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23 de ago. de 2011

"Revoluções de Facebook," grande conspiração dos Estados Unidos ou verdadeira revolução?


Uma interpretação errónea se propaga na Internet:  as revoluções árabes foram desencadeadas e manipuladas pelos Estados Unidos?

O argumento dessa tese mais ou menos oficial, apareceu nos Estados Unidos nos últimos meses e consiste em "hacktivismo" (hackers activistas), tendo um papel fundamental na circulação e divulgação de informações e simbolizam um novo tipo de revolução, a "revolução Facebook ".

Os planos tradicionais não funcionam com os países árabes, e em algumas ditaduras fortes.
Então, eles (os Americanos)  prepararam como um novo plano, como fazem em outros lugares ou em praticamente todos os países que querem controlar.
Em que consiste o plano? Eles "compram" com antecedência alguns opositores e intelectuais - que apercebem-se ou não que estão a ser manipulados, eu recebi em tempos um convite desses, o departamento de Estado quer "investir" no futuro. Quando chegar o momento, eles impulsionarão as pessoas escolhidas para a frente do palco, quanto tempo esse plano vai funcionar? Não sei e duvido que funcione.

"Revoluções de Facebook"
No meu entender, falar de "revolução Facebook" é um mito que serve bem aos Estados Unidos, que muito relatam a importância dos novos métodos de informação e de mobilização na a Internet, é um absurdo como a ideia de que o Facebook substituiria as lutas sociais e revoluções.
Essa ideia fica bem ajustada para os grandes capitalistas, mas na realidade o que eles temem, acima de tudo é a raiva dos trabalhadores, porque colocaria em risco a sua fonte de lucros.

O papel dos trabalhadores
O Facebook é um método de luta, mas não é a essência da revolução.
Uma verdadeira revolução só pode vir dos trabalhadores, das classes operarias, que são das mais exploradas pelo capitalismo.

Todas as revoluções importantes foram feitas por trabalhadores explorados e oprimidos: Os bolcheviques defendiam uma mudança radical de política para seu povo, defendendo uma revolução socialista armada, caso necessário. O movimento Solidarność (em português Solidariedade, de nome completo Niezależny Samorządny Związek Zawodowy "Solidarność" ou Sindicato Autónomo. 

Na Alemanha, os ideais revolucionários incitaram a burguesia e os trabalhadores contra o poder constituído. Em Março de 1849 é aprovada a Constituição alemã. Ela determina que o imperador compartilhe o governo com o Parlamento (Reichstag). Mas os conservadores reagem, com a retirada dos deputados prussianos e austríacos da Assembleia Constituinte, que é dissolvida. O Exército reprime novas insurreições e a nação volta à hegemonia austro-prussiana. Aproveitando a onda revolucionária, a Hungria proclama sua independência do Império Austríaco dos Habsburgo, em 1848, e estabelece um governo democrático, que logo é reprimido com violência por tropas austríacas.

Esses exemplos descrevem a importância dos trabalhadores num movimento de contestação.
O segundo homem mais rico do mundo, o grande Warren Buffet, disse há algum tempo que, "há uma luta de classes na América. Mas é a minha classe, a classe rica é que faz as guerras e nós ganhamos sempre nestas guerras".

As realidades da Tunísia e do Egipto confirmam a realidade da luta de classes. Quando é que o ex-presidente  Ben Ali, arrumou as malas e fugiu? No dia 14 de Janeiro, quando os trabalhadores tunisinos começaram uma greve geral. Hosni Mubarak, quando é que ele deixou o seu trono? Quando uma greve dos trabalhadores "paralisou a industria têxtil egípcia, os correios e até mesmo a mídia oficial entrou em greve.

Durante a última década, uma enorme onda de protestos sociais atingiu mais de dois milhões de trabalhadores em mais de três mil greves, Sit-Ins e outras formas de protesto. Tal era o fundo de todas agitação revolucionária nas últimas semanas ... Mas nos últimos dias, vemos dezenas de milhares de trabalhadores nas ruas para defenderem as suas exigências económicas.

A revolução árabe está apenas a começar. Após as primeiras vitórias populares, a classe dominante, ainda no poder, tentam acalmar as pessoas e fazem pequenas concessões. O ocidente queria que os revolucionários abandonassem a rua o mais rapidamente possível e que os negócios continuassem como antes. Mas ninguém quer saber quais são as reivindicações dos trabalhadores.
O que me leva a pensar que haverá mais revoltas e revoluções se os trabalhadores não tiverem melhores condições de vida.

A verdadeiras revolução vira sempre do proletariado, seja ele cibernético ou rural... o futuro da mudança e da luta dos oprimidos está nas mãos dos homens de terreno.


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