Fundador da “União Nacional para a Independência Total de Angola” (UNITA)
Data de nascimento: 03/08/1934 (f.: 22/02/2002)
Naturalidade: Munhango, Bié, Angola
Etnia: Ovimbundu
Casado com Ana Isabel Paulino, 5 filhos
Jonas Malheiro Savimbi (Munhango, Bié, 3 de Agosto de 1934 — Lucusse, Moxico, 22 de Fevereiro de 2002) foi um político e guerrilheiro angolano e líder da UNITA durante mais de trinta anos.
Tendo o apoio dos governos dos Estados Unidos da América, República Popular da China, África do Sul, Israel, vários líderes Africanos (Félix Houphouët-Boigny da Costa do Marfim, Mobutu Sese Seko do Zaire, o rei Hassan II de Marrocos e Kenneth Kaunda da Zâmbia) e mercenários de Portugal, Israel, África do Sul e França, Savimbi passou grande parte de sua vida a lutar contra o MPLA e o governo colonialista português e, depois da independência de Angola, contra o governo Angolano que era apoiado por conselheiros militares da União Soviética, tropas de Cuba e da Nicarágua Sandinista, acabando esta Guerra Civil por se transformar num dos mais importantes conflitos do Terceiro Mundo na Guerra Fria.
Savimbi nasceu a 3 de Agosto de 1934, em Munhango, uma pequena cidade da província do Bié, passando a sua juventude na sua aldeia natal e posteriormente no Huambo, cidade que após a independência de Angola serviu como sua base militar durante a Guerra Civil Angolana (1975 – 2002).
O pai de Savimbi, era o chefe da estação do Caminho de Ferro de Benguela e também pastor protestante. Ambos os seus pais eram membros da tribo Ovimbundu, que mais tarde serviu a Savimbi como base principal da sua política.
Durante a sua juventude, ganhou uma bolsa de estudos para a Europa, na Suíça, onde viria a formar-se em ciências politicas. A maior parte da vida adulta do líder da UNITA foi passada na guerrilha. Fluente em português, inglês e francês, Savimbi costumava reservar essas línguas para contactos com os seus opositores políticos, diplomatas ou jornalistas. No dia-a-dia, Savimbi usava a língua Ovimbundu para se exprimir.
A UNITA — “o Movimento do Galo Negro” foi criada por Savimbi em 1966 para combater o colonialismo português.
Em 1992, aquando das primeiras eleições em Angola, Savimbi foi derrotado e resolveu voltar à guerra por não aceitar o resultado das mesmas, optando novamente pelo caminho da guerra civil.
Em 1994, a UNITA assinou os acordos de paz de Lusaca, depois de meses de negociações, e aceitou desmobilizar as suas forças, com o objectivo de conseguir a reconciliação nacional. O processo de paz prolongou-se durante quatro anos, marcado por acusações e adiamentos. Nesse período, muitos membros da UNITA deslocaram-se para Luanda e integraram o Governo de Unidade Nacional; no entanto, dissidências internas separaram o braço armado do braço politico, surgindo dessa forma a UNITA Renovada, onde Jonas Savimbi não se sentia representado, rompendo com os acordos de paz e retornando ao caminho da guerra.
Morreu a 22 de Fevereiro de 2002, em Lucusse, na província do Moxico, após uma longa perseguição efectuada pelas Forças Armadas Angolanas (FAA).
Entrevista:
- Porque é que saiu da FNLA?
JS - Saímos em 1964 por duas razões fundamentais. Em primeiro lugar, porque Holden Roberto achava que os dirigentes da Frente deviam estar no estrangeiro e nós pensávamos que o seu lugar era no interior de Angola, em contacto com o povo e com as realidades.
- Onde é que estava Holden Roberto?
JS - Em Kinshasa, sempre em Kinshasa. A segunda razão tinha que ver com a própria guerra. Nós pensávamos que só aqui poderíamos compreender a dinâmica político-militar, de modo a estender a guerra para além do cantinho onde ela estava confinada, no Norte. Também nos parecia indispensável que os quadros militares tivessem uma preparação adequada, mas o presidente Holden Roberto não os autorizava a partir para a Tunísia ou para a Argélia, onde podiam formar-se.
- E os quadros civis?
JS - Também eram obrigados a ficar. Nós discordávamos desta atitude, porque o nosso enriquecimento cultural podia contribuir para a formulação de análises que ajudassem a direcção a melhor dirigir. Um dos que quis partir e não pôde foi aqui o secretário-geral, Miguel N’Zau Puna.
- A sua presença não seria indispensável no terreno?
JS - Mais indispensável era a formação inte¬lectual que lhe permitiria uma tomada de consciência sólida. A UPA (União dos Povos de Angola) e a guerra tinham começado em 1961, com entusiasmo e com resultados posi¬tivos, mas todos os anos ia baixando um pouco por causa da reacção das forças arma¬das portuguesas. O resultado da nossa ignorância é que não estávamos em posição de poder corrigir os nossos próprios erros, nem de explorar os erros cometidos pelo adver¬sário.
- Então as divergências eram mais de ordem estratégica do que ideológica?
JS - O diferendo ideológico só surgiu mais tarde, e entre nós e o Agostinho Neto, pelo menos de uma forma assumida e consciente, embora também em relação à FNLA nós não concordássemos que as relações da Frente fossem estabelecidas exclusivamente com o Ocidente. A China propôs formar os homens da FNLA e quis mesmo reconhecer o GRAE (Governo Revolucionário Angolano no Exí¬lio), à semelhança do que já tinha feito o Egipto de Nasser. Holden Roberto e a direcção fugiram sempre dessas propostas à esquerda, para se acantonarem na zona que hoje convencionalmente se classifica de moderada.
- A FNLA estava no Zaire e o Zaire era um país moderado.
JS - Isso não nos devia impedir de diversificar as nossas relações. Não se tratava de substituir um grupo de aliados por um outro grupo. Tratava-se, sim, de equilibrar as dependências, por forma a podermos ficar, exactamente, numa posição mais independente.
- Nenhuma das suas propostas foi aceite?
JS - Nenhuma. Por isso saímos.
- Quem?
JS - Dos homens dessa época estão aqui presentes o secretário-geral, na altura refugiado na Tunísia, e o engenheiro Mulato, que se encontrava nos Estados Unidos.
- Porque é que saiu da FNLA?
JS - Saímos em 1964 por duas razões fundamentais. Em primeiro lugar, porque Holden Roberto achava que os dirigentes da Frente deviam estar no estrangeiro e nós pensávamos que o seu lugar era no interior de Angola, em contacto com o povo e com as realidades.
- Onde é que estava Holden Roberto?
JS - Em Kinshasa, sempre em Kinshasa. A segunda razão tinha que ver com a própria guerra. Nós pensávamos que só aqui poderíamos compreender a dinâmica político-militar, de modo a estender a guerra para além do cantinho onde ela estava confinada, no Norte. Também nos parecia indispensável que os quadros militares tivessem uma preparação adequada, mas o presidente Holden Roberto não os autorizava a partir para a Tunísia ou para a Argélia, onde podiam formar-se.
- E os quadros civis?
JS - Também eram obrigados a ficar. Nós discordávamos desta atitude, porque o nosso enriquecimento cultural podia contribuir para a formulação de análises que ajudassem a direcção a melhor dirigir. Um dos que quis partir e não pôde foi aqui o secretário-geral, Miguel N’Zau Puna.
- A sua presença não seria indispensável no terreno?
JS - Mais indispensável era a formação inte¬lectual que lhe permitiria uma tomada de consciência sólida. A UPA (União dos Povos de Angola) e a guerra tinham começado em 1961, com entusiasmo e com resultados posi¬tivos, mas todos os anos ia baixando um pouco por causa da reacção das forças arma¬das portuguesas. O resultado da nossa ignorância é que não estávamos em posição de poder corrigir os nossos próprios erros, nem de explorar os erros cometidos pelo adver¬sário.
- Então as divergências eram mais de ordem estratégica do que ideológica?
JS - O diferendo ideológico só surgiu mais tarde, e entre nós e o Agostinho Neto, pelo menos de uma forma assumida e consciente, embora também em relação à FNLA nós não concordássemos que as relações da Frente fossem estabelecidas exclusivamente com o Ocidente. A China propôs formar os homens da FNLA e quis mesmo reconhecer o GRAE (Governo Revolucionário Angolano no Exí¬lio), à semelhança do que já tinha feito o Egipto de Nasser. Holden Roberto e a direcção fugiram sempre dessas propostas à esquerda, para se acantonarem na zona que hoje convencionalmente se classifica de moderada.
- A FNLA estava no Zaire e o Zaire era um país moderado.
JS - Isso não nos devia impedir de diversificar as nossas relações. Não se tratava de substituir um grupo de aliados por um outro grupo. Tratava-se, sim, de equilibrar as dependências, por forma a podermos ficar, exactamente, numa posição mais independente.
- Nenhuma das suas propostas foi aceite?
JS - Nenhuma. Por isso saímos.
- Quem?
JS - Dos homens dessa época estão aqui presentes o secretário-geral, na altura refugiado na Tunísia, e o engenheiro Mulato, que se encontrava nos Estados Unidos.
Jeune Afrique”, Agosto de 1984
JS: É muito simples. O MPLA, na altura, tinha uma estrutura ultra-clandestina de que eu ignorava a existência. Eu militava com Neto, mas eu não sabia que ele era membro de um movimento organizado. Só quando cheguei à Suíça nos fins de 1959, me apercebi, ao ler um panfleto, da existência do MPLA. Escrevi de imediato para Conakry, onde se encontravam Lúcio Lara, Viriato da Cruz e a maior parte dos dirigentes deste movimento. Pedi-lhes informações sobre o seu programa e, se o achassem útil, que me enviassem alguém para me contactar. Passado um ano, não obtive mais do que meias respostas e ninguém me veio ver.
Em contrapartida, Holden Roberto, a quem tinha também escrito, veio ao meu encontro em Lausanne. Tivemos uma discussão de 3 horas. Eu apercebi-me de que ele não tinha nenhum programa. Abstive-me, pois, de responder. Foi então que, no início de 1960, fui mandatado pela União Geral dos Estudantes Angolanos, organismo próximo do MPLA e dirigido na época opor Luís de Almeida, actual embaixador de Luanda em Paris, para representá-la na Conferência dos estudantes Africanos em Kampala. Encontrei ali TOM M’BOYA, que me levou para Nairobi e apresentou-me a JOMO KENYATTA. O “MZEE” estava em residência vigiada. Encontrar o homem que acabava de escrever o livro intitulado “Ao pé do Monte Kenya” era para mim um acontecimento de importância determinante. “Não vá para o MPLA” disse-me ele – “são comunistas”. “Ingresse antes na UPA e faça tudo para lhe proporcionar um programa. Eis aqui papel: escreve a Roberto”. Foi assim que aderi ao que ia tornar-se em FNLA.
JA: Logo, o senhor doutor seguiu para Leopoldville, a futura Kinshasa, onde Holden Roberto tinha o seu Quartel General.
JS: Em Setembro de 1960, três meses depois da independência do Congo, Roberto nomeou-me Secretário Geral, Esta nomeação não era séria e, primeiro, eu recusei. Holden insistiu. Acabei por aceitar, exigindo poder voltar a Lausanne, para aí defender a minha tese de licenciatura sobre Yalta e a Descolonização.
JA: Imediatamente após começaram a surgir problemas entre o doutor e Holden Roberto. Será que o Sr. Dr. Queria tomar o lugar dele?
JS: Precisamente o contrário. Até porque quando alguns elementos, descontentes da desorganização e do etnocentrismo da FNLA quiseram fazer um golpe de estado contra Roberto, opus-me determinantemente. Bem vistas as coisas, seria um suicídio, porque Roberto beneficiava do apoio das autoridades de Leopoldville. E nós teríamos feito o jogo dos Portugueses. Eu preferi, pois, deixar o movimento e fundar uma outra organização. Em Abril de 1964, voltei para a Suíça.
JA: Esta ruptura foi consumada aquando da Cimeira da OUA, no Cairo, três meses mais tarde.
JS: Efectivamente. Em Julho de 1964, fui ao Cairo para explicar a minha posição aos Chefes de Estado do Continente. Esta minha tomada de posição caiu muito mal a Roberto. Contudo, NASSER, NKRUMAH, SEKOU TOURÉ, BEN BELLA e outros Chefes de Estado apoiaram-me e encorajaram-me a prosseguir com a minha iniciativa. Eles estavam desiludidos com a ineficiência do MPLA e hostis ao carácter reaccionário da FNLA. SEKOU TOURÉ disse-me: “Holden é um agente da CIA”. NASSER fez difundir na rádio a minha carta de demissão. Aliás, NASSER apoiou-me até à sua morte, em 1970, com uma fidelidade exemplar.
JA: Em Setembro de 1964, o Sr. Dr. Foi à União Soviética e aos países socialistas europeus, o que é que lá foi procurar?
JS: Fiz essa digressão a conselho de NASSER. Foi ele que encetou os contactos para as minhas visitas a Moscovo, Berlim, Praga, Budapeste e Varsóvia. NASSER sustentava que, sem o apoio duma grande potência progressista como a URSS, eu nunca poderia levar a cabo um combate verdadeiramente revolucionário. Os Soviéticos disseram-me: “Junta-te ao MPLA e serás o Vice-Presidente”. Eu respondi que esta medida não serviria para nada enquanto este movimento persistisse em permanecer no exterior de Angola. Era preciso deixar Brazzaville para a mata. Os meus interlocutores responderam-me que tal não era a sua concepção da luta e ficámos por aí. Regressei, pois, ao Cairo, com as mãos vazias. Logo, até 1966, por intermédio de NASSER, eu mantive contactos com os soviéticos.
JA: Qual era, nessa época, a sua posição em relação a Castro e à Revolução Cubana?
JS: Eu admirava-a muito. Possuía gravações dos discursos de Fidel e a sua experiência revolucionária fascinava-me. Mas eu conhecia melhor o Comandante Ernesto GUEVARA. Encontrei-o em Fevereiro de 1965, num avião que nos levava de Dar-Es-Salaam à Argélia, onde devia realizar-se um Seminário Económico Afro-Asiático. O CHE vinha de Brazzaville; ele tinha encontrado ali os dirigentes do MPLA e afirmava estar decepcionado com a sua burocracia, o seu pequeno campo de treino de Dolosie. O CHE tinha instado junto dos homens do MPLA para visitar as suas zonas libertadas e tinha-se-lhe respondido que era impossível, por razões de segurança. Ele tinha redigido para Castro um relatório desfavorável ao MPLA e tinha-me confiado que, se eu entrasse realmente no interior de Angola para ali instalar o “maquis”, Cuba estaria do meu lado. Mas pouco tempo depois do seu regresso a Havana, o CHE desaparecia para ir combater de novo. O seu relatório não teve seguimento.
JA: No início de 1965, o Sr. Dr. Foi à China. Foi por sua própria iniciativa?
JS: Sim e não. Eu fui de novo ter com NASSER: “os soviéticos não nos ajudam, Cuba hesita: o que é preciso fazer?”. Ele disse-me: “Podes escolher entre SUKARNO e MAO, mas eu aconselho o segundo porque os Chineses têm uma experiência de guerra de guerrilha superior à da Indonésia”. Dirigi-me assim a Pequim, onde fui bem recebido. Contrariamente aos Soviéticos, os Chineses deixaram-me expôr as minhas ideias, corrigiram-me algumas e depois disseram-me o seguinte: “Nós poderíamos dar-lhe dinheiro, mas o senhor iria gastá-lo. Vá, antes, procurar uma dezena de companheiros seus e regresse aqui, para serem submetidos a um treino militar e, tanto para nós como para vós, será melhor investimento”. Eu penso que eles queriam também testar a minha seriedade. Os Chineses deram-me 30 mil dólares e eu fui a Brazzaville, Lusaka e Dar-Es-Salaam, para ali persuadir 11 dos meus compatriotas a acompanharem-me à Academia Militar de Nanquim. Nós permanecemos ali 4 meses, de Abril a Julho de 1965.
JA: Quem era o vosso principal interlocutor Chinês?
JS: CHU-EN-LAI, que na altura era Primeiro-Ministro. Ele ocupava-se da ajuda aos Movimentos de Libertação. Encontrei MAO uma única vez em 1967. Eu tinha acabado de assentar as bases para a Luta Armada. Ele fez-me uma pergunta acerca do encaminhamento até ao “maquis” das armas que a China facultava. Respondi-lhe que tinha o acordo dos Presidentes NYERERE e KAUNDA para que esse material transitasse pela Tanzânia e Zâmbia. Ele disse-me então num tom sibilino: “A Revolução Africana é jovem, e frágil; é muito possível que, por vezes, as nossas remessas de armas nunca vos atinjam e que um desses Chefes de Estado se apodere do material. Não fiqueis desencorajados. Sede pacientes”.
JA: Falemos da sua fortuna. Qual é o montante dela?
JS: Eu não tenho nada, absolutamente nada. Eu nunca tive uma conta no banco na minha vida. Eu não possuo nenhuma vivenda no estrangeiro. Ninguém aqui possui o que quer que seja.
JA: Apesar disso, os amigos, Estados, dão-vos dinheiro. O que fazem dele?
JS: Tudo vai para os cofres do Movimento, que são geridos por um intendente. Nunca me ocupei destas histórias. Nós temos, em Londres uma conta no Banco, que serve para prover às despesas dos nossos representantes no Exterior, assim como para comprar armas no mercado internacional. Nós exigimos facturas precisas de todas as despesas. Mas os nossos homens no Exterior, são gente honesta, e todos combateram nas matas. Muitas vezes temos de lhes explicar que lá, na Europa, já não é como na mata; devem comparar dois fatos. Para alguns, como nós estamos em contacto com os sul-africanos e recebemos dinheiro dos países árabes do Golfo, nós deveríamos ter fortunas pessoais. É falso. Tudo vai para o Movimento.
JA: Nada de corrupção, nenhuns desvios?
JS: Não, não e não! Não posso ficar escandalizado pelo tráfico de diamantes do MPLA e pelas práticas de certos Chefes de Estado Africanos que se fazem erguer estátuas, esquecendo que elas serão demolidas no dia seguinte, e ser eu próprio corrupto. Além disso, o dinheiro não circula aqui e ninguém recebe o menor salário.
JA: Tem uma vida familiar?
JS: A minha mulher morreu na Jamba, atingida por um raio. Resta-me a minha Mãe, a minha irmã e cinco crianças.
JA: Onde é que elas estudam?
JS: Aqui em Angola. Nas escolas da UNITA, nas matas. O MPLA não pode afirmar o mesmo.
Ao Jornal “A Capital” de Julho de 1989
- Dr. Savimbi, pessoalmente como é que se sentiu quando apertou a mão a José Eduardo dos Santos?- Eu não o conhecia pessoalmente. Quando falava com Agostinho Neto o José Eduardo dos Santos ainda era pequeno e necessariamente não participava nas nossas reuniões. Portanto, foi a primeira vez que o vi, apertei-lhe a mão e o sentimento que houve o de conhecer um compatriota que teve coragem e que eu espero que continue a manifestar essa coragem. Devo dizer que ultimamente estou a discordar um bocado das suas afirmações. Ele disse há dias que Gbadolite tinha sido uma precipitação e que era necessário diminuir o ritmo das negociações. Com depoimentos destes eu não fico assim muito satisfeito, pois isto equivale a dizer-se que a guerra devia continuar ainda mais um tempo. Ora eu considero que o povo angolano já sofreu o suficiente nestes catorze anos e tudo o que seja acelerar o processo de paz tem de ser feito. Agora que já há os princípios de Gbadolite, temos que avançar sem perder tempo. Portanto, eu não posso aceitar que se diga que agora devíamos diminuir a velocidade do processo de paz, porque isso permite que a guerra continue.
- Acha que o plano de paz está neste momento em risco?
- Pela minha parte, não. Da parte do MPLA, francamente não sei. O que posso dizer é que quem quer que tenha a responsabilidade de pôr em risco o plano de Gbadolite, corre também o risco de ter toda a população de Angola contra si. Eu não vou correr esse risco.
- O embaixador Rui Mingas sugeriu também na sua conferência de imprensa que a UNITA acabaria por se dissolver no MPLA. O que é que acha deste conceito?
- Olhe, depoimentos desse género não ajudam nada à situação. Nós estamos a falar da reconciliação nacional e eles põem-se a falar no aniquilamento da UNITA! Nós queremos acabar com a guerra, eles falam em liquidar oponentes! Eu só acho é que isto está a criar uma onda de simpatia pela UNITA. Esses depoimentos são francamente irresponsáveis, mas não me admiro que o Rui Mingas os faça. Ele nunca esteve na mata e não sabe de facto o que é que esta guerra tem sido. Uma coisa é certa, ele não consegue passar essa mensagem de guerra às próprias forças do MPLA. As FAPLA querem a paz. Essa história de liquidar a UNITA era uma palavra de ordem do MPLA desde 1976. Não o conseguiram fazer. Agora o que têm a fazer é falar com a UNITA e negociar a reconciliação e o fim da guerra.
- O embaixador Rui Mingas disse também que não haveria eleições em Angola porque a constituição da RPA não previa esse sistema.
- Olhe, quem é que diria que ia haver eleições na Polónia! Eu digo que vai haver eleições em Angola. O monopólio já não é só do MPLA. Há toda uma dinâmica que ultrapassa de muita longe o MPLA. O povo de Angola quer eleições e vai ter eleições.
Diario de noticias
DN - Para terminar, sente-se já na pele de Presidente de Angola?
JS - Não. Sinto-me como angolano que tem um papel a desempenhar para que a paz seja realmente efectiva.
DN - Mas gostaria de vir a ser o Presidente de Angola?
JS - Não. Eu penso que todo o indivíduo que quiser ser Presidente de Angola, tenha um partido estruturado, tenha seguidores, tenha coragem de advogar eleições e vá para as eleições e depois das eleições poderá sentir-se na pele de Presidente ou não.
SIC - Dr. Savimbi: não autorizou o ataque ao Uíge?
J.S. - Não! Não autorizei, nem nunca iria autorizar!
SIC - Mas havia um plano?
J.S. - Não havia plano nenhum! Absolutamente! … Mas, depois, quando há a tomada do Uíge, a tomada ¬do Negage, fico surpreendido. O que é que se passou? Na¬quela altura, a minha impressão era que tinha sido uma ac¬ção de rebelião contra uma ordem minha! Hoje, já não! Mandámos uma delegação nossa dirigida paio general Chilingutila, da parte da UNAVEM foram seis oficiais. Temos um documento escrito. Esclarece que, afinal, localmente, no Uíge e no Negage, houve fricções entre a UNITA e o MPLA. Não foi a tropa do general Numa a tomar o Uíge ou a tomar Negage. Afinal fora a guarnição que lá estava a garantir a segurança dos comités, dos dirigentes, localmente e em resultado dessas fricções, que houve entre a UNITA e o MPLA.
SIC - A UNITA está destroçada, está partida, o que é que acontece à UNITA?
J.S. - Isso é o que as pessoas pensam. O partido sobrevive e eu penso que, no próximo ano, teremos boas notícias.
SIC - …sobre os militares?
J.S. - A guerra não se inventa, faz-se. É uma ciência. Portanto, quando saem de Luanda a fugir, muitos perde¬ram-se, outros morreram. Agora é preciso, outra vez, construir um comando unificado, sem guerra. Senão, é a guerra. Mas é preciso, mesmo dentro do próprio partido, tirarmos lições. Prepara-se o povo para as eleições, ou para outra, faz-se a guerra dezassete anos para haver democracia, pa¬ra haver liberdade, organiza-se o povo para participar, gas¬tam-se milhões de dólares para o efeito, chega-se ao fim não se tem o resultado que se desejava. O que é que faz um partido? Em Portugal, ou na Inglaterra, ou na América? É reunir um Congresso…
TSF - Quando é que vai reunir esse Congresso?
J.S. - Mas o governo não quer! Eu pedi…
TSF - O que é que o governo tem a ver com isso?
J.S. - O governo tem de autorizar, senão a polícia vem, nós estamos numa reunião, e manda dispersar o nosso encontro.
SIC – Teve conhecimento dos documentos que foram apresentados pelo governo, de que o governo fala, da tentativa de tomada do poder pela UNITA? Esses documentos são verdadeiros ou não?
J.S. - Vi algumas coisas. Algumas letras que eu conheço, deu para saber que esta é do Chivukuvuku…
SIC - Onde ele diz que «a UNITA deve tomar os municípios» …
J.S. - Não é verdade que o Chivukuvuku, que era o Secretário para os Negócios Estrangeiros, vá organizar o plano de «golpe de estado»! Não é verdade! No mínimo, devia ser o chefe do Estado-Maior! Mas, nem ele. Se fosse, então, deveria ser a Direcção toda a comprometer-se com um acto tão grave como este. Portanto, não seria o Chivukuvuku, dos Negócios Estrangeiros. Ele está a exprimir as suas opiniões, nas circunstâncias em que ele escreveu essa carta, mas é para se exercer pressão sobre o governo, para se negociar. Ele não dizia no fim, em parte nenhuma, «depois, tomamos conta do poder pela força», não está dito…
SIC - Quando o Vice-Presidente Chitunda fala em fogo sobre a capital, isso quer dizer o quê?
J.S. - Ele não disse isso!
SIC - Está aí escrito… Não é a letra dele?
J.S. - Até se havia um homem mais moderado, no Partido, era o próprio Chitunda! Há alguém, neste mundo, que possa identificar o Chitunda com um «golpe de estado?
TSF - Pode identificar essa letra?
SIC - É verdadeira, ou não?
J.S. - … até também, para vos dizer uma coisa. Dizem que o plano do Chivukuvuku era tomar os municípios, as províncias e depois, então, o golpe de estado na capital. Aqui, o outro, diz o seguinte: «só o fogo na capital é que abala o inimigo, não nas províncias». Quer dizer, os dois negociadores já não estão de acordo, significa que isso nunca foi discutido, nem acordado! São opiniões! São opiniões de cada um!
SIC - Mas as resoluções são tomadas com base em opiniões…
J.S. - …as opiniões só podem ser resolução se, depois de um debate, nós chegarmos a um acordo. O que eu penso, e o que pensa o general Ben Ben, não é a mesma coisa! Pensamos coisas diferentes e vamos para a reunião com ideias diferentes. E, quando sairmos da reunião, se as ideias diferentes dos dirigentes constituírem um ponto comum, então, já é uma resolução do Partido.
TSF - Se o Senhor tivesse ganho as eleições, como sonhou toda a vida, que ganharia quando elas se realizassem?
J.S. - Vou ganhar! Vou ganhá-las um dia…
SIC - Então aceita a derrota?
J.S. - O que posso fazer mais? Vou lutar contra a ONU, vou lutar contra toda a gente? Então seria, completamente, da minha parte, viver da ilusão! Desta não foi? Não faz mal! Quantas derrotas já tive na minha vida e quantas vezes consegui recuperar?
A morte do fundador do Galo Negro na visão de Lukamba Paulo Gato
Semanario Angolense (SA) – Tem um filho com o nome de guerra de Jonas Savimbi?
Lukamba Paulo Gato (LPG) – De facto, um dos meus filhos chama-se Alberto dos Jagas Lukamba Paulo. «Jaguar Negro dos Jagas» era o nome de guerra de Jonas Savimbi. O meu filho, que tem hoje 14 anos de idade, sabe que leva parte do nome de guerra de um homem que marcou a História deste país, desde os primórdios da Luta de Libertação nos anos 60 à data da sua morte, no início do Século XXI.
SA – Valeu a pena o esforço para o alcance da paz que vivemos?
LPG – Hoje estamos em condições de dizer em voz alta e bom som que, neste país, nunca mais à guerra. Mas como proceder para que se evitem conflitos sociais que resvalem para o antagonismo? É preciso que os dirigentes angolanos aprendam com os erros do passado. Jonas Savimbi foi um líder de convicções muito profundas e levou-as até às últimas consequências da sua lógica. Chegou a ser descrito por um historiador togolês como sendo «L’homme des grands reffus», o homem das grandes recusas. Recusou o colonialismo português, desde muito jovem, ainda na UPA; recusou também toda e qualquer outra dominação estrangeira.
No entanto, o fim da Guerra-Fria, na última década do século passado, alterou profundamente os interesses geoestratégicos, sobretudo, da potência vencedora, o que de certo modo precipitou certas tomadas de decisão no que diz respeito à resolução de alguns conflitos regionais.
E talvez Jonas Savimbi não tivesse compreendido que o fim da Guerra-Fria iria representar, em certa medida, o atenuar das chamadas grandes clivagens ideológicas, em benefício dos interesses económicos. Portanto, há uma série de perguntas que hoje, à distância do tempo, me coloco. Tal como o General (Charles) De Gaulle, que depois de tanto esforço e luta para a libertação da França contra a ocupação nazi, não previu que, pouco mais 20 anos depois, a juventude do seu próprio país, que tinha feito dele um ídolo, fosse revoltar-se a dado momento, a ponto de o levar à demissão.
SA – Está a falar de «Maio de 1968»?
LPG – Exactamente. A maior aspiração dos jovens franceses, em 1968, era a de desfrutar dos benefícios da paz, da liberdade e do desenvolvimento.
SA – Jonas Savimbi não soube ler os sinais dos tempos?
LPG – Os grandes homens também são humanos e podem não ter, necessariamente, a um dado momento, a leitura mais exacta dos sinais dos tempos. O fim da Guerra-Fria criou também aquilo a que chamo de «businessisação» da política. Teria Jonas Savimbi,um homem com uma grande convicção ideológica, previsto que os interesses económicos poderiam a certa altura da História comandar os destinos do mundo? Talvez não!
Tudo isto criou várias dificuldades para a UNITA. A forma como os ocidentais pensaram ajudar a solucionar aquele que foi um dos conflitos regionais decorrentes da Guerra-Fria também não foi das melhores. O interesse económico dos ocidentais pesou mais do que o desejo dos angolanos para uma verdadeira paz e reconciliação.
SA – Esta é uma indirecta para Portugal?
LPG – Não! Portugal foi apenas um actor, não o mentor. O mentor foi o vencedor da Guerra-Fria.
Hoje temos uma situação quase semelhante no nosso continente, o caso da Cote d’Ivoire. E é daqui do nosso país que partem ideias para não se recorrer à força (das armas) e à não interferência da Comunidade Internacional. Mas o que é que se passou aqui? Pela primeira vez, vimos as Nações Unidas a aplicarem sanções irracionais contra uma das partes (UNITA),criando um sentimento de impunidade e arrogância à outra parte (Governo). Mesmo quando depois se disse que se iria atribuir o cargo de vice-presidente a Jonas Savimbi para se sair da crise, de facto não era a vice-presidência. O que se ofereceu a Jonas Savimbi foi o posto de «vice-presidente do vice-presidente».
SA – Quem seria vice-presidente, de facto?
LPG – Seria alguém ligado ao Presidente (José) Eduardo dos Santos e ao MPLA.
SA – Quem seria…?
LPG – Não sei quem seria! O VII Congresso do partido (UNITA), no Bailundo, em 1996, analisou esta situação. Mas quando se aprofundou a proposta e chega de Luanda a informação segundo a qual Jonas Savimbi seria o segundo vice-presidente, eu via o líder da UNITA de forma desconfortável, pela sua personalidade e carisma, aceitar um posto que o relegava para o terceiro nível.
Tudo isto foi ditado pelos interesses económicos das potências ocidentais, que se precipitaram para que houvesse uma solução qualquer do nosso conflito. A partir de 1991/2, Jonas Savimbi não poderia mais sobreviver ao peso colossal dos interesses do Ocidente. O Ocidente não teve em conta o futuro dos angolanos. Por isso é que hoje temos uma democracia completamente manca. Basta olhar para a Assembleia Nacional, onde o partido no poder (MPLA) tem 191 assentos e o segundo partido (UNITA) 16.
Isso não é bom nem para o país, nem para o próprio MPLA, muito menos para a nossa jovem democracia. Com oitenta e um porcento, não é possível a humildade necessária para manter-se perto das preocupações profundas da população.
SA – Voltando ao «22 de Fevereiro»: a Comunidade Internacional sancionou a UNITA, com os EUA à cabeça. Daí o facto de o Galo Negro ter-se virado para França, no sentido de obter apoios.
LPG – Isso foi logo em 1991. O velho Jonas (Savimbi) fez uma leitura clara da situação logo depois da precipitação dos Acordos de Bicesse. Vou contar-lhe um episódio para ilustrar o que se passou. Primeiro, ao nível da Comissão Conjunta Político-Militar (CCPM),houve uma mudança de atitude nítida por parte dos americanos a favor do Sistema. Segundo, terminada a guerra, quando nos preparávamos para as eleições de 1992,fomos ter com os americanos para ver em que medida poderiam ajudar financeiramente a campanha eleitoral da UNITA. Para nossa surpresa, não nos deram sequer um dólar. Hábil diplomata que era, Jonas (Savimbi) criou imediatamente uma delegação que enviou à França para encontrar alternativas.
SA – Quem chefiava esta delegação?
LPG – Esta delegação era che-fiada por mim. Tinha estado dez anos em França, como representante do meu partido. E conhecia bem os meandros da política e da diplomacia, apesar de na altura estarem os socialistas no comando. Conseguimos encontros ao mais alto nível que resultaram em apoios substanciais para a campanha eleitoral que fizemos, embora estes apoios tivessem chegado em cima da hora. Portanto, os interesses dos americanos estavam claros. Hoje entendo melhor. O raciocínio dos americanos deverá ter sido muito simples: entre Jonas Savimbi e José Eduardo dos Santos, depois da Guerra-Fria, o interesse dos americanos estava mais virado para este último, que só estava em posição de fazer concessões, se quisesse sobreviver. Jonas Savimbi, por outro lado, estava em posição de força. Por isso fazia parte do bloco que venceu a Guerra-Fria. Logo, estava em condições de fazer exigências. Portanto, a escolha dos americanos não poderia ser difícil.
SA – A lógica dos americanos foi: «Show me the money, I show you the way»?
LPG – That’s correct! Depois desta escolha, Jonas Savimbi não poderia mais sobreviver.
SA – Então a sorte de Jonas Savimbi começou a ser traçada depois do final da Guerra-Fria?
LPG – Jonas Savimbi e a UNITA foram extremamente sacrificados na luta contra o expansionismo soviético na África Austral.
Jonas Savimbi era um homem profundamente perspicaz, de convicções profundas. O carisma e a personalidade do patriota angolano, que era Jonas Savimbi, criaram receios à Comunidade Internacional. Portanto, só havia motivos para exclui-lo.
SA – Jonas Savimbi terá caído sobre a sua própria baioneta devido à teimosia?
Semanário Angolense, 12 de Fevereiro de 2011
Palavras e frases de Jonas Savimbi
(….) O MPLA está a pensar que só ele é que tem cumbú. Nós também temos a grana, aqui (….)
(…) Agora os anti-motim estão a levar no focinho. Comigo, anti-motim em Luanda, comigo anti-motim de Benguela, comigo antim-motim no Huambo, comigo anti-motim do Bié, comigo anti-motim em Malanje, estão a levar no focinho (…)
(….) Aquele que trabalhou com o MPLA não deveria ter medo. Se trabalhou bem, nós também vamos lhe aceitar. Se trabalhou mal, o povo vai lhe correr (…)
(…) Menongue, ponto de partida. Luanda, ponto de chegada. O nosso galo voa, o nosso galo voa (…)
(….) A Policia Antí-Motim não é contra a UNITA, não é contra mim. É contra o povo (…)
(….) Eu não tenho nada, absolutamente nada. Eu nunca tive uma conta no banco na minha vida. Eu não possuo nenhuma vivenda no estrangeiro (….).
(….) Não posso ficar escandalizado pelo tráfico de diamantes do MPLA e pelas práticas de certos Chefes de Estado Africanos que se fazem erguer estátuas, esquecendo que elas serão demolidas no dia seguinte, e ser eu próprio corrupto (…).
(….) Quando falava com Agostinho Neto o José Eduardo dos Santos ainda era pequeno e necessariamente não participava nas nossas reuniões (…).
(…) Eu, fugir Dos Santos!? Negativo! E neste comício da Gabela que ele está a ouvir, se me provocarem, isto vai ficar feio! (….)
(…) O meu nome é (Jonas) Savimbi. Nem Dos Santos, nem Nandó. Eu não tenho medo de nada. Lhes dei surra em Mavinga (Kuando-Kubango), vieram a correr.
(…) Formei um exército, combato os russos, combati os cubanos, cheguei a Luanda e ganhei. E agora, os ninjas que ainda tentem contra mim para ver o que vai acontecer. Eu não fujo(…)
(….) Nós temos, em Londres uma conta no Banco, que serve para prover às despesas dos nossos representantes no Exterior, assim como para comprar armas no mercado internacional. Nós exigimos facturas precisas de todas as despesas. Mas os nossos homens no Exterior, são gente honesta, e todos combateram nas matas. Muitas vezes temos de lhes explicar que lá, na Europa, já não é como na mata; devem comprar dois fatos (….).
(….) O que posso dizer é que quem quer que tenha a responsabilidade de pôr em risco o plano de Gbadolite, corre também o risco de ter toda a população de Angola contra si. Eu não vou correr esse risco(…).
(….) Eu militava com (Agostinho) Neto, mas eu não sabia que ele era membro de um movimento organizado. Só quando cheguei à Suíça nos fins de 1959, me apercebi, ao ler um panfleto, da existência do MPLA. Escrevi de imediato para Conakry, onde se encontravam Lúcio Lara, Viriato da Cruz e a maior parte dos dirigentes deste movimento. Pedi-lhes informações sobre o seu programa e, se o achassem útil, que me enviassem alguém para me contactar. Passado um ano, não obtive mais do que meias respostas e ninguém me veio ver. Em contrapartida, Holden Roberto, a quem tinha também escrito, veio ao meu encontro em Lausanne. Tivemos uma discussão de 3 horas. Eu apercebi-me de que ele não tinha nenhum programa. Abstive-me, pois, de responder. Foi então que, no início de 1960, fui mandatado pela União Geral dos Estudantes Angolanos, organismo próximo do MPLA e dirigido na época opor Luís de Almeida (…)
(…) Quando alguns elementos, descontentes da desorganização e do etnocentrismo da FNLA quiseram fazer um golpe de estado contra Roberto, opus-me determinantemente. Bem vistas as coisas, seria um suicídio, porque (Holden) Roberto beneficiava do apoio das autoridades de Leopoldville. E nós teríamos feito o jogo dos Portugueses. Eu preferi, pois, deixar o movimento e fundar uma outra organização. Em Abril de 1964, voltei para a Suíça(…).
(….) Os Soviéticos disseram-me: “Junta-te ao MPLA e serás o Vice-Presidente”. Eu respondi que esta medida não serviria para nada enquanto este movimento persistisse em permanecer no exterior de Angola. Era preciso deixar Brazzaville para a mata. Os meus interlocutores responderam-me que tal não era a sua concepção da luta e ficámos por aí. Regressei, pois, ao Cairo, com as mãos vazias. Logo, até 1966, por intermédio de NASSER, eu mantive contactos com os soviéticos(….).
(….) Eu admirava-a (Revolução Cubana) muito. Possuía gravações dos discursos de Fidel (de Castro) e a sua experiência revolucionária fascinava-me. Mas eu conhecia melhor o Comandante Ernesto Che Guevara. Encontrei-o em Fevereiro de 1965, num avião que nos levava de Dar-Es-Salaam à Argélia, onde devia realizar-se um Seminário Económico Afro-Asiático. O Che vinha de Brazzaville; ele tinha encontrado ali os dirigentes do MPLA e afirmava estar decepcionado com a sua burocracia, o seu pequeno campo de treino de Dolosie. O Che tinha instado junto dos homens do MPLA para visitar as suas zonas libertadas e tinha-se-lhe respondido que era impossível, por razões de segurança. Ele tinha redigido para Castro um relatório desfavorável ao MPLA e tinha-me confiado que, se eu entrasse realmente no interior de Angola para ali instalar o “maquis”, Cuba estaria do meu lado. Mas pouco tempo depois do seu regresso a Havana, o Che desaparecia para ir combater de novo. O seu relatório não teve seguimento(…).
(….) Eu não sou general do Futungo das Belas (….)
(…) Penso que todo o indivíduo que quiser ser Presidente de Angola, desde que tenha um partido estruturado, seguidores, tenha coragem de advogar eleições e vá para as eleições e depois das eleições poderá sentir-se na pele de Presidente ou não (…).
Semanario Angolense, 12 de Fevereiro de 2011
Comicio de Jonas Savimbi











Grande Homem.
ResponderExcluiro ocidente traçou os planos de angola! e a manilha dos angolanos foi agarrada qdo menos esperavamos. é trist!!
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