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8 de fev. de 2012

Pedro Nunes Salomão Tomás: ‎"NO ESPÍRITO DE FEVEREIRO/MARÇO" I° Parte





Povo Guerreiro
O povo KONGO, há várias décadas, já lhe inspirava algum interesse ardente em política. A morte de alguém importante ou mesmo dum rei, origina (va) quase sempre uma luta de poder, pela sua sucessão entre os clãs, antes de um novo ser eleito. O povo tinha um grande sentido de justiça social,  coisa que no passado tinha levado a uma resistência contra à opressão portuguesa e que faria o mesmo no futuro. As reuniões da Igrejas Baptista ( BMS), criaram uma comunidade activa e participativa que desenvolveu uma consciência politica entre os povos Kongos.


As primeira tendênçias de rebeliões no norte de Angola.

Desde os primeiros contactos, o comércio de escravos foi uma influência destrutiva. Na perspectiva de se obter mão de obra barata para as plantações de S. tomé, ( onde partiu o tio do meu pai MIGUEL), e mais tarde o Brasil, tornou-se a maior atracção para os Portugueses. A escravatura, não foi introduzida pelos Portugueses, pois já era um elemento da sociedade do KONGO! ( Seg. historiadores). Contudo, os "tugas", particularmente donos das plantações de S. Tomé, trouxeram uma outra dimensão para escravatura, a qual criou indignação e ressentimento no seio do povo KONGO, e originou a rebelião de 1914.


"O fomento politico e a Gerra da Independência" I

 O Congo Belga (Kinshasa) tornou-se independente em 1960, sobre a liderança do Joseph Kasa-vubu, mas as formações politicas em Angola ainda não eram permitida. Em 1956, a administração colonial rejeitou o escolhido pelo povo angolano, para ser o novo Rei de SÃO SALVADOR, e em seu lugar coroou um da sua preferência. Não havia dúvida que o povo via no Rei uma possível base para o poder político, enquanto os "tugas" desejavam que o incumbido no trono fossem o seu porta-voz para o povo. Os angolanos que viviam no Congo Belga formaram alguns partidos políticos, sendo o mais influente a UPA (União das Populações de Angola). Este movimento organizou os protestos que levaram aos acontecimentos de 15 de Março de 1961. A revolta apanhou os "tugas" de surpresa. A sua máquina de propaganda, furiosamente, acusou: os comunistas, os americanos, o presidente Joseph Kasa-vubu do Congo-Kinshasa e os missionários baptistas.

O pessoal de CALAMBATA onde estudava o meu pai e Bembe foram evacuados. Os missionários em KIBOKOLO foram expulsos pelos portugueses. Do mesmo modo, o pessoal de São Salvador ( Mbanza Kongo) foram forçados a deixar a estação quando esta foi tomada de assalto pelo exército português. Nessa altura, os missionários pouco podiam fazer para acudir o povo, dado que a maioria já tinham fugido para as matas atravessando a fronteira para Congo-Kinshasa. Houve uma grande chacina no norte de Angola, onde meu pai, papá AVELINO SALOMÃO TOMÁS foi um dos poucos sobrevivente!

Papá AVELINO SALOMÃO TOMÁS 


"O fomento político e a guerra pela independência" II

Depois de longos anos de dificuldade económica, Portugal emergiu, desde os meiados da segunda guerra Mundial, com uma moeda forte, e os investimentos privados e públicos, em Angola, subiram drásticamente, consequência: Chegavam muitos novos "tugas" anualmente, até atingirem um número muito considerado! O resultado foi que os africanos viram as suas terras tradicionais serem-lhes retiradas, e a exigência de um "CONTRATO DE TRABALHO" aumentada. Ano após ano, homens, e crianças eram forçados a trabalhos forçados por largas horas, algumas vezes por um salário mísero. Muitas das vezes, os contratados eram espoliados dos já míseros salário por impostos e qualquer protesto era severamente reprimido! Esse sistema de contratos de trabalho, foi uma das causas de REVOLTA DO NORTE! Os povos Kongos (Mbanza-Congo) e Zombo (Uíge), que estavam a viver no Congo Belga (Kinshasa) e Congo (Brazzaville) eram particularmente chegados. Durante vários anos, deram um generoso apoio às suas famílias na sua TERRA NATAL, onde os impostos eram pesados e os salários escassos, mas o trabalho forçado, era endémico.


Por causa de guerra entre 1961-1975, mais de 450.000 angolanos precisamente no norte de Angola, foram obrigados a refugiarem-se na república do Congo-Kinshasa (ex-Leopoldville). Os efeitos da guerra foram devastadores, alguns missionários das Igrejas tiveram que ser evacuados e outros expulsos pela autoridades Portuguesas inclusive os de Calambata onde estudava Papa Avelino. As estações de KIBOCOLO e BEMBE (Uíge) que pertenciam à missão protestante da BMS, foram completamente destruídas. Havendo mais de 280 Igrejas em toda zona, apenas três ou quatro delas não foram destruídas.

Uma ampla perseguição aos angolanos com estudos e alfabetizados, fora levado a cabo impiedosamente desde a revolta em Março pela PIDE (polícia secreta de Portugal). Assim que se soube que a maioria dos cabecilhas da revolta, eram angolanos treinados na missão, que poderiam ler e escrever, todos angolanos alfabetizados e assimilados foram considerados imediatamente altamente suspeitos pela PIDE.
Dos prisioneiros que ainda estavam vivos na altura em que os missionários da B.M.S. partiram em 1961, AVELINO SALOMÃO TOMÁS, então estudante de CALAMBATA, foi posto em liberdade pouco depois. Durante alguns anos, ele foi uma grande ajuda para grupo até que obteve permissão para regressar á sua aldeia natal, MAQUELA DO ZOMBO/KIBOCOLO
Durante as primeiras semanas da revolta no norte, foi dada atenção considerável pelos meios de comunicação mundiais as atrocidades cometida pelos angolanos, mas a censura da imprensa por Salazar, suprimiu eficazmente quase todas as informações acerca do contra-terrorismo empregado para reprimir a revolta. Contudo, o dilúvio de refugiados no vizinho CONGO-KINSHASA, as histórias que eles contavam de prisões e execuções, os bombardeamentos indiscriminados, o incendiar das aldeias, não podiam ser ocultados...





*Pedro Nunes Salomão Tomás é empresário e filho de Avelino Salomão Tomás (Grande figura da resistência e da luta pela independência no norte de Angola)

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