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11 de nov. de 2013

Geopolítica: M23 "O fim de mais uma mascarada"

Sultani Makenga M23



Se você ainda não acredita que o Uganda é a fonte militar de Sultani Makenga, o líder militar do Movimento de 23 de Março (M23), que está "detido" desde quarta-feira no Uganda, é porque não acompanhou o desenvolvimento político-militar da região dos Grandes-Lagos nos últimos 20 anos.

Segundo a agencia AFP, um oficial do exército Ugandês revelou sob anonimato que Makenga encontra-se nas mãos das autoridades locais.
O oficial disse que Makenga Sultani e os seus tenentes ficarão detidos até que seja realizada a assinatura de um acordo de paz entre os representantes políticos do M23 e do governo congolês.
Por sua parte , o porta-voz do exército ugandês , Paddy Ankunda , disse que os cerca de 1.500 rebeldes M23 ou seja a maior parte da sua força de combate, entraram no Uganda e renderam-se ao exército.

" Cerca de 1.500 combatentes renderam ao exército ugandês hoje, eu não tenho a certeza da presença de Sultani Makenga entre eles", disse ele .
Eles estão confinados na área de Mgahinga , no departamento de Kisoro, no sudoeste do Uganda , na fronteira com a RDC e o Ruanda , acrescentou.

Um especialista militar contactado pelo pink'sblog, afirmou que na realidade eles pertencem ao exército ugandês, que as forças rebeldes que no final de outubro regressaram ao Uganda são na sua maioria de nacionalidade ugandesa.
Após a derrota no campo militar , o braço político do M23 proclamou na terça-feira passada o fim imediato da rebelião e expressou seu desejo de chegar a uma solução pacífica com o governo congolês depois de 20 meses de crise.


Imagens do Bunker de Sultani Makenga





Em Kampala, a decisão já foi tomada, Sultani Makenga, o líder militar do Movimento de 23 de Março (M23) e alguns de seus homens, refugiados no Uganda após sua derrota no leste da RDC, não serão entregues às autoridades congolesas antes da assinatura de um acordo de paz entre Kinshasa e o ramo político do M23, acordo que venha garantir uma amnistia aos ex-rebeldes.

"Eles não são prisioneiros, eles são soldados que fugiram da guerra, então é nossa obrigação recebê-los e ajudá-los, porque é nossa responsabilidade, como fizemos o mesmo para com os soldados do exército da RDC no início do ano ", disse o coronel Paddy Ankunda, porta-voz do Ministério da Defesa do Uganda e do Exército do Uganda.

Após a derrota no campo militar, Bertrand Bisimwa, o líder político do M23, proclamou o "fim imediato da rebelião", em mais uma manobra que na minha humilde opinião é apenas uma vã tentativa de ganhar um pouco mais de tempo e permitir ao Ruanda e ao Uganda uma reorganização para uma futura "rebelião" no leste da RDC como tem sido o caso nos últimos anos.

Mas a questão da amnistia e integração do veteranos e dos líderes militares do M23 nas forças armadas da RDC poderá ainda bloquear a assinatura de qualquer acordo em Kampala.  
Pois Sultani Makenga, de 40 anos, aparece numa lista de sanções da ONU, que o acusa de ser responsável por graves violações dos direitos humanos, crimes de guerra e atrocidades relacionadas com o M23 no leste da RDC. Entre os quais:  assassinatos, estupros, sequestro, recrutamento forçado de crianças

Kinshasa se recusa a conceder uma amnistia a todos aqueles que sejam suspeitos de terem cometido crimes de guerra.
Numa carta aberta publicada pelo jornal "Kivu One" e destinada ao presidente do Uganda, Yoweri Museveni, o líder político do M23 Bertrand Bisimwa, fez uma atualização sobre as exigências da rebelião, para as negociações com o governo congolês.
Nesta carta aberta, o M23 não solicitou a sua integração nas forças armadas da RDC.  
Bertrand Bisimwa , afirma o aquartelamento é a "melhor" solução para a segurança dos familiares e dos refugiados do M23", que exigem que as suas tropas fiquem confinadas nos mesmos locais que ocuparam nos últimos 20 meses e exigem o regresso do general Laurent Nkunda Mihigo, "retido" (refugiado) em Ruanda desde 22 de janeiro de 2009.

Esta é a primeira vez que o nome de Laurent Nkunda, ex-líder do CNDP é mencionado oficialmente nas negociações entre o governo congolês e os rebeldes M23. Mas não é uma surpresa para mim. 
O M23 que foi criado em abril de 2012, é um "copy e paste" de uma outra rebelião, o CNDP, que explodiu no ar em janeiro de 2009 com a suposta "prisão" do seu chefe, Laurent Nkunda pelo exército ruandês quando este estava a dois passos de ser capturado pelas forças armadas da RDC.  

O atual comandante do M23, Sultani Makenga era o então "braço direito" e adjunto de Nkunda no CNDP e a maioria dos actuais líderes da rebelião M23 são "nkundistas históricos"
Não é de estranhar, então vê-lo de volta na frente do palco. No entanto, desde a sua surpresa retenção pelo Ruanda, Nkunda permaneceu bastante calmo na sua suposta "prisão domiciliar".  



Laurent Nkunda

O Porque do regresso de L. Nkunda?
Vamos fazer um Flashback:
Durante quatro anos, entre 2006 e 2009, este tutsi e ex-General do exército congolês, foi abertamente apoiado por Kigali e Paul Kagame na sua rebelião que abalou o regime de Joseph Kabila e a RDC.
Mas depois de ter perdido vários combates contra o exército congolês no leste do Congo, Laurent Nkunda foi preso em janeiro de 2009 no Ruanda , na sequência de uma reversão surpresa de alianças.
Os seus aliados ruandeses de repente mostraram-se mais perto do presidente do Congo, Joseph Kabila.
Ironicamente teria sido o General James Kabarebe, o chefe do poderoso exército de Kigali e seu amigo pessoal, que o prendeu. 
Nkunda foi mantido em detenção secreta na fronteira entre a RDC e o Ruanda durante um tempo e em seguida, ele foi transferido para o Ruanda no final de maio de 2009.  Quando a RDC solicitou a sua extradição para que ele possa responder pelos seus crimes perante um tribunal congolês, o regime de Kigali se recusou a cooperar.
No Ruanda , onde tem muitos amigos no exército e onde muitos dos seus antigos companheiros (ele pertenceu ao exército ruandês nos anos 90) ocupam cargos importantes nos serviços de segurança e no exército. Nkunda é mais um convidado privilegiado do que um prisioneiro em Kigali.

De acordo com um relatório da ONU o ex-presidente do CNDP, o general Laurent Nkunda, oficialmente sob prisão domiciliar pelo governo do Ruanda, desde janeiro de 2009, deslocou-se de Kigali para participar em várias reuniões (entre o exército do Ruanda e os rebeldes do M23)". O regresso de Laurent Nkunda na linha de frente do conflito do Kivu portanto, não é uma surpresa. 
Com a derrota de Makenga (que é tutsi de origem do Uganda) e da sua rebelião apoiada pelo exército ugandês, a bola volta a estar nas mãos do Ruanda. Pois nesta guerra de agressão, de que é vitima a RDC por parte do Ruanda e do Uganda, está escondido o grande projecto secreto da criação de uma grande "Nação TUTSI" na região dos Kivus, norte e sul.

Para concluir, eu acho que teremos brevemente uma nova rebelião nesta região dos Grandes Lagos.
Nkunda ainda tem uma boa imagem na rebelião e as suas supostas qualidades como um comandante militar poderiam ser muito útil nas próximas semanas para  Kigali que não tardará a encontrar outros congoleses prontos a serem manipulados e aceitarem uma nova aventura militar contra o regime de Kabila.

Pink's Blog

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