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4 de jan. de 2012

Geopolítica: A guerra do Petróleo em África

  




A Nigéria e Angola, os maiores produtores Africanos de petróleo não são exemplos de estabilidade política e ninguém está imune à crise.

A época pós dos Santos em Angola será o fim da era da elite militar-ideológica disciplinada, austera ?

É possível e previsível que, nalgum momento da próxima década, Angola caia numa profunda crise institucional. Mesmo que não se verifique um retorno à guerra civil, a pobreza vai certamente agravar a situação de conflitos sócio-políticos já instalados.

Regista-se essa tendência que, certamente, como efeito directo e inevitável deteriorará a aparência promovida pelas autoridades do país em vias de desenvolvimento que vem sendo ostentada por estatísticas oficiais de crescimento económico em flagrante contradição com a estagnação do país em matéria de desenvolvimento humano.

O petróleo angolano é extraído em Cabinda por multinacionais dos EUA e da França. Se algum dia as autoridades angolanas quiserem impor novas regras que nalguma forma e medida importante não sejam favoráveis a essas multinacionais será elevado o risco de apoiarem o desenvolvimento e mesmo a criação de forças de resistência visando obrigar as autoridades angolanas a entregar o território Cabindense a essas forças de resistência que, há muito, desde os primórdios da luta contra o colonialismo reivindicam a independência de Cabinda.

A resistência cambindense já teve o reconhecimento do direito à independência de Cabinda atestado pela Organização de Unidade Africana (OUA) precursora da actual União Africana. É uma resistência político-militar que, mesmo que actualmente seja caracterizada por uma fraca capacidade de combate, tem tido a capacidade de manutenção da exigência de autonomia e ou da independência de cabinda.


Até que ponto e até quando os países vizinhos de Angola aturarão postura angolana aventureira e militarista com o regime angolano visa adquirir e assegurar mais poder para se consolidar como a potência dominante na região integrada pelos estados do Congo Brazaville, República Democrática do Congo e Angola? Uma região que, note-se, tem interligações territoriais mais vastas com os estados de São Tomé, Gabão e Guiné-Equatorial, países também envolvidos nos interesses que o petróleo da região gera.

A dinâmica angolana nessa região resulta da sua estratégia económica, política e militar visando a conquista duma posição dominante. Ao mesmo tempo, também, revela o receio que as autoridades angolanas têm dum desenvolvimento geopolítico que gere a insegurança dos seus interesses na região. Em combinação com esse receio, especialmente após os desenvolvimentos no Norte de África, regista-se o medo crescente do desenvolvimento duma instabilidade institucional resultante dum movimento de exigência pelo respeito por direitos e duma distribuição mais justa dos rendimentos do país. .

Essa combinação de fatores indicia-nos que estamos face a uma situação complexa em que as autoridades angolanas dificilmente optarão pelo desenvolvimento duma diplomacia económica, política e militar de paz. Muito provavelmente, como fazem com a gestão do conflito interno após a guerra civil, também na região as autoridades angolanas optarão por uma "paz" garantida pela dominação do "outro e ou de todos os outros" na região.


Ora, essa é uma dominação regional abrangente que além da dos outros estados vizinhos, como aquela a que nós estamos submetidos, implicará a dominação também dos povos da região. Esse desafio, obviamente, acabará sempre sendo perdido por Angola porque gerará certamente uma resistência internacional a que não poderá resistir nem mesmo com o hipotético suporte de potenciais planetárias.


Tenha-se em consideração que vivemos um momento do mundo em que já foram emitidos os sinais bastantes de que os aliados determinantes da sustentação de regimes do tipo que vigora em Angola tendem a apoiar os povos sempre que estes se levantam exigindo direitos e bem estar e em consequência são reprimidos violentamente pelos governantes.

#Artigo escrito com a participação do Sr Luiz Araujo.


Esta rubrica é destinada à pessoas com conhecimentos geo-estratégicos e foi alvo de pesquisas profundas antes de ser publicada neste blog. As informações, assim como as fontes são fiáveis e podem ser verificadas. (pink'sblog)

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