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27 de dez. de 2013

Geopolítica : A declaração de "boas intenções" da Cimeira para a Paz e Segurança em África

Esta rubrica é destinada à pessoas com conhecimentos géo-estratégicos e foi alvo de pesquisas antes de ser publicada neste blog. As informações, assim como as fontes são fiáveis e podem ser verificadas. (pink'sblog)






A cimeira para a Paz e Segurança em África, realizada em Paris, entre 6 e 7 de Dezembro de 2013 foi mais uma daquelas fantochadas que em ajudam a melhorar as vidas das populações africanas.
Concentrar numa mesma reunião, as temáticas completamente opostas tais como  "a paz e segurança em África",  "a parceria económica entre o continente africano e o Estado francês" e por fim o desenvolvimento e as alterações climáticas em Africa.
53 delegações de países africanos participaram da Cimeira, bem como alguns representantes das Nações Unidas, da União Africana, da União Europeia, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e do Banco Africano de Desenvolvimento. Nas suas conclusões as seguintes declarações de boas intenções foram emitidas.

Sobre a Paz e a Segurança:
"Os Chefes de Estado e de Governo reafirmaram o seu compromisso com a segurança colectiva no continente Africano e comprometeram-se a promover a paz e os direitos humanos, de acordo com os propósitos e os princípios da Carta das Nações Unidas e do Acto Constitutivo da União Africana. 
Eles pediram reforço do diálogo estratégico e parceria militar entre a África e a França. Eles disseram que a paz, a segurança, a promoção e a proteção dos direitos humanos eram indivisíveis e que uma acção imediata em casos de graves violações dos direitos humanos pode ser uma ferramenta eficaz na prevenção de conflitos".
  
Até neste ponte tudo bem, como sempre as intenções são boas... Mas em seguida, foi uma explosão de auto-satisfação. A crer estes senhores, tudo vai bem em África. Um exercício de auto-bajulação que nada tem a ver com a realidade do continente. Leiam:

"Os Chefes de Estado e de Governo concordaram com a importância de um sistema eficaz, multilateral e representativo do mundo de hoje, com base em uma Organização das Nações Unidas, que é ao mesmo tempo forte e renovado. Eles, em particular, pediram uma reforma do Conselho de Segurança da Organização da ONU para reforçar o lugar da África no contexto de um Conselho ampliado, preservando sua a capacidade de manter a paz e a segurança internacional em benefício da segurança coletiva, conforme previsto pela Carta das Nações Unidas."
Congratularam-se com os importantes progressos realizados pela União Africana,(só pode ser piada)  pelas organizações regionais na implementação de operações de paz em África.
Neste contexto, os Chefes de Estado e de Governo sublinharam a importância de verem desenvolver-se uma capacidade africana para a resolução das crises, coisa que a meu entender parece mais ser um mecanismo anti-golpes de Estados.  
A França do seu lado comprometeu-se a apoiar os esforços da União Africana para atingir uma plena capacidade operacional da Força de intervenção africana e da sua capacidade de resposta rápida e imediata nas crises, tal como decidido pela Cimeira da União Africana em Maio de 2013 em Adis-Abeba. 
Esta tal força nunca viu a luz do dia, por falta de financiamentos, a União Europeia hesita e os Estados Unidos temem que esta força venha a servir para manter no poder alguns dirigentes africanos que teriam de facto uma certa legitimidade militar para impedirem quaisquer tentativas de mudanças, sejam elas pacíficas ou não. 

De um outro lado, a cimeira de Paris serviu aos africanos, como sempre, de reunião de angariações de fundos para diversos "supostos-programas" de desenvolvimentos que nunca se concretizarão, mas que para tal os fundos serão bem entregues aos países africanos. Na verdade, muitos chefes de Estados só deslocaram-se à Paris, porque a diplomacia francesa prometeu que em margem dos debates sobre a segurança, haveria também uma oportunidade para algumas delegações organizarem encontros bilaterais com os dirigentes do FMI (Fundo Monetário internacional) do BAD (Banco Africano para o Desenvolvimento). 
Num segundo comunicado, os Chefes de Estado e de Governo sublinharam as vantagens da relação econômicas existentes entre África e a França. Expressaram o seu desejo de modernizar esta relação para impulsionar o comércio.
Enfatizaram a necessidade de promover o crescimento e a criação de empregos de qualidade, com base em uma mobilização equilibrada de capital físico, humano e natural. Eles encorajam uma economia sustentável, baseada principalmente em energias renováveis ​​e na promoção dos oceanos. Como sempre as boas intenções não faltam, mas o mais importante para eles é que haja dinheiro distribuído. Desta vez em nome da ecologia e do desenvolvimento das energias naturais. 

Os Chefes de Estado e de Governo expressaram a sua vontade de mobilizar os bancos multilaterais e os seus fundos concessionais a trabalharem com o Fundo Europeu de Desenvolvimento ao serviço do crescimento sustentável e inclusivo em África.
A França aceita nomeadamente através da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) de promover o desenvolvimento sustentável do continente de desenvolvimento económico, social e ambiental, bem como os valores da democracia e do Estado de direito e da igualdade entre homens e mulheres. Tal como eu disse as boas  intenções não faltaram.

 A análise que podemos fazer sobre esta cimeira é mais uma vez um fracasso. Um fracasso porque nada mudou, tudo que foi tido já tem sido dito nos últimos anos. 
Enfim, esta cimeira terá permitido ao presidente francês François Hollande de afirmar-se como o novo "Mestre" do continente africano. Na ausência dos parceiros chineses que esqueceram que uma parceria comercial com os africanos não se faz sem parceria militar, e que perdem assim vários contratos actuais e futuros, e como o grande patrocinador financeiro e artesão da construção da UA (União Africana) o malogrado Muhamar Gadhaffi já não é deste mundo, o continente africano vai de comer comer nas mãos do ocidentais (seria ingenuidade minha crer que alguma vez isto tenha mudado).
E para as populações que morrem de fome, doenças e em conflitos armados, a solução dos seus problemas ainda não foi desta vez... desta vez, foram de novo as intenções que ganharam... como sempre.



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