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17 de set. de 2012

Geopolítica: Democracia em África: Utopia política ou política realista?






Republicas das bananas? Não! Republicas de cegos!
"Eu sei o que o povo quer". Quantas vezes eu ouvimos isso de um político? Mil vezes? Dez mil?  Certamente muito mais. Mas então como é que eles fazem isso? Então eles são sábios?

É verdade que nunca vimos o nosso "querido líder" num bairro, num bar local, ou até mesmo num simples convívio comum sem que haja de perto a prática dum culto de personalidade. Mas obviamente, se eles sabem o que é preciso para me satisfazer e a todos os meus concidadãos, será que é por magia negra, espiritismo ou alquimia?

Estamos no século 21 e parece claro que um líder político eleito é apenas um gestor de bens duma comunidade. Não é, claro, um simples contabilista, pois ele é também encarregue de fazer projetos e prever o futuro do país, e para isso ele apresenta-se com um plano (chamado de "Programa de Governo") e todo o significado do contrato passado com este líder político por um determinado tempo é de colocar esse plano em execução.
Dito isto, temos o direito de perguntar de onde vem este plano? Logicamente que consiste, em parte, de ideias guiadas pela ideologia política do partido do candidato. A segunda parte porém (inevitavelmente), ainda deveria vir do eleitorado e é aí que reside o grande mistério. Nestes países onde as funções do partido no poder confundem-se com as do Estado, e onde a primeira instituição que serve de alicerces à uma nação é o partido no poder, nestes países não são organizadas as consultações populares do tipo referendos, os povos queixam-se da falta de eficácia na gestão de alguns sectores ligados a vida social e por incrível que pareça, no tal programa do líder político, nada foi dito em ralação as necessidades de base do povo. Parece-me uma utopia o facto de prometer-se construir milhares de casas, se as que já foram construídas carecem de abastecimento de luz e agua corrente. Perante tal situação cheguei a seguinte conclusão: os tais líderes políticos são "alquimistas" (capazes de transformar ferro em ouro). Porque senão não vejo outras hipóteses (fora a fraude eleitoral) para que os mesmo tenham todos ganho os "pleitos eleitorais" nos respetivos países neste ano 2012.



Democracias reais, atípicas ou uma "doce utopia"? 

Estes países que são verdadeiros "cas d’école", onde a lógica é quase sempre substituída pelos interesses  pessoais de determinados grupos, falar de Democracia REAL é como tentar fazer a leitura de Shakespeare a um macaco, ele nada entenderá, as disparidades entre a real democracia e as falsas democracias africanas São enormes, por exemplo nestes países, por causa da falta de contra-poderes e da separação de poder entre o executivo e a justiça que nunca é independente, certos juristas que normalmente deveriam  defender a constituição, a ordem e a lei,  não defendem a legalidade quando esta não vai no sentido dos interesses dos partidos no poder, outro exemplo é o facto de bater e prender os estudantes que manifestam contra os regimes nestes países não são condenados pela justiça, que em violação da lei constitucional defende os agressores e condena as vitimas. Alguns pseudo-analistas políticos nestes países fazem a apologia de tal métodos e justificam os actos das milícias que se auto-proclamam como "defensores da pátria"(mas que na verdade não passam de néscios que confundem os partidos no poder com a pátria ou o estado).
Por mais incrível que pareça isso tudo não assusta, nem deixa alarmadas as populações que devido as  "lobotomias" orquestradas pelos órgãos de informação publica que veiculam propagandas pro-partidos no poder e anti-oposições nestes países, não procuram conhecer a verdade nem a enxergar mais longe, uma falta de visão sobre o futuro. Um opróbrio feito em tempos aos africanos pelo ex-presidente da república francesa Nicolas Sarkozy no seu "famoso" discurso de Dakar, onde ele lembrou que o homem africano vive do "dia-dia", sem preocupar-se sobre qual seria o seu legado à historia do seu continente. Uma inércia que nada justifica, parece que o africano assiste o drama da sua vida come se de uma obra de ficção se tratasse.
Uma atitude que qualifico de: "cegueira coletiva voluntária". Pois como diz o ditado: "não há pior cego do que aquele que não quer ver!"
Tal é a situação em vários países africanos, qualquer pessoa sem ser um perito da geopolítica africana saberá reconhecer quais são esses países.   

Na minha reflexão, acho que o problema se coloca da mesma forma em quase todos os países africanos, logo as soluções não devem ser diferentes, mas enquanto ignorarmos a noção de panafricanismo e da sinergia de forças, de uma justaposição no combate deste mal que é a "falsa democracia em África", nada mudará.
Esses foram os meus quinze minutos de utopia mensal...durante estes quinze minutos, segundo as estatísticas da UNICEF milhares de crianças morreram de fome, falta de cuidados médicos, centenas de mulheres foram estupradas, violentadas, e dezenas de militantes e dirigentes das oposições nestes países foram presos, assassinados, batidos, humilhados e enfim... durante estes quinze minutos que duraram a escrita deste artigo, alguns lideres e políticos enriqueceram-se de dezenas, centenas e milhares de dólares americanos.
 


Dr. Cláudio Pinnock 17/09/2012

2 comentários:

  1. kiakiakiakia o mbumbo é culpado da sua desgraça doutor e isso nem vai mesmo mudar

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  2. gostei do ponto de vista kota, pena k soluções pra os mesmos problemas os senhores ditadores não kerem acatar, e vão transformado a sua história politica no rio de sangue de 10, 20 ou 32 anos de ditadura.

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