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15 de mar. de 2011

Cabo Verde desmente ligação ao tráfico de armas para a Costa do Marfim


Aeroporto Amílcar Cabral, Ilha do Sal, Cabo Verde.
Aeroporto Amílcar Cabral, Ilha do Sal, Cabo Verde.
Flickr/ Starrynight1
                                                                                                                                                       

O Governo de Cabo Verde desmentiu a passagem pelo arquipélago de aviões com armas para a Costa do Marfim, acusação que consta num relatório da Human Rights Watch, embora o chefe da diplomacia cabo-verdiana admita que nem todos os aparelhos sejam vistoriados.
Segundo o relatório divulgado na semana passada pela Human Rights Watch, um bombardeiro MIG-25, e dois jatos Sukhoi-27, escalaram o aeroporto internacional de São Vicente em Janeiro último, “com uma carga suspeita” proveniente de Angola, para entregar a Laurent Gbagbo, que se recusa a abandonar o poder, depois de ter perdido as eleições de Novembro de 2010 na Costa do Marfim, para Alassane Ouattara.

“O Governo rejeita as informações infundadas, que só servem para lançar descrédito à governação”, lê-se num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
O chefe da diplomacia cabo-verdiano, José Brito, admitiu entretanto que nem todos os aviões que escalam Cabo Verde para reabastecimento são vistoriados, lembrando, porém, que os aeroportos do arquipélago, sobretudo o do Sal, são muito frequentados nessas circunstâncias.

“Há tantos aviões que passam no Sal, em particular, e que fazem escala e do qual não temos nenhuma informação se respeita a lei. A lei diz que quando tem tipos de armamento, tem de se informar, e aviação civil não recebeu nenhum pedido de aterragem”, acrescentou José Brito, garantindo que “Cabo Verde respeita o embargo das Nações Unidas (à Costa do Marfim) e não pode tolerar que isto se passe no seu território”.

O comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros garante que, “em nenhum momento os serviços aeroportuários ou da aeronáutica civil registaram o trânsito” daquelas aeronaves.           

 

 

Saiba quem é quem na crise da Costa do Marfim



Por Claudio Pinnock

O cenário político da Costa do Marfim continua indefinido desde novembro, quando o candidato Alassane Ouattara venceu as eleições, derrotando o então presidente Laurent Gbagbo. No entanto, o chefe de Estado se recusa a deixar o poder. A vitória de Ouattara foi reconhecida pela comissão eleitoral e validada pelas Nações Unidas, mas rejeitada pelo Conselho Constitucional dirigido por um pró-Gbagbo.


Alassane Ouattara acena antes de encontro da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao). Ouattara conta com o apoio maciço de instituições internacionais, que defendem sua vitória e a renúncia de Gbagbo  Foto: AFP

Alassane Ouattara, nascido em 1º de janeiro de 1942, é o outro político marfinense que disputou a presidência e que se considera vencedor do pleito de outubro de 2010. Ouattara, que ocupou o cargo de primeiro-ministro da Costa do Marfim de 7 de novembro a 9 de dezembro de 1993, teve papel ativo na recuperação econômica do país na década de 1990.Ele é presidente do partido oposicionista republicano marfinense.
Foto: AFP









Laureant Gbagbo acena ao passar pela Guarda de Honra do palácio presidencial de Abidjan. Gbagbo, presidente da Costa do Marfim até o final de 2010, se declara vitorioso com o apoio do Sul do país  Foto: AFPLaurent Gbagbo. Nascido em 31 de maio de 1945 e historiador na Universidade Cocody-Abidjan, Gbagbo foi o quarto presidente marfinense, cargo que ocupou oficialmente desde 26 de outubro de 2000. Ele disputou a reeleição no pleito do segundo semestre de 2010, do qual saiu como um dos candidatos que se proclamam vencedores. Ele tem sua base de apoio na metade Sul da Costa do Marfim, e pertence ao partido da Frente Popular.       


Foto: AFP













A ONUCI
Vários protestos foram registrados logo após o pleito, e a violência voltou a tomar conta de diversas cidades do país desde meados de fevereiro. A situação preocupa a comunidade internacional e o Conselho de Segurança das Nações Unidas deve se reunir nesta quinta-feira para discutir o assunto.  A ONU calcula que 356 pessoas morreram desde o início dos protestos após as eleições.
04 de janeiro de - Tropas das Nações Unidas patrulham as ruas de Abidjan  Foto: AP        
 - Tropas das Nações Unidas patrulham as ruas de Abidjan

A Nigéria preside actualmente a CEDEAO, a Comunidade económica dos Estados da África ocidental.
O ministro nigeriano dos negócios estrangeiros, Odein Ajumogobia, admitiu ter pedido ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que seja autorizada a utilização da força contra Laurent Gbagbo, e isto em último recurso.
De acordo com o chefe da diplomacia nigeriana é necessário que Gbagbo entenda que há uma perspectiva real para ele enfrente que uma força militar massiva.
Para Ajumogobia o mandato das tropas da ONU neste momento estacionadas na Costa do Marfim não estaria adaptado para se garantir a paz e a segurança no país.
Por seu lado Alassane Ouattara tenta asfixiar economicamente o seu rival Gbagbo. O presidente reconhecido pela ONU ordenou a suspensão por um mês das exportações de café e de cacau.
A Costa do Marfim é o primeiro produtor mundial de cacau. Poderão vir a ser adoptadas sanções nacionais e internacionais aos agentes económicos que não acatem a ordem.
Ouattara que recebeu de novo esta segunda-feira novo apoio do chefe de Estado francês.
Nicolas Sarkozy que falava em Paris à imprensa e aos embaixadores acreditados na capital francesa fez questão em cumprimentar Ali Coulibaly.
Este último foi designado por Ouattara como novo embaixador em Paris.
Para Sarkozy a França reconheceria um único governo legal, o de Ouattara, reconhecido também pelas Nações Unidas e por todas as organizações africanas.
Membros do grupo radical Jovens Patriotas, partidários de Laurent Gbagbo, protestam em 29 de dezembro de 2010 em Abidjan  Foto: AFP
Membros do grupo radical "Jovens Patriotas", partidários de Laurent Gbagbo, protestam em 29 de dezembro de 2010 em Abidjan                                                                                    
Jovens Patriotas                                                                                                                                                               
Jovens Patriotas liderados por Charles Blé Goudé, ministro da juventude designado por Laurent Gbagbo e líder dos Jovens Patriotas, fiéis ao presidente cessante.                                                                     
O líder, Charles Blé Goudé, disse que não vai dar aos "adversários a oportunidade de ter sucesso na guerra civil desencadeada por eles.  
 Emissários da CEDEAO que mediam a crise na Costa do Marfim
 Os três mediadores foram enviados pela Comunidade Econômica dos Estados da Africa Ocidental, a CEDEAO.  Antes de partir de Cabo Verde, o presidente Pedro Pires se disse preocupado, dizendo que a Costa do Marfim caminha para uma situação complicada. Ele também afirmou que não vê nas medidas atuais nenhuma tentativa de resolver o problema de maneira duradoura, mas que tem esperanças que as negociações obtenham algum avanço
                                                                                                                                                           
O vencedor das eleições presidenciais da Costa do Marfim internacionalmente reconhecido, Alassane Ouattara, conversa com o presidente do Cabo Verde, Pedro Pires, e do Benin, Yayi Boni, após uma reunião em 28 de dezembro de 2010 no Hotel Golf em Abidjan  Foto: AFP         O vencedor das eleições presidenciais da Costa do Marfim internacionalmente reconhecido, Alassane Ouattara, conversa com o presidente de  Cabo Verde, Pedro Pires, e do Benin, Yayi Boni, após uma reunião em 28 de dezembro de 2010 no Hotel Golf em Abidjan                                                             










A minha opinião:





                                                                                                                                                                                                                    
 União Africana (UA) e a Comunidade Econômica da África Ocidental (Cedeao) devem continuar a pressionar o presidente derrotado nas eleições de novembro, Laurent Gbagbo, a passar o poder ao presidente eleito, Alassane Ouattara. Apesar dos esforços, as negociações para uma solução pacífica custam a avançar. Para mim o sucesso desta mediação é muito importante, já que o ano de 2011 será marcado por eleições presidenciais ou legislativas em cerca de 20 países do continente africano. o processo democrático evoluiu nas últimas décadas na África, apesar de ainda existirem regimes ditatoriais e eleições fraudulentas.
                                                                                                                                                                                                                  
Dr Claudio Pinnock


 


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