RUF) na Serra Leoa e Charles Taylor na Libéria que despertou em meados da década de 1990 a atenção dos serviços de intelligence dos Estados Unidos e Europa Ocidental.
Pelo seu envolvimento na guerra civil da Libéria, as Nações Unidas proibiram Bout de viajar internacionalmente e congelaram as suas contas bancárias estrangeiras.


Armamento da Europa de Leste para Angola: Um relatório de 2000 das Nações Unidas afirma que “… empresas búlgaras de fabrico de armamento exportaram grandes quantidades de diferentes tipos de armas entre 1996 e 1998 com base em certificados (forjados) de utilizador final do Togo.” E que “… somente com uma excepção, a companhia Air Cess, propriedade de Victor Bout, foi a principal transportadora dessas armas a partir do aeroporto de Burgas, na Bulgária”. Essas armas destinavam-se a ser utilizadas pela União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), uma as facções da guerra civil 1975-2002.
Diz-se que outro suspeito traficante de armas, Imad Kebir, terá utilizado a frota de aviões de Bout em meados da década de 1990 para transportar armas de países da Europa de Leste para África. Os carregamentos utilizariam supostamente certificados zairenses de utilizador final, mas o verdadeiro destinatário era a UNITA.
A partir de 1993, a UNITA esteve submetida a um embargo do Conselho de Segurança das Nações Unidas, proibindo a importação de armas (Resolução 864).
Entre Julho de 1997 e Outubro de 1998, o ponto A era Burgas, uma cidade búlgara perto do Mar Negro, e o ponto B era alegadamente o Togo. 37 voos sairam de Burgas com armas – com cargas que incluiram 20 mil granadas de morteiro 82mm, 6300 granadas anti-tanque, 790 espingardas de assalto AK47 M1, 1000 lança-granadas, 500 lança-granadas anti-tanque, 100 mísseis terra-ar, 20 lançadores de mísseis, e quase 15 milhões de munições – que acabaram nas mãos das forças da UNITA de Savimbi. Os carregamentos foram avaliados em 14 milhões de dólares.
Richard Ammar Chichakli, epresentante de Bout nos Estados Unidos, nega que Bout tenha estado envolvido no transporte de armas para a UNITA, mas diz que transportou alimentos e equipamento mineiro para Savimbi em Novembro de 1995. “As armas não são uma boa mecadoria”, diz Chichakli, “perdem-se os clientes”.
O general Jacinto Bandua disse à ONU que entre 1996 e 1998, quando a UNITA se estava a rearmar, Bout era o seu principal fornecedor e que os voos eram preparados de forma a “combinar armas com carga geral para disarçar as suas missões”.
Segundo as Nações Unidas, Bout forneceu certificados de utilizador final à KAS Engineering, empresa registada em Gibraltar, que contratou os envios de armas de fornecedores da Bulgária para o Togo. Os certificados de utilizador final são documentos que validam vendas – e que são exigidos sempre que estejam armas envolvidas, para assegurar a legalidade da transacção – mas como não existe um standard internacional são facilmente forjados.
Um relatório da ONU afirma que “alguns dos certificados de utilizador final foram fornecidos por represenantes da KAS Engineering (Gibaltar) através do comandante de um voo vindo do Togo, e alguns por correio expresso do Dubai, EAU. Investigações posteriores revelaram que o correio era enviado por Viktor Bout”.
Os certificados de utilizador final forjados tinham por base um documento genuíno emitido em Julho de 1997 pelo coronel Assani Tidjani, na altura chefe do estado maior do Exército do Togo, que ele deu a um representante da UNITA, Marcelo Moisés Dachala, ou “Karrica”. O Togo apoiava a UNITA e Dachala era um dos principais angariadores de armas para os rebeldes.
A primeira vez que Bout foi mecionado no contexto de furar o embargo foi em Janeiro de 2000. O ministro dos Estrangeiros britânico Peter Hain nomeou-o publicamente como um dos três “homens de negócios” que estavam a ajudar a rearmar os rebeldes da UNITA em Angola, a despeito do embargo de armas da ONU.

O relatório da ONU sobre Angola publicado em 21 de Dezembro de 2000 traz pela primeira vez à atenção do mundo a questão dos “diamantes de conflito”. Detalha como, em muitas regiões de África, guerras civis se tornaram em batalhas de controlo de território de zonas diamantíferas. As receitas dos diamantes são depois usadas para a compra ilícita de armas e para agravar os conflitos.

Muitos activistas e organizações de defesa dos direitos humanos trabalharam durante anos para eleminar dos mercados internacionais os chamados “diamantes de sangue”. Uma combinação do Angola Report, da cobertura pelos media do comércio de diamentes e das sórdidas histórias do mercador de armas Viktor Bout levaram a que a questão subisse de importância na agenda internacional.
Bout é muitas vezes mencionado na imprensa como sendo “pago em diamantes”, embora não existam provas seguras disso. Parte da razão de ser tão difícil incriminar Bout, é ele criar camadas de empresas e indivíduos entre ele e quaisquer actividades criminosas. Há, contudo, muitas ligações conhecidas entre os “diamantes de sangue” e alguns dos seus associados. Há também um certo conhecimento de que os seus clientes financiam os seus orçamentos para armamento através da venda de diamantes.

O Angola Report inclui infrmações de tentativas de instalação de uma fábrica de lapidação de diamantes em Kigali, Rwanda, onde Bout tem uma base operacional. Essa fábrica prejudicaria seriamente o controlo dos “diamantes de conflito”, dado que somente aos diamantes em bruto pode ser descoberta a origem.
Indivíduos ligados a Bout estavam envolvidos no plano. O Liberia Report menciona que Sanjivan Ruprah, associado muito próximo de Bout – agora preso na Bélgica e uma das principais fontes de informação dos americanos sobre as ligações de Bout aos Talibans – era proprietário de minas de diamantes na Libéria e também vendia armas.


Afeganistão: Logo após o início, em 2001, da actual guerra no Afeganistão, diz-se que a al-Qaeda retirou desse país dinheiro e ouro; “relatórios credíveis” afirmam que alguns dos aviões utilizados para esse fim estavam ligados a Bout. Bout diz que esteve muitas vezes no Afeganistão em meados da década de 1990, mas nega que tenha negociado quer com a al-Qaeda, quer com os Talibans.
A partir de 1994, Bout fez fornecimentos para o governo pré-Taliban, que se viria a tornar na Aliança do Norte, tendo travado conhecimento com Ahmed Shah Massoud, comandante da Aliança do Norte afegã.
Em 1995, Bout estava envolvido no fornecimento de armas ao presidente afegão Burhanuddin Rabbani, então atacado pelas forças Taliban. Um Iliushin-76 de Bout, transportando armas para as tropas de Rabbani, foi forçado a aterrar em Kandahar por um MiG-21 dos Taliban. Bout e diplomatas russos tentaram sem resultados durante um ano negociar a libertação da tripulação. Em 16 de Agosto de 1996, a tripulação conseguiu subjugar os seus guardas Taliban e regressar com o avião a Sharjah; a intelligence ocidental acredita que Bout utilizou esse incidente para estabelecer relações com os Taliban.
A 1 de Janeiro de 2002, o Washington Monthly levou as ligações afegãs de Bout um passo adiante, dizendo que ele tinha mudado de lado e começado a vender aos Taliban enquanto negociava a libertação do seu avião e tripulação em 1995. A afirmação era baseada numa fonte familiar com as actividades de Bout, que disse: “Ele é uma pessoa muito empreendedora. Quando o seu avião foi aprisionado, utilizou a oportunidade como uma forma de apresentação de negócios aos Taliban.”
Poucas semanas mais tarde, a 20 de Janeiro, o Los Angeles Times informava sobre o papel-chave desempenhado pelos Emiratos Árabes Unidos em serem uma base para as operações de lavagem de dinheiro e tráfico de armas da al-Qaeda e Talibans, resultante da falta de controlo do governo. O artigo informava que Bout se tinha juntado a militantes do Afeganistão no emirato de Sharjah, donde, até tão recentemente como princípios de 2001, uma companhia chamada Flying Dolphin fazia voos duas vezes por semana para o quartel-general dos Talibans em Kandahar. O dono da Flying Dolphin, sheikh Abdullah bin Zayed al Saqr al Nahyan, fora o embaixador dos Emiratos Árabes Unidos nos Estados Unidos de 1989 a 1992, e era descrito pela ONU como um associado de Bout.
Fontes da aviação afegã e dos EAU falam sobre uma reunião entre “dois russos” e os representantes nos EAU da Ariana, a companhia aérea nacional afegã, na qual foi acordado que a Air Cess de Bout forneceria rodas, pneus e equipamento militar à força aérea afegã. A Flying Dolphin forneceria o transporte aéreo quando a Ariana não estivesse disponível.
O representante permanente do Afeganistão nas Nações Unidas, citando relatórios da intelligence afegã e americana, disse que os voos da Ariana a partir de Sharjah tinham transportado venenos químicos para Kandahar: “Cianeto e outras substâncias tóxicas compradas na Alemanha, República Checa e Ucrânia”. Disse que “os Talibans nada tinham a ver com isso. Esses químicos eram para bin Laden e a sua gente. Foram alguns desses químicos que utilizaram em experiências”. Antes, os Estados Unidos tinham pressionado os EAU a cortaem as operações de Bout, o que resultou simplesmente em ele mudar as operações para um emirato contíguo.
A história teve um desenvolvimento mais rápido depois de 8 de Fevereiro, quando a polícia belga fez rusgas em 18 casas que se afirmava fazerem parte da rede de Bout. A polícia diz que foram encontradas facturas de vendas à UNITA, passadas no aeroporto de Bagram, no Afeganistão. Sete pessoas foram presas, três ficaram detidas, incluindo Sanjivan Ruprah, até agora a mais importante fonte de provas sobre as operações de Bout.
Ruprah, que tem nacionalidade queniana, aparece nos relatórios da ONU sobre a Serra Leoa e a Libéria como um dos principais operacionais da venda de armas aos países africanos sob embargo. Segundo esse relatório, ele colaborava estreitamente com “as mais altas autoridades da Libéria” e “é um associado próximo de Viktor Bout”. Tem passaportes diplomáticos liberianos sob vários nomes e é vice-Comissário para os Assuntos Marítimos – a Libéria é uma das maiores “bandeiras de conveniência” a nível mundial para o registo de navios. É também traficante de armas, directamente envolvido nas operações de Leonid Minin de venda de armas à Libéria, e é proprietário de minas de diamantes na Libéria.
Apesar de ser útil no Iraque, o negócio de Bout de fornecimento de 50 milhões de dólares de armas aos Taliban criou algum embaraço à administração Bush. O Der Spiegel informou em Janeiro de 2002 que um israelita de ascendência ucraniana, Vadim Rabinovich, com o ex-director dos serviços secretos ucranianos e um filho dele, tinham fechado com os Talibans um negócio e fornecimento de 150 a 200 tanques T-55 e T-62. Segundo uma fonte de intelligene ocidental, os tanques foram transportados por uma das companhias aéreas de Bout sedeadas no Golfo Pérsico.
Uma investigação feita em 2002 pelo International Consortium of Investigative Journalists concluiu que Bout vendeu milhões de dólares de armamento aos Taliban em finais da década de 1990. Alguns peritos dos Estados Unidos e das Nações Unidas afirmam que Bout fez o seu primeiro negócio com os Taliban em 1996 nos Emiratos Árabes Unidos.
Outras fontes de intelligence (baseadas sobretudo em documentos de intelligence belgas) indicam que Bout lucrou cerca de 50 milhões de dólares nos negócios com os Taliban. O MI6 britânico estima que os lucros dos negócios de Bout com os Taliban se ficaram por uns mais modestos 30 milhões de dólares.
Enquanto os relatórios não mostram qualquer prova de que Bout tenha fornecido bin Laden, a proximidade da al-Qaeda ao governo Taliban pode certamente ter facilitado a transferência de material.
Denis McShane, vice do ministro dos Estrangeiros britânico Jack Straw, discutiu em Abril de 2002 as actividades de Bout no Afeganistão, no decorrer de uma sessão de perguntas no Parlamento. Ao fazer comentários sobre um dos aviões de Bout, McShane disse que “antes do 11 de Setembro, esse avião era visto frequentemente a sobrevoar o Irão, ido da Arábia Saudita para Kabul e Kandahar, no Afeganistão. Está actuamente parado em Jiddah, na Arábia Saudita.”
A seguir ao colapso dos Taliban, a companhia aérea “Air Bas” de Bout foi utilizada para tansportar ouro dos Taliban e da al-Qaeda do Afeganistão para Karachi, Irão, Emiratos Árabes Unidos e Khartoum.
Bout tem consistemente mantido a sua inocência quanto a negócios com os Talibans ou a al-Qaeda. Numa entrevista à rádio russa Ekho Moskvy, em Março de 2002, protestou dizendo: “Nunca forneci nada ou tive contactos com os Talibans ou a al-Qaeda”. Bout passou a entrevista a ridicularizar os serviços de intelligence dos Estados Unidos, dizendo que o acusavam para protegerem os seus próprios falhanços depois dos ataques terroristas de 11/9. Disse Bout: “Transformaram-me num saco de treino. É um bom argumento para uma história de terror ou banda desenhada, e levanta a questão da eficiência de todos esses serviços que não conseguiram evitar o 11 de Setembro”.


O valor de Bout para a administração Bush: No Iraque, o valor de Viktor Bout para a administração Bush foi imenso. Sobre os seus aviões e tripulações, um especialista em comércio de armamento afirmou que “eles estavam acostumados a aterrar em qualquer espécie de zona de guerra sem quaisquer problemas. E se um dos seus aviões era abatido, não havia o risco de corpos de pilotos americanos serem arrastados pelas ruas.”
Mesmo que a administração Bush, depois do 11 de Setembro, tenha desconfiado que Bout andava a transportar armas para a al-Qaeda, segundo uma fonte dos servços secretos belgas os Estados Unidos continuaram a utilizar Bout para enviar carregamentos de armas para a Aliança do Norte, para as operações desta contra os Talibans. Em 2004, a administração Bush começou a pressionar para que Bout fosse deixado de fora da lista de sanções das Nações Unidas, a despeito dos esforços da França nas Nações Unidas em Março de 2004 para que as suas contas fossem congeladas e de um mandado geral da Interpol exigindo a sua prisão. Como dizia um diplomata ocidental que estava por dentro do assunto: “Estamos desgostosos por Bout não figurar na lista, mesmo sabendo-se que ele é o principal traficante de armas na região. Se queremos paz na região, parece evidente que ele tem que estar na lista”.
A administração Bush pressionou o governo de Blair a remover Bout da sua lista preliminar de indivíduos a serem incluídos, e isso foi notório. A lógica de Washington era que o caso de Bout devia ser tratado separadamente pela ONU em medidas que dissessem respeito especificamente a traficantes de armas.
Numa análise final, Bout conseguiu operar livremente por duas razões simples: ele fornecia um serviço e era discreto, operando através das suas muitas companhias de fachada.
De facto, Bout evita a publicidade. Como diz um investigador belga, “o problema com Viktor é sempre o mesmo. Ele é um homem útil, e por isso pode contar com um apoio importante”.


Líbano: A Rússia já não tem, como outrora, capacidade de operar livremente no fornecimento encobero de armas no Médio Oriente. Os serviços de intelligence europeus detectaram aviões de Viktor Bout no Irão em 2005 e no Líbano em 2006, alegadamente entregando armamento russo que seria utilizado pelo Hezbollah na guerra com Israel nesse Verão.


Segunda Guerra no Congo: Suspeita-se também que Bout tenha fornecido armas para vários grupos armados durante a Segunda Guerra no Congo, tendo empregado cerca de 300 pessoas e operado 40 a 60 aviões para o fazer.


Outros clientes: Entre outros clientes mais controversos, como Charles G. Taylor, o governo françês, as Nações Unidas e os Estados Unidos da América também utilizaram a frota de aviões de Bout.
De facto, Bout tansportou de tudo, desde flores e frangos congelados, a tropas de manutenção de paz da ONU, soldados franceses e chefes de Estado africanos.
Quando em 2003 os Estados Unidos enviaram por via aérea as suas tropas para Bagdad e não tinham capacidade para as abastecer, foi aos aviões de Bout que foi confiada essa missão.
Quando as Nações Unidas precisaram de enviar auxílio de emergência para as populações deslocadas da República Democrática do Congo, foram a frota e as tripulações de Viktor Bout que se disponibilizaram a fazê-lo.
Em 2005 e 2006, a frota de 50 aviões de Viktor Bout foi subcontratada pela FedEx para transportar para o Iraque armas e equipamento para a Halliburton e sua subsidiária KBR.


Negócios nos Estados Unidos: Os negócios de Viktor Bout nos Estados Unidos incluiram fundar a Air Cess Inc., em Miami, em Setembro de 1997. A empresa foi dissolvida em Setembro de 2001.
O seu agente, Richard Ammar Chichakli, sobrinho de um antigo presidente da Síria, serviu de testa de ferro para a San Air General Trading, registada no Texas.
Depois do 11 de Setembro, Chichakli diz que Bout organizou três voos transportando pessoal militar norte-americano para o Afeanistão, mas não deu mais detalhes.
Richard Ammar Chichakli é um veterano do Exército dos Estados Unidos, amigo da família bin Laden, que foi companheiro do jovem Osama e dirige uma zona de comércio livre nos Emiratos Árabes Unidos. Segundo as Nações Unidas, Chichakli também serviu de controlador financeiro nas operações de transporte aéreo de Viktor Bout.
Chichakli nasceu na Síria em 1959, numa destacada família política. O seu pai, Mandour, foi outrora comandante das forças armadas do país, e um tio seu, Adib Shishakli, governou o país durante três anos, depois de ter comandado um golpe militar em 1951; foi por sua vez derrubado por outro golpe em 1954. Shishakli, que serviu no exercito francês quando a Síria estava sob mandato da França, manteve como governante uma posição pró-ocidental. Era tão próximo de Miles Copland, durante muito tempo operacional da CIA no Médio Oriente, que Copland pediu a Adib Shishakli que fosse padrinho de um dos seus filhos. Depois do golpe de 1954, Shishakli fugiu para o Brasil, e a maioria da família de Richard Chichakli foi também para o estrangeiro. Em 1979, os parentes que não tinham abandonado a Síria foram presos ou mortos no massacre de Hama.
De 1979 a 1986, Chichakli viveu a maior parte do tempo na Arábia Saudita, primeiro estudando na Universidae de Riyadh, depois trabalhando em vários negócios. Disse ao International Consortium of Investigative Journalists que durante os seus dias como estudante universitário costumava “sentar-me e comer sanduiches e cantar” com Osama bin Laden e irmãos, quando “Osama era OK”. Acrescenta que provavelmente conhece uns 40 membros da família bin Laden e que a maioria deles são boas pessoas.
Chichakli mudou-se para o Texas em 1986 e casou; depois disso obteve a cidadania americana. Segundo o seu registo militar, Chichakli serviu no Exército de 1990 a 1993, especializando-se em campos como aviação, primeiros socorros, interrogatório e intelligence. Conseguiu também um certificado da FAA de controlador aéreo, com o grau de controlador aéreo militar. Teve cursos no Defense Language Institute e na Army’s Academy for Non-Commissioned Officers, para além de receber treino convencional e não-convencional de guerra.
Chichakli diz que o seu serviço aos Estados Unidos não se limitou aos três anos de tropa: diz que passou 18 anos trabalhando em intelligence.
Depois de sair do Exército, Chichakli voltou aos Emiratos Árabes Unidos e tornou-se gerente comercial da zona livre de Sharjah. De 1993 a 1996, foi responsável pela maior parte das ligações e actividade comercial do aeroporto onde, segundo a ONU, a maioria das companhias de Bout têm a sua base de operações.
Chichakli ocupou várias posições de destaque nas companhias de Bout.
Chichakli é agente de várias companhias registadas no Texas. A San Air General Trading, que é gerida por associados de Bout, tem Chichakli registado como presidente e director, enquanto que os outros dois nomes que aparecem no registo são Serguei Denissenko e Vladimir Kviazeo. Denissenko, para além de ser gerente da San Air nos EAU, é também gerente comercial da Centrafican Ailines de Bout. A San Air é proprietária dos aviões operados pela Centrafrican Airlines.
A San Air, que utiliza principalmente Boeing 707 e Ilyushin-76, também “fornece armas da Bulgária à República Democrática do Congo” e “transporta carga para o governo angolano”, segundo um documento de intelligence.
“A San Air é uma companhia na zona livre”, diz Chichakli. “Está registada no Texas também. Queria ter uma unidade de manutenção lá, mas não funcionou”. Um escritório na América dá à companhia maior respeitabilidade, acrescenta. Os outros dois funcionários da companhia, Denisseno e Serguei Bout, o irmão mais velho de Viktor, foram para os Estados Unidos em finais da década de 1990. “É uma companhia fantasma, não tem actividade, nem responsabilidade, nem negócios, nem empregados”, diz Chichakli da San Air no Texas.


Mandados de captura: Como Bout estava constantemente a mudar de local, sendo proprietário de várias companhias e rematriculando frequentemente os seus aviões, foi difícil às autoridades porem de pé um caso contra ele. Bout nunca foi formalmente acusado pelos casos de tráfico de armas para África que o tornaram célebre.


Interpol: A Bélgica requereu à Interpol que notificasse Bout, acusando-o de lavagem de dinheiro, e em 2002 foi emitido pela Interpol uma notificação vermelha. O website de Bout afirma que porque não conseguiu comparecer em tribunal, foi passado contra si pela Bélgica (e não pela Interpol) um mandado de captura, que mais tarde foi cancelado.
O site tem um documento em honlandês que apoia a sua afirmação de que o caso belga contra ele foi arquivado devido ao facto de não ter residência fixa e porque o seu caso não poderia ser tratado nos prazos legais.
No dia da sua prisão em Bangkok, a Interpol tinha emitido, a pedido dos Estados Unidos da América, uma notificação vermelha contra Bout. O alegado crime era conspiração para dar apoio material ou fornecer recursos a uma suposta organização terrorista internacional.


Ordem Executiva 13348: Os bens de Bout nos Estados Unidos da América estavam entre os que foram congelados pela Ordem Executiva 13348. A ordem descreve-o como um “homem de negócios, comerciante e transportador de armas e minerais” e cita a sua associação estreita com Charles Taylor.


Julgamento na República Centro-Africana: Acusado em 2000 de forjar documentos na República Centro-Africana, Bout foi condenado in absentia, mas as acusações foram mais tarde retiradas.


Prisão na Tailândia e extradição: Viktor Bout foi preso na Tailândia devido a uma notificação vermelha da Interpol e arrisca-se a ser extraditado para os Estados Unidos, onde foi constituída uma acusação formal contra ele.
A Real Polícia Tailandesa prendeu Bout em Bangkok em 6 de Março de 2008, no culminar de uma operação encoberta montada por agentes da Drug Enforce Administration (DEA) dos Estados Unidos.
Alegadamente, Bout ofereceu-se para fornecer armas a pessoas que ele julgava serem representantes dos rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
Infelizmente para Bout, as pessoas que se encontraram com ele numa penthouse de um hotel de Bangkok e se diziam compradores de sistemas de mísseis portáteis terra-ar, drones não-tripulados e sistemas sofistiados anti-tanque, não eram agentes das FARC, mas sim agentes da DEA. Bout foi filmado a concordar em fornecer 700 armas russas anti-aéreas (MANPAD), 5000 espingardas automáticas AK-47, milhões de munições, vários assessórios russos para as armas, minas anti-pessoais, explosivos C-4, equipamento de visão nocturna, drones não tripulados, e aviões ultra-leves que podem ser equipados com lançadores de granadas e mísseis.
A sua prisão fez disparar alarmes em vários pontos do Mundo, particularmente na Rússia. A reacção imediata do embaiador da Rússia e de outros funcionários da embaixada na Tailândia, que consideraram a prisão de Bout como um ataque ao estado russo, mostra a importância que Moscovo dá a impedir que Bout seja levado a tribunal em julgamento público nos Estados Unidos. O ministro dos estrangeiros russo Sergei Lavrov prometeu que continuará “a fazer tudo o que for necessário para permitir o regresso (de Bout) à mãe pátria”, acresentando que o processo contra ele é “ilegal e político”.
A Rússia prometeu também ao governo tailandês petróleo a baixo preço e aviões de caça se resistir aos desejos de extradição americanos.
Com vários meses de atraso, um tribunal criminal de Bangkok começou em 22 de Setembro de 2008 as audiências para a extradição de Bout.
Em Fevereiro de 2009, membros do Congresso dos Estados Unidos assinaram uma carta dirigida ao Procurador Geral Holder e à Secretária de Estado Clinton em que expressavam o desejo de que a extradição de Bout “mantivesse a máxima prioridade”.
Em 11 de Agosto de 2009, o Tribunal Criminal de Bangkok decidiu a favor de Bout, negando o pedido de extradição dos Estados Unidos. Os Estados Unidos apelaram dessa decisão e em 20 de Agosto de 2010 o Supremo Tribunal tailandês decidiu que Bout seria, de facto, extraditado para os Estados Unidos.
A Rússia não quer que Bout seja julgado nos Estados Unidos e considera que a decisão tailandesa teve motivações políticas.
Se a extradição for para a frente (e segundo a lei tailandesa não são permitidos mais apelos), o que pode Viktor Bout oferecer se optar por um acordo extra-judicial? Pode contar muito sobre as redes dirigidas por russos que continuam a armar os movimentos jihadistas na Somália e no Yemen. Também sabe como a intelligence militar e a estrutura de armamento russas funcionam, incluindo os seus interesses do Irão à Venezuela. Embora tenha apenas 43 anos de idade, o conhecimento que Bout tem destes assuntos abrange mais de duas décadas e possivelmente estende-se ao cerne das campanhas da Rússia no mundo.
Anthony Davis, perito em segurança da IHS Jane’s, diz que as autoridades americanas estão particularmente interessadas em perguntar sobre a proliferação no mercado negro dos 9K38 Igla russos, o mais recente e mortífero míssl terra-ar disponível – especialmente se os Iglas forem parar às mãos do Hezbollah.
Mas a ansiedade dos russos sobre o que Bout possa vir a dizer em tribunal pode ser infundada. A mulher e os filhos de Bout ainda vivem na Rússia, e ele mantém um silêncio estóico, mesmo ao fim de dois anos nas prisões tailandesas.
Quando o jornalista Bertil Lintner se encontrou com Bout na cadeia pouco depois da sua prisão, encontrou o russo invectivando a América e desafiante. Disse “preferir ser um herói russo numa prisão dos Estados Unidos a servir de fonte vira-casacas num negócio clandestino de armas da Rússia”, escreveu Lintner.


As acusações dos Estados Unidos: Um dia depois da sua prisão em Bangkok, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou Bout de fornecer apoio material ou recursos a uma suposta organização terrorista estrangeira, de conspiração para matar americanos, conspirar para matar agentes ou empregados americanos, e conspirar para adquirir e utilizar um míssil anti-aéreo. Acusações adicionais: Outras acusações foram feitas pelos Estados Unidos contra Bout em Fevereiro de 2010. Incluem compra ilegal de aviões, fraude postal e lavagem de dinheiro.
Numa declaração feita na prisão na Tailândia, Bout disse que “Os Estados Unidos estão a querer criar para mim uma imagem de ser um bilionário ilegal e um traficante de armas ilegal. Eu nunca negociei em armas, eu nunca vendi armas”.


Nos media: Considera-se que o filme de 2005 Lord of War, com Nicolas Cage como protagonista, se baseou em parte nas histórias de tráfico de armas de Bout. Em 2007, Stephen Braun e Douglas Farah publicaram um livro sobre Bout intitulado Merchant of Death: Money, Guns, Planes, and the Man Who Makes War Possible.
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02 Jan 2011 (Lusa) – O presumível traficante de armas russo Víctor But disse hoje que a justiça norte-americana lhe propôs uma pena de prisão mais leve em troca de informações.
“Propuseram-me uma sentença mais suave, uma pena de prisão mais curta e a possibilidade de trazer a minha família para os estados unidos caso conte tudo o que sei sobre os meus contactos na Rússia e noutros países”, disse But numa entrevista dada à agência oficial russa RIA-Nóvosti.
“Respondi-lhes que não tenho nada para contar: nada que seja de interesse”, concluiu But citado pela agência EFE que recorda que o empresário é acusado de ter dirigido durante anos uma das maiores redes de contrabando de armas e negócios com ditadores como Charles Taylor (Libéria) e o terrorista Osama bin Laden.
O empresário estava na Tailândia quando foi extraditado, a 16 de novembro do ano passado, para os estados unidos. A justiça americana pediu para que But fosse julgado nos EUA por alegadamente vender armas às Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia (FARC) e aos regimes mais sanguinários na África e na Ásia.
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Moscovo, 09 março 2011 (Lusa) – A Rússia propôs trocar Andrei Khlitchov, antigo oficial condenado a 18 anos de prisão por espionagem a favor de Washington, por Victor But, que a justiça dos Estados Unidos acusa de tráfico de armas.
“Atualmente estuda-se a possibilidade da troca de Khlitchov por um russo que se encontra numa prisão estrangeira, provavelmente But”, declarou uma fonte militar russa à agência Interfax.
Andrei Khlitchov prestou serviço militar nas Forças Armadas Soviéticas e, tal como Victor But, foi conselheiro militar em Angola, tendo sido distinguido com a “Medalha da Coragem” por uma missão realizada no país lusófono.
Depois, Khlitchov trabalhou na Agência Atómica e no Ministério para Situações de Emergência da Rússia.
Na semana passada foi considerado culpado de transmitir a um Estado estrangeiro segredos ligados ao setor atómico russo. O julgamento decorreu à porta fechada em Moscovo.
Victor But foi detido na Tailândia em março de 2008, a pedido dos Estados Unidos e extraditado para este país, onde se encontra preso. As autoridades americanas acusam-no de tráfico de armas em numerosos países, incluindo Angola.
A atividade internacional de Victor But como traficante de armas valeu-lhe o cognome de “mercador da morte” e esteve na origem do argumento do filme “O Senhor da Guerra”, protagonizado por Nicholas Cage.




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