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29 de out. de 2011

Homenagem a Thomas Sankara

O Ultimo discurso de Thomas Sankara 7 dias antes de morrer.

Thomas Sankara, o ex-presidente de Burkina Faso, foi assassinado em 15 de outubro de 1987, sete dias após o seu último discurso público em homenagem a "Che Guevara". Sankara é o herói de muitos africanos. É também para muitos o "Che" Africano.




Quem foi "realmente" Thomas Sankara?


Sankara tornou-se presidente do Alto Volta  em 1983,  depois de um golpe militar contra um ditador militarO golpe, no entanto, tinha um amplo apoio da população.


Thomas Sankara foi aquele que abandonou o nome colonial do Alto Volta e substitui-lo por Burkina Faso (literalmente: "País dos Homens rectos", ou seja "País dos Homens justos").

Ele ficou apenas quatro anos no cargo, mas os quatros anos foram" incríveis" para o povo de Burkina Faso. Em apenas três anos, ele conseguiu tornar o Burkina Faso num país auto-suficiente em alimentos. O país era anteriormente completamente dependente da ajuda alimentar para combater a fome no país.
Ele foi o primeiro líder Africano de nomear mulheres para o cargos de ministros (e não para "Assuntos da Mulher", ou "Planeamento Familiar"). 

Ele proibiu a poligamia e aprovou leis contra a violência doméstica. Ele partilhou as terras abandonadas pelos líderes tribais feudais entre os camponeses agricultores.

Ele também foi o primeiro líder Africano a implementar um grande projecto para melhorar as infra-estruturas públicas (estradas, escolas, hospitais) e a recusar empréstimos de capitais estrangeiros para tal. Ele chegou a condenar abertamente o FMI e o Banco Mundial por serem instrumentos dos neo-colonialistas.



Os salários dos altos funcionários foram drasticamente reduzidos. Ele vendeu toda a frota de veículos Mercedes das autoridades públicas, diminuiu seu próprio salário para fazer $ 450 por mês e passou a conduzir um pequeno Renault R5.

Ele era contra o "culto de personalidade", aboliu o mau hábito africano de colocar os retratos do presidente em todo pais, nas ruas e avenidas. Além disso, acabou com as viagens de classe executiva por parte dos altos funcionários e iniciou uma campanha nacional contra a corrupção. Ele nunca hesitou em criticar abertamente os seus homólogos da africanos que considerava serem corruptos.



Isto não agradou ao Houphouet-Boigny, o ditador da Costa do Marfim. Ele tinha de facto sido acusado por Sankara ser um ditador sanguinário, e de ter um interesse económico directo na permanência da pobreza no país vizinho Burkina Faso. O crescente comércio de cacau na Costa do Marfim dependia em grande parte  do trabalho dos imigrantes pobres do Burkina Faso que eram mal pagos, explorados e não dispunham de leis para protegê-los na Costa do Marfim.

Com o apoio logístico da França, Houphouet-Boigny conseguiu convencer um amigo de Sankara, Blaise Compaoré a organizar um golpe de Estado e eliminar assim Thomas Sankara. 



Hoje, Compaore ainda é o melhor aliado da França na África Ocidental. É também um dos mais ricos africanos, enquanto que o Burkina Faso tornou-se novamente num dos países mais pobres da África, com uma montanha de dívida com o FMI e o Banco Mundial.  


Blaise Compaoré é um dirigente que apega-se ainda ao poder no Burkina Faso. Ele chegou ao poder num golpe de Estado há 24 anos, 15 de Outubro de 1987. Naquele dia, ele matou o seu amigo Thomas Sankara que tinha apenas 38 anos por supostamente este querer ser ditador, mas o mesmo Compaoré hoje depois de 24 anos no poder não pensa em abdicar, e diz não ser um ditador.




Conclusão: 


Thomas Sankara teria sido o líder proficiente e competente que foi em quatro anos se continuasse no poder? Nós nunca saberemos. Assim como nunca saberemos se Patrice Lumumba, o primeiro-ministro do Congo independente, teria mantido as suas promessas. Mas uma coisa é certa: nenhum desses homens tivera a oportunidade de prová-lo.
Uma razão para isso? O ocidente não gostava do programa de Thomas Sankara . Tomas Sankara e tantos outros lideres assassinados não serviam os interesses dos ex-colonos.



Existe um mito incómodo e que persistea África não seria capaz de ter dirigentes responsáveisRealmente? Pelo menos é o que as pessoas querem acreditar no ocidente e que os meios de comunicação das antigas potências coloniais divulgam. Nenhum país africano conheceu a democracia após a descolonizaçãoSem excepção, os líderes africanos que provaram ser autocráticos, homens corruptos ou tiranos "sanguinários" serviam os interesses ocidentais. Esta é a África que o ocidente queria e não os africanos.


Os exemplos são vários: Mobutu que fugiu o Zaire (agora Congo) com uma fortuna equivalente a metade da dívida do país,  Bokassa na RCA, o terrível Idi Amin em Uganda, Siad Barre na Somália, Houphouet-Boigny na Costa marfim, Omar Bongo e tantos outros.


Estes homens (que eram de facto "simples homens" e não "deuses" como muitos deles pensavam ser) tinham algumas semelhanças: quase todos eles chegaram ao poder através da violência, um forte apoio total e sem restrições das forças militares de seus antigos colonizadores, com fundos disponibilizados pelo FMI e Banco MundialE todos foram lançadas pelos aliados quando pararam de servir os interesses ocidentais.

Por isso é um mito dizer que a liderança responsável não existe em África. O ocidente tem impedido a boa liderança africana e a emergência de verdadeiros lideres competentes, sempre que um ditador permaneceu muito tempo no poder em África foi com a cumplicidade do ocidente.

Sankara, Lumumba, Amílcar Cabral e muitos outros líderes Africanos eram verdadeiros lideres competentes. Se o ocidente(hoje comunidade internacional) teve um dia  planos para "desenvolver" a África, são estes líderes que deveriam ter apoiado.




P.S : Multi sunt vocati, pauci vero electi - Many are called [but] few are chosen

Um comentário:

  1. Grande Thomas Sankara. Esqueceste de mencionar que foi também ele o primeiro presidente "ecologista", lançando a campanha de 1 cidadão, 1 árvore na tentativa de criar uma cintura de bloqueio ao avanço do deserto. Grande Thomas. Compaoré não perde por esperar

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