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26 de out. de 2011

Reflexões de Um Exilado: Mohamed Bouazizi "O Revolucionário Supremo"?




O suicídio do jovem Mohamed Bouazizi em protesto contra o desemprego e a pobreza causou uma onda de protestos na Tunísia, que ganhou quase to o continente. Um gesto que se tornou num símbolo da angústia de uma geração de jovens norte-africanos e não só.



O movimento de protesto nasceu da auto-imolação de Mohamed Bouazizi, um jovem vendedor ambulante de 26 anos, que vira confiscadas as frutas e os legumes que ele vendia sem autorização por agentes da policia em Sidi Bouzid no dia 17 de Dezembro, na Tunísia. O jovem desempregado, que morreu  no dia 04 de Janeiro de 2011 dos seus ferimentos, tornou-se no símbolo da frustração e raiva da juventude Magrebe.
Mas também num simbolo quase tão forte como foi CHE Guevara no seu tempo, uma fonte de inspiração.

"Esta vontade de mudança  reflecte a profunda angústia dos jovens de África que vivem uma situação de precariedade econômica que não entendem e que lhes dá a sensação de não terem controle nenhum sobre os seus futuros."


Desemprego, vida cara e falta de liberdade

Na Tunísia, a imolação de Mohamed Bouazizi, de facto, levaram aos confrontos com a polícia, que fizeram três mortos e vários feridos. Carros e edifícios foram queimados. Os cerca de 5.000 pessoas que compareceram ao seu funeral, acusaram o governo de Zine el-Abidine Ben Ali de ser responsável por sua morte.

Regularmente criticado pela sua incapacidade de respeitar os direitos humanos, o governo da Tunísia conseguira reduzir ao silêncio a oposição. Mas a morte de Mohamed Bouazizi foi ecoada na população, que queixava-se do aumento dos preços dos alimentos básicos e a falta de empregos.
Se a taxa de desemprego oficialmente era de 14% na Tunísia, na verdade, chegava a níveis muito mais elevados fora da capital. Nas cidades como Sidi Bouzid, no centro-oeste, onde o jovem comerciante tentou acabar com sua vida. Um gesto que marcara para sempre a juventude africana, um gesto cheio de coragem, de loucura e desespero que fica assim marcado para sempre como "o" momento inicial para uma nova África.


claro que há um contágio dinâmico" da Tunísia para a África. Tunísia e Argélia enfrentam uma situação semelhante, um e outro são países altamente industrializados, mas que oferecem oportunidades económicas atraentes limitadas para os jovens licenciados anualmente. Contrariamente aos países de África subsariana onde as economias estão num nível de desolação tal que a maioria dos jovens desses países sonham apenas em imigrar para o ocidente em busca de melhores condições de vida.

Existe também um mal-estar comum a toda a África. Geograficamente próximos, muitos povos vivem em "Regimes políticos ditatoriais" com o mesmo modelo de falsas democracias. Eles excluem, reprimem e concentram as riquezas nas mãos de poucos que impedem o bom desenvolvimento social desses países. 
O risco de radicalização dos movimentos sociais, como o movimento iniciado por estudantes de Angola é real". Estes novos manifestantes não têm aspirações utópicas, nem o zelo religioso dos "mais velhos", o seu "descontentamento irreprimível" é tão forte que exige da parte do executivo respostas imediatas".

Poderemos ver surgir tentativas de criação de movimentos juvenis cada vez mais radicais se os regimes corruptos que dirigem, não entenderem que é tempo de mudança, é verdade que ainda não temos mártires nos países da África subsariana ao exemplo de Mohamed Bouazizi, mas quem sabe quando ira acontecer?  

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