![]() |
| A Task Force da FNLA Holden, Pinnock, Vaal Neto, eles é que ditavam as regras e foram os autores do acordo que depois foi submetido a aprovação da UNITA e do MPLA. |
![]() |
| Jonas Savimbi e Manuvakola |
![]() |
| Agostinho Neto e Lucio Lara, vê-se na foto que de facto quem dirigia as negociações para o MPLA era o Lucio Lara, na foto podemos ver também JES que nesta altura era apenas um assessor do Lucio Lara |
| Rosa Coutinho que perante a humilhação de ceder a todas as exigências da FNLA e da UNITA fez um acordo secreto com o MPLA. |
ACABOU O COLONIALISMO QUE OPRIMIU ANGOLA
Jornal a Província de Angola, 16 de Janeiro de 1975.
HOLDEN ROBERTO
PORTIMÃO - Boa noite, angolanos. Como é do vosso conhecimento, a cimeira de Alvor acaba de terminar. Foi à beira do Oceano Atlântico, nesta distante província portuguesa do Algarve, que há cinco séculos, as caravelas portuguesas receberam a ordem de partida para as distantes terras de Africa.
Foi desta terra que partiu Diogo Cão, desses conquistadores, desses colonizadores fará atracar no nosso país.Pois, meus irmãos, é com regozijo que vos anuncio que nessa mesma terra onde nasceu o colonialismo, o colonialismo que oprimiu Angola, acabou.
É o fim de uma época e o princípio de outra e neste momento solene em que os corações de todos os angolanos batem à uma, os meus pensamentos estão dirigidos para vós. Ao mesmo tempo peço para celebrarem comigo esta victócia que o nosso povo depois de catorze anos de luta sangrenta e implacável, acaba de alcançar,mas tendo em conta que essa vitória é alcançada com sangue, com lágrimas e com o suor dos filhos mais queridos de Angola. E neste momento que celebramos esta vitória é nosso dever dirigir o nosso pensamento para que aqueles. que se sacrificaram para que este dia tão glorioso nos anais da história do nosso povo se torne uma realidade viva.
A partir de hoje, as responsabilidades que assim assumímos durante catorze anos aumentam. O que nos caberá agora defender esta jóia que é a independência?1l de Novembro de 1975, Angola será independente para toda a eternidade. Regozijai-vos, cantai e dançai porque a liberdade pela qual tanto sofremos, se torne uma realidade.
Daqui a poúco tempo assumireis novas responsabilidades e não sereis mais homens sem pátria, meios cidadãos. Pois sereis, doravante, verdadeiros cidadãos. Em breve futuro falar-vos-ei mais longamente. Por ora desejo-vos boa noite, A primeira noite que passareis com a certeza de ver a brilhar no horizonte a estrela que simboliza a Liberdade, o símbolo da nossa bandeira. LIBERDADE E TERRA
Esta mensagem foi transmitida pelo programa " Luanda- 75".
AGOSTINHO NETO AO POVO ANGOLANO (Acordo de Alvor, 1975) |
• PORTIMÃO, 15 — Agostinho Neto, presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola, dirigiu a seguinte mensagem ao povo angolano:
"Povo angolano, companheiros de luta, camaradas militantes e simpatizantes do MPLA. Angolanos:
Falo-vos no momento de particular transcendência do processo já longo da luta de libertação do nosso povo e do nosso pais. Não interessa relembrar agora os inúmeros sacrifícios, os incalculáveis sofrimentos por que passou o nosso povo, pois o sangue derramado pelos nossos heróis, os suplícios consentidos pelos nossos mártires, as humilhações dos vivos e dos mortos, constituem já, historicamente, a argamassa indestrutível que construiu os alicerces da nossa libertação. O que importa neste momento é que a grande e portentosa nação que já se vai erguer, sobre as bases conquistadas, saiba trilhar o mesmo caminho de dignidade, de justiça e de humanidade que sempre caracterizaram a acção do Movimento Popular de Libertação de Angola.
O acordo que acabamos de firmar com o Governo Português e que não é afinal mais do que uma reafirmação do nosso desejo de franca, leal e aberta colaboração, que não é afinal mais do que uma confirmação do protocolo de Mombaça, esse acordo que aqui foi obtido dentro do mais perfeito espírito de cooperação, representa as linhas teóricas que deverão orientar os primeiros passos de uma Angola saída da negra opressão e repressão do fascismo, mas ainda a caminho da independência total e completa. A todos nós, militantes e simpatizantes do MPLA, mas muito especial ao povo angolano, caberá, agora, a dura, a dura mas a gloriosa tarefa, a difícil mas aliciante missão de assumir na prática as palavras de ordem e as directrizes encontradas na cimeira da Penina.
Qual é afinal o nosso caminho? A que reconduz à correcta e legitima forma de reconstruir o nosso país, só por ser uma, a reluminosa igualdade, da justiça e da compreensão. A da Unidade. Queremos fazer um país onde não haja lugar a qualquer espécie discriminação, queremos construir uma sociedade em que sejam abolidos todos os vestígios de racismo e de tríbalismo, em que seja destruído o único sinal do colonialismo em que estabeleçam as condições necessárias para criar uma harmonia entre todos os componentes da nação angolana e a garantia plena do livre exercício por parte de cada um, dos direitos inalienáveis e das liberdades sagradas dos cidadãos livres de um país livre. Foram estas as posições que o MPLA defendeu"na cimeira da Penina. São estas posições que o povo angolano deverá defender em todo o território nacional, em todos os momentos. É este o nosso caminho. Absorver o espírito e cumprir a letra do acordo da Penina. Reconstruir a nação na dignidade e na justiça, única forma de garantir a paz, a. prosperidade, e a felicidade que são, afinal, os objectivos últimos da revolução angolana.
Compatriotas camaradas: agora que os trabalhos da cimeira estão concluídos, agora que o Mundo inteiro nos olha com a consideração e o respeito que a nossa luta de libertação construíram, saibamos reforçar e consolidar as conquistas obtidas. Um só povo, uma só nação, defendendo intransigentemente, sem subterfúgios ou ambiguidades a democracia e o direito sagrado de podermos entrar no seio da comunidade mundial com as credenciais conseguidas ao longo de 18 anos de luta.
FNLA, UNITA e MPLA unidos, pretos, mestiços e brancos unidos são a garantia para construirmos uma pátria independente para o povo angolano. A vitória é certa".





pois pois..quem traiu!!??
ResponderExcluirTraiu que negou o compromisso que assumiu de erguer uma Angola pluralista e enveredou pelo que não disse aí e instalou uma ditadura mono partidária absolutista depois de escorraçar os outros da cidade e da cidadania.
ResponderExcluirHoje volvidos 21 anos - depois de iniciada uma das mais longas transições para a democracia - o Estado angolanos, apesar de já não ser mono partidário no plano constitucional, continua efectivamente sob a hegemonia do MPLA cujo regime ditatorial tudo faz para impedir a ascensão de outras forças partidárias e da sociedade civil que lhe sejam críticas e proponentes de outra relação entre o poder político e o povo.
Hoje os que legitimaram uma revolução anti capitalista e nos impuseram um totalitarismo em aliança com a ex potencia URSS tornaram-se os mentores e autores dum sistema capitalista selvagem em que campeia a corrupção e a violação dos direitos humanos com total impunidade.
A UNITA e a FNLA nunca exerceram o poder e por isso não as podemos avaliar e nem julgar partindo de suposições sobre como se conduziriam se tivessem o poder.
O MPLA podemos avaliar e julgar porque tendo conquistado o poder no seu exercício não fez jus às promessas que postulou nos discursos que proferiu nessa momento pré independência. O MPLA traiu nessa ocasião e continua a trair o povo não o servindo e vez disso servindo aos que o dirigem e seus próximos e associados.
O MPLA, especialmente a sua combinação JES/MPLA estão a desenvolver um endocolonialismo no nosso país que exclui e deserda impunemente da cidade e da cidadania a maioria da mulheres e homens angolanos a quem, inclusivamente, sem qualquer inibição, ataca fisicamente em massa desalojando e esbulhando os sítios em que vivem.
O Governo do MPLA agora reprime as cidadãs e cidadãos sofridos e que conscientes da situação que impõe à nação ousam o verbo e o gesto contra a sua ditadura.
Mas como todas as ditaduras a do MPLA também conhcerá o seu fim se todas e todos nós nos aliarmos contra ela.
EXIGE DIGNIDADE COM DIGNIDADE!