Terrorismo xenófobo – um diagnóstico errado
Uma direita que rejeita a imigração, o Islão e à globalização ... O avanço da direita populista e xenófoba em (quase) toda a Europa.
Um sentimento e reacção comum aos atentados terroristas em Oslo é ecoado por, entre outros: O incidente “não terá ramificações perigosas”, e o autor “é simplesmente um homicida patológico”. Se por um lado é óbvio que quem mata aleatoriamente dúzias de civis inocentes tem algo de “patológico”, já por outro a ideia de que se trata “simplesmente” disso, é uma análise (essa sim) simplista – e medíocre.
Só quem não está atento aos últimos anos de avanço de xenofobia e racismo na Europa pode genuinamente estar surpreendido com o que aconteceu e achar que isto se trata de algo simples e isolado. O contexto europeu onde o terrorista actuou é um onde o avanço do racismo e intolerância têm sido crescentes 1, 2, 3. Este extremista lunático é, não obstante, um lunático racista e xenófobo. E só por ingenuidade e/ou ignorância se dirá que as manifestações patológicas do seu extremismo, são independentes das plataformas culturais que estas encontram para se exteriorizar.
Sobre este incidente há ainda muito por saber, mas é certo há muito tempo que a Europa tem um problema muito sério de intolerância. Há certamente responsabilidades para todos os lados e, neste último caso, os actos responsabilizam apenas quem os cometem. Mas fingir que estamos perante um “simples” acto isolado “sem ramificações perigosas” de um “homicida patológico” sem implicações maiores ou ligações fenómenos mais vastos, é juntar a um problema sério um diagnóstico errado.
A direita racista europeia e seus adeptos
Na sequência dos ataques de um extremista racista na Noruega, uma nova lei que proíbe o uso do véu entrou em vigor na Bélgica. Este é o mais recente exemplo da corrida louca à que se dedicam os líderes europeus para acalmar os temores dos eleitores que temem ver a sua cultura esmagada por muçulmanos, imigração e Islão.
Mas se o objectivo dos políticos é enfraquecer a extrema-direita por meio de empréstimos da sua linguagem, a tradução desta estratégia eleitoral é muito desigual.
A Bélgica tem 640 mil muçulmanos, ou cerca de 6% de sua população. Algumas centenas de mulheres, no máximo, usam o véu. No entanto, todos os partidos representados no parlamento aprovaram a lei contra o véu (apenas um voto contra e duas abstenções). A Bélgica é, depois da França, o segundo país da União Europeia a proibir o uso do véu completo.
Os suíços em 2009, proibiram a construção de novos minaretes nas mesquitas.
Na Alemanha, Thilo Sarrazin, um antigo membro do conselho do Bundesbank, levantou uma polémica em 2010, num best-seller, descrevendo uma identidade alemã ameaçada pela imigração muçulmana. Nesse mesmo ano, David Cameron, Angela Merkel e Nicolas Sarkozy declararam que as políticas de integração dos seus países tinham falhado.
Opinião publica sobre influencia?
Todo mundo sabe que o discurso da extrema-direita tem um profundo impacto na opinião pública.
Os europeus mais instruídos apreciam a diversidade cultural e entendem os benefícios económicos da imigração.
Na Europa, com o aumento da expectativa de vida e a baixa taxa de natalidade, a imigração será muito necessária nas próximas décadas.
Em vez disso, os menos qualificados consideram os imigrantes como concorrentes no mercado de trabalho. Um outro factor que favorece a ascensão da extrema direita é a globalização. As deslocalizações das empresas, as fabricas que fecham e as classes operárias que perdem os seus trabalhos, são uma uma bênção para os partidos extremistas.
Racistas nas Assembleias europeias
| Resultados dos partidos populistas em eleições legislativas na Europa nos últimos anos |
Partidos políticos populistas, xenófobos e anti-islâmicos estão agora representados em vários parlamentos como na Bélgica, na Holanda, Itália, Finlândia, Suécia e Suíça (ver mapa acima). Esta é a principal mudança no cenário político europeu desde o colapso do comunismo (1989-1991). Eles não parecem capazes de tomar o poder em qualquer lugar, mas em muitos países, eles são inegavelmente enraizados como uma força parlamentar.

Racistas, os europeus são no fundo mais racistas que os africanos, e depois nos tratam de tribalistas
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