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17 de jun. de 2011

Portrait Of Angolan Leaders William Tonet


É filho de um co-fundador do MPLA, já falecido que chegou a ser deputado pelo partido no poder na mais longa legislatura do país.

Quando o nacionalista Guilherme Tonet foi preso no Tarrafal, o pequeno William tinha 5 anos e o pai levou-o consigo numa espécie de rapto da mãe. É assim que passa a viver a sua infância na cadeia ao lado do progenitor e outra parte no Congo Kinshasa, onde estava a direcção do MPLA no exterior. Pode-se dizer, que William Tonet nasceu dentro do MPLA e assim se percebe a fidelidade que mantém a este partido que o maltrata por discordar do regime que nele se instalou.
Em finais da década de 70 esteve muito próximo a uma facção do MPLA próxima a um guerrilheiro, Nito Alves. É detido na senda das prisões, sendo posto em liberdade ao fim de dois anos.

Durante o processo de reinserção na sociedade, passou a trabalhar na TPA como “cameraman”, tendo sido um dos dinamizadores do programa “opção”, que retratava o conflito militar. Foi ele quem abriu oficialmente a delegação da TPA em Benguela. Mudou-se depois para Portugal onde exerceu jornalismo.
Conta que “Comecei a fazer jornalismo depois de 1977, pois até essa altura estava nas Forças Armadas. Como fui apanhado na onda dos presos de 1977, depois de sair fiquei bastante frustrado com a forma como esse processo decorreu. Depois de sair da cadeia e de ter sido colocado em Benguela e Kuando Kubango, entrei como assistente de operador de câmara na TPA, depois de ter sido rejeitado pelo “Jornal de Angola”, onde participei num concurso. Tive boa prestação, mas o director da altura, Costa Andrade Ndunduma, disse não poder aceitar um fraccionista nos seus quadros. Tive de correr dali para fora.”
Mais tarde ao serviço da Voz da America (VOA), acompanhou uma delegação americana a Jamba, o então quartel general da UNITA. Os serviços de inteligência da UNITA detiveram-no após notarem que trazia passaporte angolano. Foi suspeito de espião ao serviço do então regime instaurado no país. Após intervenção norte-americana foi solto e Jonas Savimbi, o então líder rebelde desculpou-se do mesmo. Na Jamba encontrou vários amigos que com ele estudaram no Huambo, dentre eles um ex-colega agora convertido num dos melhores quadros militares da guerrilha, o malogrado General Arlindo Chenda Pena “Ben Ben”.

Em 1991, quando as forças da UNITA sitiaram por 57 dias a cidade do Luena, William Tonet, que cobria o conflito por parte das tropas do “Galo Negro”, abordou o seu então amigo General “Ben Ben” e um outro general das FAPLA, Higino Carneiro, que aceitaram a sua proposta de tréguas de paz que ficou conhecida como os acordos do Alto Kauango, que deu lugar aos acordos de Bicesse.
Na guerra do Huambo, após as primeiras eleições gerais em Angola, o jornalista voltou a cobrir a mesma mas ao serviços da Sociedade Internacional de Canais (SIC), porem do lado do governo. No recuo, em consequência da derrota que o governo sofria nas mãos da UNITA, William Tonet foi baleado e andou cerca de um mês a pé com os comandantes das FAA, até Benguela, onde seriam resgatados. Totalmente fragilizado e com uma bala cravada na perna, o jornalista foi evacuado pelas autoridades portuguesas para Lisboa, onde seriam exibidos os primeiros vídeos da derrota, o que acabou por irritar as autoridades angolanas, que até hoje não lho perdoam.

Enquanto no hospital foi-lhe detectada uma úlcera no estômago, por ter ficado semanas sem comer, úlcera que até hoje é responsável pelo seu estado de saúde. Por andar longas distâncias, tinha as pernas inflamadas, que requereram cuidados intensivos.
No seu regresso a Angola voltou a praticar jornalismo, criando um dos primeiros jornais privados no pais, o “Folha8″ (Por lá passaram, Graça Campos, Reginaldo Silva, Gilberto Neto, etc). Foi detido por diversas vezes e solto após intervenção da Amnistia Internacional.
Uma versão em apuração, diz que a corrente passava entre ele e o Presidente JES, com quem teve contacto algumas vezes. Porem, foram bloqueados por interferências de elementos que se opunham ao seu reconhecimento ou dos feitos em prol do país.

O jornalista voltou às carteiras, tendo passado pela Universidade Agostinho Neto e mais tarde concluído o curso de Direito pela Universidade americana sedeada no Brasil.
Estagiou advogacia nos escritórios da “Mãos Livres” em Luanda.
Foi também mediador do conflito partidário surgido na FNLA.
É frequentemente chamado para proferir palestras pelo país fora. Ainda no activismo cívico, lidera o Amplo Movimento de Cidadãos.

Presentemente enfrenta cerca de 70 processos crimes levantados por generais, com realce para os pertencentes ao circulo presidencial, razão pela qual a sociedade civil se mostra preocupada com a vida do jornalista, sobretudo quando o caso já levou a agressões físicas contra Tonet.

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