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10 de ago. de 2012

Geopolítica: A situação no leste da RDC

Esta rubrica é destinada à pessoas com conhecimentos geo-estratégicos e foi alvo de pesquisas profundas antes de ser publicada neste blog. As informações, assim como as fontes são fiáveis e podem ser verificadas. (pink'sblog)

A Cimeira de Chefes de Estados dos Grandes Lagos terminou quarta-feira em Kampala, sem que o comunicado final mostra uma evolução real sobre a "força neutra" que impediria que "os grupos armados que operam no leste da República Democrática Congo (RDC) continuem a criar o caos. 


Enquanto o pingue-pongue diplomático continua entre os Presidentes da República Democrática do Congo Joseph Kabila e Paul Kagame do Ruanda - que se acusam mutuamente de apoiar os grupos armados hostis ao outro. De acordo com o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, no encerramento da cimeira, os líderes dos outros Estados membros "vão encontrar-se (novamente) dentro de quatro semanas"
Se Kinshasa e Kigali concordaram "em princípio" com essa força, as opiniões diferem sobre os seus contornos e a sua implementação. 

A RDC defende envio de tropas da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) implantados com a MONUSCO.  Esta  "força neutra" pode nunca ver o dia (essa história de uma força neutra não tem nem pé nem cabeça. Há já a MONUSCO (Missão da ONU na RDC) e que não trabalha muito bem. Não é pela adição de uma força a mais, irão encontrar uma solução).

Em segunda opção as autoridades da RDC usariam os 19.000 homens da MONUSCO, já implantados principalmente no leste,  e reforçar o seu mandato actualmente limitado à protecção dos civis. Mas parece improvável que Kigali, muito crítico da força da ONU e que a acusa de parcialidade no conflito, aprove essa opção.
Dois encontros sucessivos de 11 estados dos Grandes Lagos em uma semana - uma reunião ministerial em Cartum em 1 de agosto e uma cimeira de chefes de Estado, incluindo os Presidentes Joseph Kabila e Kagame Paul quarta-feira em Kampala - não daram um passo adiante sobre o assunto.
A cimeira de Kampala se contentou em definir um novo compromisso no prazo de quatro semanas, confiando à uma subcomissão a tarefa de discutir a composição e o tamanho desta força.
Levará meses - pelo menos - para criar e implantar uma força neutra. Durante este tempo, o (grupo rebelde) M23 (...) vai provavelmente ganhar terreno.

A União Africana (UA), disse que estava pronta em meados de Julho a contribuir para uma força imparcial na RDC a partir de Angola (Luanda pretendia enviar 10.000 homens para assegurar-se que em caso de conflito armado local nos próximos meses, as armas que circulam na região do Norte Kivu não venham parar em Angola). Mas os chefes de Estado reunidos na Cimeira de Kampala  disseram que preferiam favorecer "soluções locais" no comunicado final, sem sequer mencionaram a qualquer momento a ONU nem a UA.
A força seria composta de tropas proporcionadas pelos Estados membros da Conferência Internacional dos Grandes Lagos" (ICGLR), disse quarta-feira o ministro ugandês dos Negócios Estrangeiros Henry Okello Oryem Atuar, a imprensa após a Cimeira de Kampala.

Mas, para ser neutro, esta força vai ficar sem vários soldados das grandes potências entre os onze estados da ICGLR, incluindo Angola, Ruanda, Burundi e Uganda, que participaram de um campo ou outro , nas guerras regionais que a RDC tem testemunhado desde 1996.
Ora, seria preciso encontrar tropas suficientemente acostumadas a lidar com os grupos armados, e ainda por cima num terreno hostil.
Muitos homens e oficiais do M23, composta por ex-rebeldes integrados no exército em 2009 após um acordo com Kinshasa, e que pegaram de novo nas armas contra as autoridades da RDC em abril, no Kivu do Norte, que faz fronteira Ruanda, são dessa região.

Segundo um relatório recente da ONU, eles recebem o apoio do Ruanda, a maior potencia militar na região dos Grandes Lagos.

Quanto aos ruandeses hutus das Forças rebeldes Democráticas para a Libertação do Ruanda (FDLR), que lutam contra o regime de Paul Kagame, segundo com Kigali com o apoio de Kinshasa, eles montaram as suas bases nas florestas do leste do Congo por quase duas décadas.

Joseph Kabila

Paul Kagame




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