Quem é Macky Sall?
De dezembro de 2000 até Julho de 2001, Macky Sall foi Diretor Geral da "Societe des Petrole du Senegal" (PETROSEN), na qual ele serviu como chefe de divisão do banco de dados, durante vários anos.
Membro do Partido Democrático Senegalês (PDS) nos anos 1980 , ele participou da campanha "Sopi" a eleição presidencial de 2000 no Senegal que levou o A. Wade no poder, e se tornou num dos mais próximos conselheiros do presidente. Assessor Especial do Presidente, no comando das Minas e Energia, de abril de 2000 a maio de 2001, sua influencia fazia-se sentir cada vez mais.
De maio de 2001 a novembro de 2002, foi Ministro das Minas, Energia e Água. Ele sucedeu o professor Abdoulaye Bathily que se tornará vice-presidente da Assembleia Nacional.
De novembro de 2002 a agosto de 2003 foi Ministro do Ministro de Estado, das Minas, Energia e Água no governo liderado por Mame Madior Boye.
De agosto de 2003 a abril de 2004 foi Ministro do Ministro de Estado, do Interior e da Administração Local, porta-voz do Governo Idrissa Seck. Ele será substituído nesta posição pelo Ousmane Ngom. Enquanto isso, ele foi nomeado vice-presidente do comité de direção do Partido Democrático Senegalês (PDS) em abril de 2004. Macky Sall é nomeado primeiro-ministro em 21 de Abril de 2004. Ele ocupou esse cargo até 19 de Junho de 2007.
Ele liderou a campanha pela reeleição de Abdoulaye Wade, mas em 2007, ele é substituído após a vitória, por Cheikh Hadjibou Soumare como primeiro-ministro. Em 20 de junho de 2007, sendo o único candidato, ele foi eleito presidente da Assembleia Nacional por 143 votos dos 146 do elenco. Contra a vontade do presidente Wade que não suporta a ambição pelo poder de Macky Sall.
A queda do "herdeiro"
Em novembro de 2007, Macky Sall perde a sua posição como número dois do PDS (o cargo é simplesmente suprimido) e ele é excluído do comité de direção que também decidiu reduzir o mandato do Presidente da Assembleia Nacional de 5 anos a 1 ano. Estas sanções pesadas destinadas a castigar Macky Sall por este ter convocação Karim Wade, o filho do presidente, na Assembléia Nacional para um "audit" sobre o trabalho da ANOCI (Agência Nacional da Organização da Conferência Islâmica dirigida então por Karim Wade). Em Novembro de 2008, durante uma declaração em wolof e francês, ele anunciou sua renúncia ao Partido Democrático Senegalês (PDS).
Em Dezembro de 2008, ele fundou seu partido político Aliança para a República (APR-Yakaar) .
Nas eleições locais de 2009 o partido APR de Macky Sall ganhou varias localidades e tornou-se na terceira força política do país.
"O erro de Maitre Wade"
A arrogância e o desprezo que nutre A. Wade por Malick Sall impediram-lhe de encarar com "realidade" as mudanças no terreno, ao fazer de Macky Sall seu potencial sucessor para marginalizar os seus adversários naquela altura (entre eles Moustapha Niasse e Djibo Leyti Kâ), ele criou e alimentou politicamente o jovem Macky sem aperceber-se que este tornaria-se no seu principal adversário político.
O plano de Wade ao preparar o filho Karim para este suceder-lhe na liderança do país, não teve em conta o facto de Macky Sall e o seu APR terem o mesmo eleitorado que o PDS de Aboulaye Wade, a hegemonia do partido de Maitre Wade não podia ser contestada, mas tal como no nosso caso em Angola, a revolta só podia vir de dentro (é a teoria da implosão), pois quando um partido político abusa do aparelho de Estado para instalar o seu domínio sobre a vida política de país, a única forma de "revolta" ou esperança de mudança é quando as "brigas internas" e outros problemas intestinais surgem nos momentos de fim de reinado. Macky Sall foi membro influente, dirigente do partido e um dos criadores desta propaganda do regime de Wade, conhece todos os pontos fracos do presidente cessante e sabe como fazer para impedir que o mesmo seja reeleito. Mas será que podemos confiar cegamente no candidato Macky Sall? Da minha recente visita no Senegal tirei a conclusão seguinte: As divisões entre os partidos da oposição no Senegal são tão profundas e misturam-se com as preferências étnicas e regionais que não seria estranho ver os outros candidatos recusarem apoiar a candidatura de Macky Sall, e não descarto a possibilidade de ver o mesmo Macky Sall aceitar uma aliança com o presidente Wade se este ultimo prometer que fará dele o seu primeiro ministro novamente. O verdadeiro problema entre eles é o filho de Wade, Karim, e se este ultimo estiver pronto a sacrificar-se para que o seu pai tenha uma saída gloriosa da cena política nacional, então poderemos ter uma mais uma aliança de ambições e ganâncias longe, muito longe das verdadeiras preocupações do povo senegalês.
"Isto é Realpolitik" costumava dizer o meu pai, e nada é mais complicado, inconstante e volúvel que a política africana.
Cláudio Pinnock
Paris 29/02/2012


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